30/10/2008

O prazer pela leitura

Cá em casa começou cedo... e eu não acredito que o Magalhães, que já é tão desejado, nos vá dar cabo disto!

28/10/2008

Paris de Cédric Klapisch

Fui vê-lo cheia de reservas, tais eram as criticas, uma só estrela de 1 a 5, filme tipo Magnólia, sei lá! Estes nossos críticos de cinema, padecem por vezes de uma certa falta de simplicidade, que os impede de apreciar a boa, maravilhosa, qualidade do cinema como objecto de prazer. Ainda bem que fui atrás das belas imagens de Paris, da madura e sempre lindíssima Binoche, do intenso Romain Duris, da extasiante banda sonora, das histórias simples de gente normal, que das mansardas efabula sobre a vida dos outros, histórias entrecruzadas pelas ruas, mercados ( que fascínio estes mercados de rua!), monumentos, amplas panorâmicas da cidade luz, cenário perfeito para o drama da vida de cada um.
Pois é, gostei imenso, ri-me às gargalhadas dos pesadelos do arquitecto, do professor universitário apaixonado pela aluna a dançar freneticamente, da consulta no psi, do elevador avariado de última geração na boca desdentada da velhinha, saí divertida e bem disposta da sala de cinema. Que bom, não é?

27/10/2008

Mais uma pérola da Feira da Ladra - Um apartamento de sonho!

Quando for grande quero viver num apartamentozinho assim... pequenino, à minha medida, da minha dúzia de filhos e da criadagem de dentro e de fora. No terraço um " Maravilhoso salão de festas, exclusivo dos senhores proprietários, para as suas recepções sociais e festas infantis, sendo a parte exterior do terraço protegida dos ventos do quadrante norte, assim permitindo, agradável permanência neste local." O salão de -estar (56m2), a sala de jantar (23m2): Situada no perfeito esquema, ligada ao salão de estar, comunica com os serviços de copa. O quarto-a (19,5m2): Este quarto apresenta-se como sendo o primeiro da zona íntima,daí a sua finalidade como quarto para rapazes. Além da sua explêndida amplitude é dotado de um belíssimo armário-roupeiro em sucupira. O quarto-b(19,5m2): Idêntico ao quarto «A» em todas sa características é indicado para o quarto das meninas. E por aí fora continua a descrição, escritório, quarto de hóspedes ou sala de leitura, quarto principal " do magestoso andar", 4 casas de banho com pavimentos Estremoz, cozinha-copa-casa de engomados, dependências do pessoal, estendal, etc. Mais uma obra de Ruy de Athouguia a embelezar a nossa Av. de Roma. A preços módicos na Feira da Ladra...

06/10/2008

Cuidado, eles andam por aí! Destruir depois de ler....

Mais uma comédia negra dos irmãos Coen, com um subtítulo muito bem aplicado, "a inteligência é relativa". Ou antes, como a falta de inteligência e cultura, associada à mais elementar falta de senso pode conduzir a um caos com contornos de catástrofe. Magnífico Malkovitch, o único ser normal do conjunto de personagens cegas por tanta estupidez e ganância. Magnífica Frances McDormand, personificando a absoluta falta de contacto com a realidade, ou uma cultura moldada por clichés ( as cirurgias plásticas, os encontros via net, a cultura televisiva das séries policiais e de espionagem) como o vazio moldado pela sociedade de informação pode induzir a comportamentos grotescos. Brad Pitt e Georges Clooney que nunca apreciei devidamente, confesso, sobem vários patamares no ranking interpretando os palhaços de serviço. Um bando de gente estúpida, cúpida e caricata que nos faz rir de tão real, que nos faz lembrar algumas figuras de carne e osso, com as quais convivemos obrigatoriamente, o menos possível, mas que temos que suportar por obrigações sociais. É bom que nos lembremos, que essas figurinhas desprezíveis, na verdade, se podem tornar perigosas quando surge a oportunidade.... É um filme que vemos e "destruímos depois de ler", mas a persistente mensagem dos irmãos Coen, está lá e é importante, cuidado com os estúpidos e gananciosos, não os substimemos pois eles podem revelar-se uma força temível de destruição. Só por muito azar é que nos cruzamos com serial killers, mas gente cúpida e sem escrupúlos abunda em cada esquina, be careful!....

02/10/2008

6 de Outubro - Dia Mundial da Arquitectura

Se há coisa que me irrita, são dias comemorativos móveis!
Em 2007, foi no dia 1 de Outubro, em 2006 foi dia 2 de Outubro... Porquê? Porque é que andam todos os anos a alterar a data do dia Mundial da Arquitectura (que pomposo!), ou é mesmo para calhar sempre numa segunda feira? Só se for esse o motivo, para aprofundar a alegria dos milhares de arquitectos, no nosso glorioso Portugal cheio de oportunidades, a simbologia das segundas feiras negras....
Descobri, é simbólica, a ligação primordial às segundas feiras negras!
Para consulta, aqui vai a programação, nada confusa, com um tema evidente, é um desafio, uma charada, tentar descobrir a lógica....

01/10/2008

Sir V.S. Naipul, 22 de Novembro, sábado,18h00, na F.C. Gulbenkian

Fixe esta data, o privilégio de poder ouvir o Nobel da Literatura 2001, Sir V.S. Naipul, by himself, alive, vai-nos ser concedido pela Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito da Exposição "Weltliteratur. Madrid, Paris, Berlim, São Petersburgo, o Mundo!". O meu encontro com Naipul tem apenas alguns anos, mas passou automaticamente para o meu Top Ten da literatura, não sei de qual gostei mais, "Uma vida pela metade" (foi um verdadeiro coup de foudre!), "Miguel Street" (talvez o meu favorito), "Uma casa para mr. Biswas", "A curva de um rio", um ensaio magistral sobre África, "Para além da crença", uma viagem pela Indonésia, o maior país islâmico do mundo. Polémico, com uma autobiografia recentemente publicada, capaz de atiçar ódios pelo seu desprezo pela opinião alheia e pelas convenções sociais, é uma figura a conhecer, através das suas personagens que nos comovem e apaixonam, revelando-nos um mundo cruel e uma sociedade impiedosa, através da diáspora da comunidade indiana.
Melhor ainda, o ciclo de conferências associadas à exposição, concebida e montada por irmãos Aires Mateus, tem um conjunto muito interessante e diversificado de autores, como Eduardo Lourenço, Pacheco Pereira, Filomena Mónica, Luísa Costa Gomes, D. José Policarpo, etc, para todos os gostos, a dificuldade é a escolha. E porque não comemorar o dia Mundial da arquitectura com a abertura do ciclo de conferências, ouvindo os Mateus a perorar sobre a concepção e montagem da exposição? Nada como associar Arquitectura e Literatura!

29/09/2008

Obrigado Paul Newman!

O mundo ficou mais triste, mais pobre e definitivamente mais feio!
Rara felicidade, reunia beleza, classe e sobriedade, foi uma referência para várias gerações, inclusivamente a minha. Lembro-me sempre de procurar os seus traços nas eternas discussões próprias da idade da parvoíce, aquele tem olhos de Paul Newman, demasiado bonito, parece-se com o Paul Newman.... Havia inclusivamente um professor na Faculdade, que era um tédio tremendo, mas...tinha perfil de Paul Newman! e essa característica (rara) ajudava a suportar as duas horas de Semântica da Arquitectura, disciplina odiada pela generalidade, com um discurso hermético e monocórdico. Não será esquecido pela minha geração, mas as miúdas de 18 anos não sabem o que perderam! Sim, volto nostalgicamente à mesma conclusão, deixa saudades e é muito bom tê-lo na memória, mas contrariando a vox populi, há figuras insubstituíveis! Obrigado, Paul Newman!

23/09/2008

Incentivos ao povoamento da cidade de Lisboa

Temos que começar por algum lado! Oh Helena Roseta, afinal o plano para resolver o problema da desertificação da cidade de Lisboa já se iniciou há muito! Não vale a pena chamar à baila os sempre tão interessantes casos de acupunctura urbana protagonizados por grupos de romenos e outros afins, o trabalho começa por ser feito em casa, por dentro das estruturas camarárias, há que dar o exemplo!

"A chefe de gabinete do vice-presidente da Câmara de Lisboa, tem uma casa atribuída pela autarquia há 18 anos. A ex-presidente da Gebalis, empresa municipal que gere a habitação social de Lisboa, já não vive na casa onde está agora o seu filho." DN

22/09/2008

Jornadas Europeias do Património 2008

As Jornadas Europeias do Património estão de volta! O ano passado, deliciei-me com uma genial interpretação do "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente ( sempre tão actual...!) nos lindíssimos claustros do Mosteiro dos Jerónimos. Há dois anos assisti a um concerto impressionante nos Passos Perdidos, na Assembleia da República dos Gaiteiros de Lisboa, após visita detalhada ao Palácio. Há três anos subi à cúpula do Panteão Nacional... Há 4 anos visitei o criptopórtico romano na Rua da Prata, visitei o Museu do Teatro Romano e o museu Antoniano...Este ano ainda estou a estudar o programa, mas as tentações são muitas e variadas, há que fazer opções, não temos o poder da ubiquidade, infelizmente! http://www.ippar.pt/pls/dippar/agenda_detalhe?xcode=12803717

21/09/2008

Memória curta!

Andei toda a tarde em (des)arrumações e curiosamente dei de caras com três publicações do Metro, onde vem referida a importância dada por esta entidade à Arte Pública, nomeadamente à Obra de Maria Keil.

Estes livros, foram-nos deixados um dia à porta da nossa casinha do Príncipe Real que, entre outros, nos oferecia o privilégio de ter como vizinha do andar de baixo esta senhora tão simpática, tão humilde e tão interessante. Ainda me lembro do seu encolher de ombros, quando lhe fomos agradecer o gesto, insistindo que não tinham importância nenhuma, eram apenas uns livros que podiam interessar aos seu novos vizinhos arquitectos, senão, que os deitássemos no lixo, não eram nada de especial.
Não deitámos claro, e hoje, ao desmontar a estante e folhear o primeiro, retive na memória aquilo que o Metro, com o passar dos anos pelos vistos, não foi capaz.
Deixo-vos um excerto da introdução da publicação "Arte Pública no Metro de Lisboa":
"(...) Maria Keil foi pioneira de uma Arte Pública que a partir de 1991 se viria a diversificar(...)
O Metropolitano de Lisboa patrocina assim as Artes ainda com preferência pelo azulejo e contribui, pela valorização artística dos seus espaços públicos, para uma maior humanização da cidade de Lisboa."
PS: sublinhado meu. É que é preciso ter lata!

Maria Keil

Maria Keil, quase a chegar aos 100 anos mantém este ar jovem de quem está ainda muito viva e ainda muito presente.
Ao longo da sua vida, deu-nos um enorme contributo nas artes plásticas, do qual se destacam os paineis de azulejos oferecidos à data, à cidade de Lisboa e ao "jovem" Metro.
Estas entidades "pobres e mal agradecidas", aquando das grandes obras de remodelação, avançaram para a destruição dos mesmos sem a preocupação de dar uma única palavra à autora destes paineis, que apurando formas geométricas e o uso da cor conseguiu quebrar a monotonia cinzenta das galerias das primeiras 19 estações do metro, apesar da "falta de verba" que se fazia sentir.
É muito triste constatar que neste país, quando uma obra é oferecida não há lugar a "Direitos de Autor"!
Está no ar uma petição para pedir ao concelho de gerência desta empresa que procure obter os desenhos originais e mande executar de novo os paineis destruídos. O mínimo que podemos fazer é assiná-la, manifestando assim a nossa indignação. Eu já o fiz!
http://www.petitiononline.com/MK2008PT/

16/09/2008

Indignation de Philip Roth

Oh Serra, só para ti, a melhor notícia da rentrée! Eu sei, já estás careca de saber!.... Mas para o caso de andares mais distraída...ainda vai demorar a cá chegar! Já agora, fazes o obséquio de me emprestar o Património? http://dn.sapo.pt/2008/09/16/artes/philip_roth_regressa_a_juventude_nov.html

Tea For Two

Lisa Eckdahl,
aquela voz cristalina que pacifica, It's oh so quiet, aquele jeito doce e suave que encanta, vem actuar a Lisboa no C.C.B. a 14 de Novembro, num concerto acústico, melhor seria impossivel!
Julguei-a desaparecida, acreditei que Salvador Poe a tivesse raptado para sempre, que após aquele encontro com o poeta sul americano, Lisa tivesse caído nos braços amorosos do poeta e que nunca mais nos viesse encantar com a sua voz.
Longas e inumeráveis tardes a ouvi-la, incansavelmente, a cantar standards de jazz, bossa nova, ou as suas composições, sempre muito bem acompanhada, ela é absolutamente perfeita. Now or never! http://www.lisaekdahl.com/

12/09/2008

Antes que o Diabo Saiba que Morreste

Que chegues ao céu meia hora antes do diabo saber que morreste...

Um filme notávelmente construído e interpretado com uma história de família, quase vulgar...
Lembrou-me o Fargo dos irmãos Cohen, na construção da narrativa, sem o humor que tudo alivia e torna suportável as mais abjectas situações. É uma história cruel, que põe a nú a dinâmica de uma família, com os inevitáveis dramas, ódios, invejas e competições entre irmãos. A visão de Sidney Lumet é negra, negra e negra, os personagens que compõem a cena familiar são, à excepção da Mãe, vulgares, mesquinhos e gananciosos (a trilogia do feios, porcos e maus...). Philip Seymour Hoffman é brilhante na encarnação odiosa do mentor do crime, forte e inteligente, sedutor, manipulador e consciente da sua condição, Ethan Hawke (que desperdício de rapaz!) é não menos repugnante no seu papel de fraco, medroso e absolutamente incapaz de controlar seja lá o que for na sua vida, ex-mulher, filha, amante, cena do crime, o perfeito desatre.
Interessante, porque apesar do horror quase absurdo da história, faz-nos reflectir na violência e sofrimento inerente aos frágeis equilíbrios das relações familiares, nos estereótipos do irmão mais velho, que sofre na pele a exigência e dureza do primeiro filho, contrastando com a afectuosidade desculpante e superprotectora do mais novo sempre desresponsabilizado e superprotegido, pleno de afecto. A mulher/esposa objecto, interesseira, manipuladora dos afectos familiares, sem escrúpulos, jogando irmão contra irmão com a candura de quem brinca com a vida sem avaliar a consequência extrema dos seus actos, ou preversamente consciente.
Interessante, porque a delicada teia dos personagens é-nos apresentada em múltiplos planos, avanços e recuos, em expressões e olhares mudos que revelam as intenções sublliminares dos personagens, deixando-nos preencher os vazios e os silêncios. Interessante porque em contraste com os pais, que rapidamente adivinhamos fortes, estruturados e unidos por laços profundos, os filhos são profundamente solitários e desamparados à imagem da sociedade moderna.
A ver, sem dúvida.

10/09/2008

Os Paraolímpicos

São 35 atletas a concorrer em diversas áreas como Boccia,natação, remo, ciclismo,equitação, atletismo...
Homens e mulheres que conhecem mais adversividades na vida do que qualquer um de nós, não têm o menor protagonismo na comunicação social.
Contudo... a cada conquista, erguem a bandeira portuguesa e fazem-no com a maior simplicidade do mundo!
Ontem mesmo, obtivemos no mesmo podium, uma medalha de ouro e uma medalha de prata. Não me lembro de isto alguma vez ter acontecido nos jogos olímpicos. Se calhar estou enganada, mas mesmo correndo o risco de estar, muito me escandaliza, que esta noticia não tenho sido noticia da abertura dos telejornais.
Desculpem a franqueza, e não diminuindo em nada o respeito que lhes tenho, mas estes atletas, bem como os seus treinadores e todas as suas equipas merecem muiito mais protagonismo do que atletas que se queixam do sono e cansaço ou das má qualidade de arbitagem.
Esta é a forma que encontrei para falar nos Paraolímpicos, para os homenagear. Adorava que alargassemos a homenagem, como a net nos proporciona.
A MediaCom, agência que represento, dá-lhes os Parabéns, presta-lhes homenagem pelo esforço e deseja-lhes muita sorte.
Ana Belmar

08/09/2008

All together again

Obrigado Bré, por nos abrires as tuas portas e receber (quase) todos, neste almocinho pós-férias! Foi um dia (quase) Santo... é tão bom quando estamos todos juntos!

Fiquei a pensar que não podemos perder o Touril, não podemos, não podemos, não podemos mesmo.
E antes disso, o muito em breve, aburguesado/em casa afidalgada, fim de semana Childs Free...

02/09/2008

Uma questão de jeito...

Ontem passei-me. Aqui, em frente a esta máquina (e por causa dela) com um senhor fardado de verde, simpático mas tão limitado que nem depois de eu repetir 3 vezes percebeu o que lhe estava a querer dizer. Que a culpa não era dele, mas talvez fosse o seu dever alertar a manutenção porque a máquina está avariada, não funciona em condições. O botão verde não responde à pressão do meu dedo.
Cheio de boa vontade, demonstrou-me que eu não estava certa. “Funciona sim, quer ver?” E espetando o dedo indicador dá um toque certeiro com a ponta da sua unha bem afiada no canto esquerdo do botão. Num cantinho bem específico e com a pressão certa não é que funciona mesmo? Não é sempre, nem com qualquer dedo, mas funciona. Portanto a máquina não precisa ser arranjada e quem não conseguir tirar o papel azar! Paga a multa que é para aprender e para a próxima que se esforce um bocadinho. Com criatividade e pontaria chega lá!
Hoje cheguei lá com a ponta da chave do carro e não é que funcionou?! Ufa, custou um bocadinho mas consegui apanhar-lhe o jeito!!!

30/08/2008

Baixa Natalidade no Portugal Heróico do Século XXI

A partir de 1 de Setembro é lançado o 4_18@escola.tp, um novo passe escolar para jovens dos 4 anos de idade aos 18, com direito a 50% de desconto no percurso casa-escola.

Até parece uma medida a aplaudir...mas revela-nos o inacreditável! Alguém quer acreditar neste Portugal socialista que caminha lentamente para a morte por baixa natalidade, que as crianças de 4 anos PAGAM A UTILIZAÇÃO DE TRANSPORTES PÚBLICOS?

28/08/2008

A Linha do Tua - II

Por razões que todos compreenderão tenho tido uma grande dificuldade em digerir a notícia de mais um descarrilamento, no último dia 22, nesta linha-férrea! Acreditem que há dois meses atrás quando embarcámos nesta viagem (3 adultos e 7 crianças) estávamos cientes da antiguidade e da fragilidade da linha, mas ao mesmo tempo seguros de que, após os acidentes ocorridos antes, esta só estava a funcionar porque tinha sido dada a garantia total da sua segurança.

Não sou do género de ficar muito tempo a pensar que poderíamos ter sido nós desta vez a rolar montanha abaixo. Mas também não consigo ficar indiferente à sorte, ou ao azar, e neste caso, à estupidez, cretinice, irresponsabilidade e até criminalidade, dos técnicos, dirigentes distritais ou seja lá quem foi que autorizou inadvertidamente a reabertura desta linha!
Um património tão rico e belo, um transporte tão útil a uma população já idosa, e acima de tudo o valor da vida humana, não merecem um desprezo tão grande!!!

24/08/2008

No vazio da onda. Trio e quarteto, R.L. Stevenson

Seguindo o conselho de Hugo Pratt em " O desejo de ser inútil, memórias e reflexões", fui à procura de Stevenson, um dos seus mestres e modelo. Após tropeçar em múltiplas edições infanto juvenis de muito duvidosa qualidade, encontrei esta edição da Assírio e Alvim na qual é fundamental uma atenta leitura da introdução. Para meu enorme espanto, descobri (santa ignorância!), que Robert Louis Stevenson é o autor do romance negro que deu origem àquele maravilhoso filme interpretado por Michael Caine na versão mais actual de 1990 , " O médico e o monstro", ou "o estranho caso de Dr. Jeckill e Mr. Hide".
Foi um escritor maldito, incompreendido no seu tempo, deturpados e mascarados os seus manuscritos, foram sistemáticamente vitímas da pena censória de "amigos" e até da própria mulher, que os moldavam às convencões da época os seus escritos "imorais". Fixou-se nas ilhas Samoa, paisagem paradisíaca, num Oceano chamado de Pacífico, mas que à imagem de Dr. Jeckill e Mr. Hide, esconde as piores tempestades sob um verde e azul perfeitos, que serve de pano de fundo à tragédia humana....
Não sei porquê, desde o início do romance, que na minha cabeça, se colou à figura do Comandante Davis, a figura carismática de Humphrey Bogart, se alguém concordar, diga. A acção desenrola-se sempre nesta dualidade entre o bem e o mal, entre a tentação do nosso tenebroso Mr. Hide e a salvação do Dr. Jeckill, a ambiguidade das duas personagens centrais, Herrick e Davis completa-se com a negritude e abjecção total da terceira personagem, Mr. Huish. O lado solar e o domínio das sombras, numa história empolgante que nos arrasta pelo mar das Caraíbas entre piratas e homens perdidos, carregamentos roubados, tesouros de pérolas e ilhas maravilhosas que não aparecem nos mapas até encontrar um porto de Salvação, ou não...

21/08/2008

Dias a três

Entre férias em família e os próximos dias que serão passados na companhia de amigos, tivemos direito a alguns dias só os três. Foram dias intensos de pasmaceira, diversão, algum trabalho e várias conversas. Foram dias de birras, gritos, medição de forças, cedências, partilhas, desculpas, lágrimas, sorrisos, gargalhadas, miminhos, muitos miminhos. E foram dias de paciência, tolerância q.b., e acima de tudo de crescente cumplicidade, como em nenhum outro ao longo do ano!
Mas porque é que eu não consigo largar esta desconfiança de que os meus príncipes se vão transformar em sapos, mal sairmos deste "micro ambiente" para nos abrirmos de novo ao resto do mundo?

04/08/2008

Uma imagem refrescante

para aliviar os mais encalorados que estão a trabalhar, como eu, num dia em que os termómetros ameaçam chegar aos 39º!

03/08/2008

Rotinas

Hoje voltámos aqui.

Palavras,

há quem diga que a voar são levadas pelo vento. Deve ser por isso que desde sempre, preferi os actos às palavras. O acto leva ao facto, é o real. Não acho que as palavras tenham o poder que outros dizem que têm. Refiro-me obviamente à palavra falada, dita agora e que pode voar amanhã (e não me estou a referir ao compromisso), consoante o carácter transitório ou não que levou alguém a dizê-la. A palavra escrita já não é assim. Porque não pode voar, fica presa! Podemos ler e reler, elaborar, interpretá-la de formas diferentes ao longo do tempo, mas como não a podemos deixar fugir fica cravada em nós como no papel, encerrando em si um poder infinito!

23/07/2008

Saudades

Nunca mais fica de noite, para poder olhar para o céu e imaginar a festa hoje, lá longe, nas estrelas.

Nunca conheci ninguém que gostasse tanto de comemorar o seu aniversário, como o Ricky!

21/07/2008

E a prole a aumentar,

a dos Patrões desta Loja. O Grande Eduardo já nasceu e Hoje é Dia de Festa!!!

14/07/2008

Funny Games - Jogos Perigosos

Somos tragados desde o primeiro instante pela acção que revela logo um nível quase insuportável de violência, explicitado de forma magnífica na banda sonora que alterna em nos provocar estados opostos consoante o desenrolar da acção, canto liríco ou trash metal.
Canto liríco para as vitimas, trash metal para os psicopatas.
O realizador conduz-nos não a um estado de sobressalto mas a um sentimento ambíguo de culpa e de voyeurismo, em que somos envolvidos pelos agressores psicopatas como o objecto final para o qual eles preparam minuciosamente o quadro do horror, temos que agradar ao público? E olham-nos directamente nos olhos, sorrindo com cumplicidade. É aqui que o filme faz a diferença, questiona-nos como espectadores ou como consumidores do espectáculo da violência.
É um remake de um filme do mesmo autor mas em espaço fisíco diverso. Não vi o de 1997, infelizmente. Passamos da Áustria para a América, apesar do tema ser universal, parece-me que o requinte de malvadez dos personagens é muito europeu, para mal dos nossos pecados.... Em muito pouco ou nada se assemelham com Hannibal ou com as figuras retratadas pelos irmãos Cohen, esses francamente autócnes. É inquietante e perturbador, porque retrata a violência na sua forma mais perversa e incompreensível, não há mais nenhum motivo palpável do que o comprazimento dos carrascos na humilhação das vítimas, e na sua tortura, tudo é leve e divertido no sofrimento alheio, tudo é um jogo infantil, o jogo do gato e do rato, o jogo do saco e do rato, o da esposa dedicada, até deixar de apetecer para ter início outro, com novas vítimas. Muito interessante, a ver, para quem suporta o género.

11/07/2008

Lindo, de comer e desejar sempre mais

Já tinha saudades da Maghy, do Rê e do Sushi que invariavelmente aparece com eles!

09/07/2008

O livro dos grandes opostos filosóficos

"Desde tenra idade, descobrimos que as ideias se opõem e se compreendem graças a essa oposição…pois essas oposições universais são as que estruturam o nosso espírito, que lhe permitem reflectir"
Adorei ter descoberto este livro, partilhá-lo com o meu filho Francisco e assistir ao seu progressivo e entusiasmado interesse. As ilustrações que acompanham o texto são absolutamente fascinantes e ajudam à interpretação das ideias, que são complexas, mas que numa linguagem acessível, abrem espaço a outras reflexões, dúvidas e interrogações.
Fica este exemplo: "Esperar é ser ACTIVO ou PASSIVO?"
Um desafio para adultos e crianças!
"Um livro para contemplar, um livro para pensar, um livro único..."
editora: edicare

08/07/2008

I'm From Barcelona - We're From Barcelona

uma música divertida para as minhas amigas queridas: Cinderela e Tere. Eu não consigo deixar de me por a abanar a cabeça cada vez que a oiço! Espero com isto contagiar-vos com esta onda de boa disposição...

Leituras

O caos instalado em minha casa e a impossibillidade de descobrir o livro que estava a a ler fez com que pegasse novamente num daqueles livros pequeninos da colecção Livros RTP. Desta vez comecei pelo primeiro, Maria Moisés de Camilo Castelo Branco que faz parte de"As Novelas do Minho" ( 1857-1877).

Não posso deixar de partilhar convosco esta passagem genial , que li e reli umas dez vezes com crescente emoção:

" A estupidez é mais valente que a morte. Se falta a luz que adelgaça e rompe a treva do homem bárbaro, à mistura com a velhacaria que a civilização lhe tem dado , o cérebro e o coração são empadas de massa inerte, umas substâncias granulosas ou fibrosas contidas em sacos membranosos. Não há nada de mais bestial que o homem sem alma que se faz na educação. A mulher já não é assim. A maternidade é uma ilustração que lhe dá a intuitiva inteligência do amor e das grandes tristezas. Essas, em toda a parte, a chorar, são mulheres; e, ainda na derradeira curva que atasca em lama a espiral da degradação, é-lhes concedido remirem-se pelas lágrimas."

06/07/2008

Sándor Marai o escritor húngaro

Li neste fim de semana o segundo livro traduzido e publicado em Portugal por este (inexplicavelmente) desconhecido autor, Sándor Marai," A herança de Eszter". Para dizer a verdade, foi o que me pareceu menos interessante de todos. O primeiro contacto com " As velas ardem até ao fim" foi para mim o encantamento imediato. Uma profundidade de análise que nos atinge directamente na alma, o vislumbre de um mundo requintado em que os valores da alta burguesia se confrontam com o seu fim. Uma sociedade que tal como em o "Leopardo" desaba com a destruição desses valores e se extingue irreversivelmente, tragada pelos nouveau riches, pelos arrivées, pelo apelo imediato do prazer e da saciedade dos instintos. Um tempo em que a longa espera não altera os sentimentos, em que o destino e a fatalidade une e separa os personagens. Mulheres que esperam, mulheres que manipulam, paixões fatais, amizades profundas, amores idealizados, "o mundo é um teatro". Em " A mulher certa", pressente-se o reflexo autobiográfico, a construção tripartida do romance envolve-nos numa visão, primeiro fragmentada, e finalmente holística da história. Foi para mim uma descoberta que provocou o sentimento reconfortante de um reencontro, de um mundo que todos, de alguma forma, conhecemos num tempo mais longínquo e nostálgico.
"O tempo passava e a vida tornava-se cada vez mais opaca em redor de mim. Os livros acumulam-se, adensam-se. E cada livro continha uma pitada da verdade e cada recordação insinuava que é vão conhecer a verdadeira natureza das relações humanas, porque nenhum conhecimento torna uma pessoa mais sábia."
Aconselho, sem reserva, "As velas ardem até ao fim".

04/07/2008

Comemorações dos 10 anos da Ordem dos Arquitectos

O programa inicia-se com uma sessão solene no salão nobre do Instituto Superior Técnico, presidida pelo Prof. Dr. Carlos Matos Ferreira, Presidente do IST e o Arq. João Belo Rodeia, Presidente da OA . O quê? Alguém mais vê qualquer coisa de profundamente insólito nestas comemorações? Salão Nobre do Instituto Superior Técnico? Presidente do I.S.T. a presidir às comemorações dos 10 anos da O.A.? Não haverá qualquer outro salão nobre que dignifique esta data, e não seja no Técnico? Ou talvez o presidente da Ordem dos Engenheiros não estivesse disponível nesta data para partilhar também a presidência, ou alguém imagina o inverso? Presidente da Faculdade de Arquitectura de Lisboa da U.Técnica de Lisboa preside à sessão comemorativa das celebrações dos (...)enta anos da Ordem dos Engenheiros... Haja paciência, decência e respeito pelas tradições! Vão talvez firmar as posições relativamente à mudança do73/73...engenheiros e arquitectos.

28/06/2008

A Linha do Tua

Estas nossas férias anuais no Norte tiveram o seu ponto alto neste passeio que fizemos, pela primeira vez, na linha-férrea do Tua. É uma das linhas mais antigas do país, que serpenteia a encosta irregular do rio, enquanto nos desvenda as escarpas duras de pedregulhos e sobreiros, nos assusta quando parece quase rasar um precipício ou nos deixa curiosos para saber o que vamos encontrar do outro lado do túnel. Não é um percurso de exploração turística. Tivemos no entanto imensa sorte em viajar com um “cobrador” que nos ia dando pistas sobre o que íamos encontrar a seguir – “agora vai aparecer uma rocha enorme que parece um lagarto, com olho e tudo” ou “ É aqui que se pretende construir a barragem do Tua”. Este senhor, de uma simpatia assinalável interrompia sempre o papel de guia para, cada vez que chegávamos a uma estação ajudar os passageiros - quase só idosos e “da terra”- bem como a respectiva bagagem, a descer e a subir do comboio.

Não sei se vai durar muito mais tempo esta linha que, infelizmente já começou a dar mostra da sua fragilidade. E é por isso que deixo ficar a dica. Se forem de férias para o Douro ou Trás-os-Montes não deixem de fazer este passeio. É muito bonito mas poderá estar em vias de extinção!

27/06/2008

Baixa Natalidade em Portugal

8h15m da manhã, Serviço de Atendimento para Grávidas de Risco do Hospital de Stª Maria em Lisboa....Uma fila descomunal de (Pré) Mamãs em pé à espera de poder chegar ao balcão para fazer a marcação de consulta, que é feita na hora e por ordem de chegada. Excusado será dizer que o atendimento prioritário está excluído...custa muito utilizar senhas de chamada? É muito sofisticado? Ou é mesmo para testar a resistência das grávidas, para poder verificar se o risco é efectivo, ou é só para armar? Ou talvez para demover a utilização do serviço público? Uma sala de espera sem ar condicionado, sem ventilação natural, um ar irrespirável, e quando se consegue atingir o balcão são mais 4 horitas de espera até à consulta, fantástico!
Digamos que vale a pena sofrer, porque os médicos, enfermeiras e pessoal técnico são fantásticos, os nossos gestores hospitalares é que não me parecem muito brilhantes....Qualquer merceeiro ou talho de bairro, utiliza senhas de atendimento para evitar que os clientes sofram em pé à espera.

22/06/2008

Serões que não se esquecem

O da passada sexta-feira, na fantástica casa nova do Pedro e da Ana!

O fim de festa a prolongar-se pela noite dentro, ao som da viola e das vozes várias, umas timidas, outras roucas, outras firmes e muito envolventes.
Aconchegados pelas mantas e inspirados pela Lua, poderiamos ter ficado assim, eternamente...
Há muito tempo que não saboreava uma noite, assim!

fintas de domingo

Sem saber muito bem como fintei o transito e consegui chegar e sair da praia - o tempo todo "à pinha", praia e respectivo estacionamento - sem filas, sempre a andar, um descanso!

Há dias de sorte!

20/06/2008

Ciclo de cinema Italiano à BORLA

Lá para as Avenidas Novas à Avenida de Berna, temos a passar no telão, Visconti, Antonioni, Fellini...etc. A ver e rever, sempre. www.nucleodeprogramacaocinematografica.blogspot.com

18/06/2008

"Quem és tu de novo?"

Dou por mim de vez em quanto a vasculhar a herança discográfica que o Ricardo nos deixou. Vou pegando nos CDs e levando para o carro ou para o atelier, os que conheço bem e os que não me lembro sequer de alguma vez ter ouvido tocar. Foi o caso de hoje com um disco de 2001 de Jorge Palma "É Proibido Fumar". E confirmei que mais do que gostar de o ouvir (e gosto muito!), Gosto mesmo é de o lêr:

"quando a janela se fecha
e se transforma num ovo
ou se desfaz em estilhaços
de céu azul e magenta
e o meu olhar tem razões
que o coração não frequenta
por favor, diz-me quem és tu de novo?
(...)
quando o tecto se escancara
e se confunde com a lua
a apontar-me o caminho
melhor do que qualquer estrela,
ninguém me faz duvidar
que foste sempre a mais bela
por favor, diz-me que és alguém de novo"

16/06/2008

Nos passos de Magalhães

De mochila às costas, pelos caminhos mais improváveis, Gonçalo Cadilhe apresenta-nos um interessante e divertidíssimo programa ao Sábado à noite na RTP2, em horário nobre, olé!. Entre o documentário e a ficção, entre a grande história e as pequenas estórias, sempre suportado pelas intervenções por vezes sábias, outras vezes completamente lunáticas, de historiadores do cimo da cátedra ou curiosos e apaixonados, a viagem faz-se pela História, lendas e mitos da fabulosa vida de Fernão de Magalhães. Divertido, despretencioso, bem humorado, faz-nos sonhar com as viagens mais maravilhosas atrás de um mundo perdido, da Costa do Malabar, da ilha de Moçambique à Patagónia. O que é que andamos por aqui a fazer neste mundinho urbano depressivo quando o paraíso está ali à nossa beira? Já vai a meio, mas é totalmente imprescindível!

Night Watching de Greenway

Como pode um filme de Greenway passar despercebido?
A Ronda da Noite de Rembrandt constitui o eixo gerador do drama e assistimos deslumbrados ( como não?) ao apogeu e declínio de Rembrandt, da sua vida intíma com a mulher Saskia, e do enorme conjunto de mulheres, criadas, amas, que enchem a casa e a sua vida. A maior parte das cenas passam-se no espaço do atelier (palco), e à volta de uma cama/máquina imponente que centraliza a maior parte da acção. Amor, nascimento e morte, intriga, sexo e traição, a vida desenrola-se na tela moldada pelo claro-escuro do pintor em cenas cruas de uma beleza pictórica intensa. O actor principal Morgan Freeman surpreende, para quem o identifica com a Brit Com, a música minimalista de câmara transporta-nos para o séc. XVII, perfeito na composição dos cenários, nas naturezas mortas, nas jóias, no drapeado dos tecidos, nas golas armadas, ....palavras para quê? é Peter Greenway.
O filme vem classificado para maiores de doze anos, o que me parece desadequado. É, sem dúvida alguma, um filme para adultos.

15/06/2008

A Bordo

do CAMABER, dobrámos o Cabo Espichel. Foi ontem, num dia muito bem passado no mar, entre falésias majestosas e o horizonte sem fim!

11/06/2008

O Dia da Raça e as Comendas

Marques Mendes foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique pelos seus altos? serviços prestados ao país? Ou ao PSD? Não foi já recentemente agraciado pelos seus inestimáveis serviços com o alto cargo de administrador delegado de um consórcio de empresas do sector das Energias Renováveis? Se eu fosse o Sr. Alfaiate lá de cima, o Sr. Gualdino Moreira, que recebeu a medalha de Mérito Civil, tinha-me rebelado e exigido um tachinho acessório para assentar melhor a medalha ao fato.

10/06/2008

Marcha de Alfama

De manhã na fila da padaria, ouvia as comadres da Graça furiosas a refilar que é sempre a mesma coisa, "está tudo feito" para Alfama ganhar, todos os anos oiço os mesmos comentários despeitados, e fico feliz por reconhecer ainda traços genuínos nestes bairros populares. O ano passado houve mesmo insultos e estalada, e foi de novo Alfama que ganhou, já não sei se era a Cinha ou o João Baião que apadrinhavam a marcha, o que sei, é que estava linda a marcha do meu bairro, e que fazia corar de inveja as marchas de S. Vicente ( que estão logo ali acima). Pouco tempo depois de me mudar para Alfama, regressava a casa de táxi, quando o taxista, ex-morador e saudosista, feliz por voltar à "terra" me perguntou à laia de piropo, Já a convidaram, concerteza, para pertencer às Marchas? Não, mas foi um belo piropo cá do meu bairro.

05/06/2008

Cartão Selecção

Mete-me francamente nojo, a utilização da imagem da selecção nacional como isco na angariação e promoção de produtos bancários de forma encapotada. Acho mesmo revoltante, enganar o pacóvio acenando com a querida selecção, os heróis nacionais e toda a "aura" em torno deste (pobre) resto de orgulho nacional e oferecer (vender) cartõezinhos de crédito que tanto arranjo fazem nesta época de crise, para apoiar a nossa selecção!
Na verdade já quase tudo mete nojo, nesta obcecante forma de alienação social em que se transformou o futebol, pois é tal a profusão de notícias sem notícia, vácuo à volta dos jogadores e da sua vida e hábitos privados, líderes desportivos exibindo atitudes sórdidas e corruptas, que por favor, acabem com a histeria o mais rápidamente possível, percam os jogos, desapareçam, e devolvam-nos a paz e o sossego. Ou então joguem, bem, de preferência no campo, sem o circo de oportunistas do costume à volta a fazer ruído.

01/06/2008

"The Remote Viewer" de Gil Heitor Cortesão

Nas palavras de Chris Sharp ( crítico de arte norte-americano) sobre o primeiro contacto com a obra de Gil Heitor Cortesão " Mas o que mais me impressionou foi a qualidade perturbadora dos seus lugares arquitectónicos vazios e o silêncio impenetrável que encerravam. Não era tanto pelo que diziam, mas tudo o que tão articuladamente conseguiam não dizer que me chamou a atenção. Estavam repletos de uma calma assustadora."

27/05/2008

A penumbra ficava-lhe tão bem!

"Se pudesse escolher ficava na penumbra." diz P.T.P. ao Expresso.
Quem diria, por momentos pensei que as 15 páginas ocupadas por P.T.P., para além da capa, fossem publicidade paga! Mas, do mistério que interessava ao público, sobre a sua passagem meteórica e milionária pelo BCP, nem palavra. É um homem novo, revelado depois dos 47, para as Artes e para a Cultura!
Parabéns à Única do Expresso, está cada vez mais interessante, não fosse a Pluma Caprichosa!

26/05/2008

Piensa en mi - Luz Casal (Para ti Sophie)

Parabéns Sophie! Sei que não consegues ouvir, mas o que conta é a intenção... Mas é só para dizer que estou a pensar em ti.

25/05/2008

Tainted Love • She bangs - Voodoo Marmalade

Que boa surpresa, muito divertido. Obrigado e Parabéns Djomba.

Voodoo Marmalade

Retirado daqui

A montanha pariu um rato!

Quero dizer, a Leya pariu um rato!
Ontem não resisti à abertura da Feira do Livro e fui cuscar os tão polémicos pavilhões da Leya. Que decepção, afinal tanto sururu, tanto escândalo e o conjunto da Leya nem montado a horas estava. Pavilhões em construção era o que nos esperava às 17.30 da tarde, é preciso ver que a inauguração foi às 15h00.
Operários com martelos nas mãos e pregos nos dentes, estruturas em madeira e pladur e coberturas de plástico, era o que estava à vista na maior das confusões, os livros já disponíveis nas prateleiras não estavam marcados, alguns autores como a Rita Ferro e a Lídia Jorge passeavam-se com um ar muito divertido no meio do caos. Percebi o conceito de "praça", definindo uma centralidade nas Caixas registadoras (que bom gosto!), as diferentes barraquinhas permitindo o acesso livre do leitor às estantes é bastante agradável, mas o desenho dos stands pareceu-me pobre e desinteressante. Adiante! A Feira fora este lado da Leya, estava cheia e animada, apesar da chuva, prometendo um bom ano, novidades e livros do dia a chamarem por nós, o Camões do Rua Augusta estava a fazer sucesso e as farturas e churros a fazer água na boca.O nosso querido Lobo Antunes deu notícias, mas do norte, manifestando a sua repugnância pelos negócios escuros de Lisboa, nós concordamos com ele mas não dispensamos a sua presença cá pela capital.

24/05/2008

Pra rua me levar

Deixo mais uma música.

E se fosse possível?

É tão bom acreditar! Quem me dera voltar a ter 6 anos e a inocência de quem acredita que tudo é possível. Que querer é mesmo poder!

O Francisco acredita que vai passar todas as aulas de ciências, que vai ser astronauta e construir um grande foguetão que o levará às estrelas, de onde trará o Pai de volta para a nossa casa, para ao pé de nós...
Quem sou eu para lhe destruir o sonho e dizer que isso nunca vai acontecer?

Desafios da Blogosfera

A Inês Mega propôs-me o seguinte desafio:

" São-nos pedidas seis palavras para uma “muito curta” biografia (há quem opte por um conceito) e podemos dar-lhes ênfase com uma imagem. Devemos colocar um link para quem nos desafiou e por nossa vez desafiar cinco blogues, avisando-os deste mesmo convite."
À semelhança da Inês também eu me desvio ligeiramente do pedido, deixando-vos aqui o excerto de um texto que me diz muitissimo:
(…) Sei, eu sei que venho de longe e vou para longe. Sei que não estou apenas aqui mas em muito lado, sei que não vivo “apenas” o tempo que vivo. Sei que o infinitamente grande é tão infinito como o infinitamente pequeno. E sei e sei mais e muito mais. Sei que não sou excepção. Sei que sou como todos os homens Os que nasceram e morreram Os que hão-de nascer para morrer. Eu sei que entre mim e os outros há uma eterna e indissolúvel união. E que os outros precisam de mim, tanto quanto eu deles necessito. E sei que é este sabermo-nos infinitamente grandes por sermos infinitamente pequenos que constitui a paixão da vida. Eu sei, sim eu sei.(…)
“Depoimento” por Fernando Távora para uma aula na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, em 198?
Relativamente à segunda parte, desafio o Holler (o único Bloguista que nos visita que sei gostar de desafios).

23/05/2008

Já andam pelo chão...

... as flores dos jacarandás, a formar lindos tapetes violeta sobre a calçada!

Ruy D'Athouguia "Absolutamente Moderno"

Com prefácio de Eduardo de Souto Moura foi publicada uma tese de doutoramento de uma arquitecta do Porto, Graça Correia, sobre um dos mais notáveis e interessantes arquitectos do Movimento Moderno português. Souto Moura a propósito, conta uma história significativa em que pergunta a Ruy d'Athouguia a sua preferência entre as obras e os arquitectos portugueses, " A piscina de Leça do Siza Vieira... mas não percebo porque é que o Siza em pleno século XX insiste em fazer janelas!" O primado da planta livre, a anulacão das janelas através dos planos de vidro, as coberturas terraço, os pilotis, o betão aparente, etc, estão presentes em profundidade todos os princípios da carta de Atenas e do Movimento Moderno. Tenho o privilégio de trabalhar e fazer vida numa zona da cidade em que a encomenda pública a Ruy d'Athouguia foi abundante, por isso, Bairro das Estacas ( onde trabalho)Escola Teixeira de Pascoaes, Escola do Bairro de S. Miguel, Liceu Padre António Vieira, o maravilhoso Imóvel de Habitação em Alvalade (encaixado no Hotel Lutécia) a Torre do Infante que sempre foi a minha preferida em Cascais ( desde que me lembro e ignorava a autoria), Fundação Calouste Gulbenkian, Edifícios da Praça de Alvalade, etc. E maravilha das maravilhas, as habitações unifamiliares, Casa Sande e Castro, Casa Pinto Coelho ( alguém conhece? Duarte, exigo uma visita guiada! ) a descobrir e conhecer com urgência.

20/05/2008

Feira do Livro de Lisboa

Não posso concordar com António Mega Ferreira (entrevistado na Rtp2), que considera a Feira do Livro de Lisboa não como um acontecimento Cultural da cidade, mas sim comercial no essencial e que gostaria de a remeter para um espaço fechado como a FIL. A Festa da Música também não tinha o impacto cultural adequado e estamos muito melhor com os Dias da Música? Não perdoamos, são processos de empobrecimento irreversíveis e passos atrás no panorama cultural nacional. Parece-me que o próximo salto de Mega Ferreira passa pelos Paços do Concelho.... e ele não quer dizer!
Não posso concordar com Saramago que defende a existência de um modelo único de stand como um sinal de igualitarismo (?) em oposição a uma discriminação de classes?( O que é que é isto? ) Pavilhões diferenciados promovem discriminação? Viva a liberdade de criação, viva a diferença, desde que se cumpram regras e programas com cadernos de encargos rigorosos, parece-me a interpretação mais dinossáurica e deformada dos últimos tempos, com o devido respeito ao nosso nobel. E não tenho qualquer simpatia por Paes do Amaral e a lógica empresarial do grupo Leya.
Há concerteza muita coisa errada na organização da Feira do Livro de Lisboa, muitos e obscuros negócios e guerras de poder por detrás do pano, mas por favor, não a retirem do Parque Eduardo VII, de uma das melhores vistas da cidade por entre os Jacarandás em flor, uma ocasião única em que a cidade invade o Parque, contráriamente à sua fauna habitual de prostitutas e proxenetas.
Eu adoro a Feira do Livro no Parque, as crianças podem andar à solta sem trânsito perigoso perto, as sombras são múltipas e há uma infindável oferta de bancos e relva, e laguinhos com patos e sei lá o quê! Ainda me lembro do desastre que foi o ano em que desceu até ao Terreiro do Paço, em que se torrava ao sol como em pleno deserto ou quando era feita em plena Avenida da Liberdade sempre com o trânsito a correr e a poluição a entrar-nos pelo nariz.
A relação dos lisboetas com os parques da cidade tem que ser valorizada e estimulada e este acontecimento cultural ( cultural, insisto!) da cidade não pode ser remetido para uma das suas periferias e para um espaço fechado. Não se pode continuar a esvaziar o centro da Cidade das suas fontes de vida própria. Depois das machadadas proferidas nos direitos dos cidadãos lisboetas de fruírem do Parque Eduardo VII como Clubes de acesso reservado e outros, basta!

19/05/2008

Ismael Lo - Tajabone

Voltei a ouvir esta música no CD "B.S.O Almodóvar" e não consigo parar de a ouvir.

18/05/2008

Debaixo da calçada, a praia. Sejamos realistas, exijamos o impossível.

Deixemo-nos de hipocrisias. Não é isto que todos queremos? Em 68 alguém veio para a rua gritar os sonhos de (quase) todos nós.

Foi preciso esperar 40 anos para a nossa intelizzencia conservadora vir conspurcar a herança do Maio de 68, reclamando o fracasso do movimento em termos políticos, o fim da noção tradicional de família e por aí fora, chegando mesmo a referir-se a Maio de 68 como tendo sido apenas “ uma revolta festiva” como acrescentou José Manual Fernandes no seu editorial do Público de 2 de Maio.

A herança é vasta. Enuncio aqui apenas parte do inventário do que mudou no nosso quotidiano: a democratização da pílula, o aborto livre e emancipação do segundo sexo, que até então era o fraco; aulas mistas; maioridade aos 18 anos; maior mobilidade social; reforma da escola, entre muitas outras. Maio de 68 foi e é a possibilidade de dizer “não” e “basta”.

E faço minhas as palavras de Manuel Villaverde Cabral: “A retórica espontaneísta do ‘contra’ deixou marcas profundas e a actual paisagem humana e social seria bem diferente sem ela: contra o Estado e os seus mecanismos de enquadramento; contra a família convencional e o recalcamento sexual; contra o racismo e a subordinação das mulheres e crianças; contra a escola disciplinadora e reprodutora das desigualdades; contra o trabalho penoso e o consumo alienante, etc. Tudo isto é irreversível, tendo sido absorvido e massificado até ao limite do relativismo ante a falência das crenças autoritárias. E a prova está feita. Quando Sarkozy mobilizava recentemente os conservadores com o ódio ao legado de Maio, estava a esquecer-se de que era esse legado que lhe permitia casar e descasar em directo na televisão.”

Termino com uma frase de Clarice Lispector “ A liberdade é pouco, o que desejo ainda não tem nome”.

Marta

17/05/2008

16/05/2008

Marlboro Man

É com este que nos importamos, se vai deixar de fumar, onde fuma, com quem fuma e por que fuma. O nosso Primeiro, bem que pode reservar para a intimidade os seus hábitos fumadores, ou outros, a bem da nação!
Já agora, para além das desculpas, há que pagar a multa, excepções só para o Marlboro Man.

17 e 18 de Maio - Noite e dia dos Museus

Mais um dia Internacional dos Museus a oferecer programas fantásticos com Entrada Gratuita (sempre agradável nos dias que correm) e animação garantida. Este ano, acho que vou até ao Museu do Chiado espreitar a Revolução Cinética, sempre adorei a Op Art e Vasarely, apesar de me provocar vertigens...
Festa no Museu do Chiado a partir das 18h até às 24h, no dia 17, com direito a Sarau animado pela Associação O Filho Único, O Osso Exótico de Francisco Tropa (música?), concerto de guitarra com Norberto Lobo(?) Ou será que vou espreitar o Museu Vieira da Silva? apesar de não pertencer ao I.P.M. também adere a esta iniciativa. O Museu dos Coches também tem uns programas maravilhosos, mas já sei, devem abrir esgotados...Passeio Real em Belém de Caléche? Estou mesmo a ver.
A dificuldade é a escolha, está tudo em http://www.ipmuseus.pt/

14/05/2008

Explosão de jacarandás

Já repararam como Lisboa fica tão mais bonita, em Maio?

09/05/2008

Quinta Perfeita

Um passeio de fim de tarde no Chiado já sabe tão bem!

Mas se for numa quinta feira pode ser perfeito. Podemos entrar livremente no Teatro Nacional de S. Carlos (apenas sujeito à lotação da sala) e assistir ao Ciclo de Concertos para canto e ensembles de câmara, com a participação de Instrumentistas da Orquestra Sinfónica Portuguesa. Parece-me muito tentador!
Temporada 2007/08- dias 8 e 29 de Maio e dias 19 e 26 de Junho.

O Castelo vai ser invadido!

Vamos até lá ver as modas, as tendências, as foleiradas, as novidades, quem está e quem não está, morder o ambiente, beber uns ice teas free, e se tudo isto for muito mau, refastelamo-nos com a sempre maravilhosa vista sobre Lisboa e ficamos felizes. Para os lisboetas de gema,a entrada é feita com a apresentação do B.I., para suburbanos e outra fauna, Pagas! 5euros...
Atenção Mamãs, que vai haver um MiniMix com actividades para a pequenada ( nos deixar em paz com aquilo que verdadeiramente importa, nós e os trapos!) http://mercadomundomix.sapo.pt/

08/05/2008

Feira da Ladra II

E ali estava ela, a única ponte do mundo que partindo de uma margem do rio, se desenvolvia elipticamente para regressar a ela, desprezando ALTIVAMENTE a margem oposta.
Uma pérola, um euro, um euro, meninos e meninas!