12/12/2008

Parabéns Arquitectos Portugueses - Prémio Pessoa 2008

Carrilho da Graça é o segundo arquitecto a receber o prémio Pessoa, o primeiro foi Eduardo Souto Moura em 1998, que nem por acaso faz parte do actual júri. É um prémio da dita sociedade civil, que premeia um percurso individual com contribuição relevante nas áreas artísticas, cientifícas, literárias , etc..
É merecido pelo percurso como professor ( ainda no meu tempo de Universidade Técnica no Chiado, antes de sair na "purga" do excelso Taveira, director na altura), e como arquitecto, com uma obra vasta e muito interessante, já com alguma dimensão internacional. Relembro uma divertidíssima visita de estudo a Portalegre à volta de algumas obras do Carrilho da Graça, orientada pelo arq. João Rodeia, nosso professor de Teoria da Arquitectura, em que me impressionaram bastante as piscinas municipais de Campo Maior, muito no espiríto corbusiano, emoldurando a paisagem alentejana, já lá vão quase 20 anos! Gosto muito do espaço do Pavilhão do Conhecimento dos Mares, particularmente do percurso do acesso exterior feito pela rampa encerrada no pátio quadrado, o mais recente espaço museológico do Museu do Oriente, não me convenceu particularmente, para além da cenografia dos espaços expositivos, que é feita através da manipulação em forte contraste, da luz e da sombra. Magnífica é a intervenção depurada no Palácio de Belém. Vale a pena conhecer a obra deste autor, honra seja feita também a Lisboa e aos seus arquitectos.
Já agora, um pormenor surpreendente, será que J.L.Carrilho da Graça, trabalha orgulhosamente só? É que não consigo vislumbrar uma equipa de trabalho na sua apresentação... Notável para uma obra de "autor" tão vasta! A sociedade civil espanta-se e rende a merecida homenagem!

10/12/2008

A Mãe Natureza e a ciência na hora H

E quando a médica de saúde materno-infantil, nos olha nos olhos e diz com uma expressão prenhe de significados indecifráveis... A hora aproxima-se, não é verdade? Está na sua cara!
O meu mundo tremeu! Habituada a ouvir destas, todos os dias, logo pela manhã, enquanto me passeio no mercado de rua, entre couves e flores, nabos e laranjas, carapaus e sardinhas a luzir por entre cubos de gelo a derreter.. Oh D. Sofia! Está para já! Barriga larga é rapariga, barriga prá frente é menino! Que a sua hora seja curta, e lá vem o relambório das desgraças próprias, das amigas, vizinhas e conhecidas...Tudo temperado com muita mão na ilharga, gritos, palavrões (de fazer corar as pedras da calçada!) e gargalhadas festivas!
Lembro-me logo de outras histórias divertidas, da minha mãe urbano depressiva que num acesso nostálgico de outra vida, sempre disse que uma das minhas irmãs nasceu em simultâneo com os bezerros e os cordeiros na quinta da minha avó, que é na mudança de lua, basta consultar o calendário! Do pai da criança que dando cotoveladas cúmplices à médica, me assegura que naaaaaão, que está tudo muito normal!...Claro que é nas luas, ÓBVIO! Está tudo explicado no almanaque Borda de Água....já agora!
Na verdade, por muito que me esforce por ter uma atitude racional, não consigo espreitar o calendário com as mudanças de marés e a sua influência nas luas e nos animais...o que de certa forma me encanta e assusta, Mãe sob influenza da mãe natureza! Mães, mulheres e fêmeas parindo em simultâneo no mesmo chamamento universal... Por muito assépticos que sejam os nossos hospitais e enfermarias, berçários e técnicos de saúde, por debaixo das batas e atrás da pose científica, basta procurarmos um pouco, e encontramos ares de..., calendários lunares, influências astrais, palpites e uma parafernália de delícias de outro mundo.

Ofendido ou Perplexo?

O que terá ficado a pensar o senhor que costuma estar à porta do Mc Donald`s da Av. de Roma quando o Francisco hoje, depois de lhe dar uma moedinha (que pediu insistentemente ao avô) do “alto” dos seus 7 anos lhe diz:

“-sabe, meu senhor, eu sei de uma maneira para não ter que estar aqui ao frio a pedir esmola. É ir trabalhar para ganhar o seu dinheiro.”

06/12/2008

A Metáfora da Cegueira

"Ao sair dali, seguiram-no dois cegos, gritando: «Filho de David, tem misericórdia de nós!» Ao chegar a casa, os cegos aproximaram-se dele, e Jesus disse-lhes: «Credes que tenho poder para fazer isso?» Responderam-lhe: «Cremos, Senhor!» Então, tocou-lhes nos olhos, dizendo: «Seja-vos feito segundo a vossa fé.» E os olhos abriram-se-lhes." Evangelho segundo S. Mateus 9,27-30.

Metáfora lindíssima...Ontem na missa, lembrando os 10 anos da Passagem, foi esta a leitura do Evangelho.
Na curta homília que se seguiu, o padre apenas pediu para que os nossos olhos fossem abertos e não cegos para a luz e para o bem, e convidou-nos à reflexão.

Ensaio sobre a Cegueira, Fernando Meirelles e Saramago

Fui vê-lo com o meu filho, cheia de reservas. Faz agora 10 anos que li o livro, achei-o pesado, sufocante e deprimente, com uma visão metafórica esgotante senão pretensiosa, aparte as minhas embirrações com o autor. A altura em que o li, coincidiu com um momento trágico da vida familiar, em que o sofrimento, a morte e a perda nos avassalou pela primeira vez, violentamente. O que obviamente, não favoreceu a leitura desta obra do nosso Nobel...nem a memória associada a esta data.
Na verdade, a realização de Fernando Meirelles, foi o motivo que me levou a vencer uma repugnância inicial e decidir-me ir vê-lo, perante a insistência do meu filho adolescente (?o tal nurd dos computadores?). A memória, ainda recente, da adaptação ao cinema do livro de Jonh Le Carré, de O Fiel Jardineiro, encheu-me as medidas, coisa rara neste capítulo, gosto do livro, não gosto do filme, é a regra...
Conclusão, gostei muito do filme e o nurd ficou siderado, o filme entrou directamente para o seu top five.
Nas mãos de um artista como Fernando Meirelles, a metáfora da epidemia da cegueira branca, é revelada através de imagens cruas, violentas e poéticas, coadas por uma luz branca, muito bela. Julianne Moore, que eu nunca apreciei devidamente, é aquela actriz madura que se transfigura numa mulher/anjo (em terra de cegos, quem tem olho, é rei), que assume o peso e a responsabilidade matriarcal de cuidar dos seus (os bons), e os conduzir num mundo abandonado pela civilização ( e por Deus) aos instintos mais primários da sobrevivência, a um abrigo, um porto seguro. E por aí fora, como metáfora, prefiro a de William Golding do "Deus das Moscas", também Nobel, por coincidência.
E já agora pergunto, o que é que o cinema brasileiro tem, que o nosso não tem?

02/12/2008

Kostia, Constantino Dmitrievich, Levine, o alter-ego de Tolstoi e o encontro com Deus

-As pessoas não se parecem umas com as outras, Constantino Dmitrievich. Há aqueles que que vivem para a barriga, e aqueles que pensam em Deus e na alma.
-Que queres dizer com isso?-quase gritou Levine.
- Viver para Deus, observar a sua lei. As pessoas não são iguais. Por exemplo, do seu lado também não viria mal ao pobre mundo.
-Sim, sim... até logo- balbuciou Levine, ofegando de emoção. E, voltando-se para agarrar a bengala, dirigiu-se a passos largos para casa. «Viver para a nossa alma, para Deus.» Estas palavras do camponês tinham achado eco no seu coração; e pensamentos confusos, mas que ele sentia fecundos, escapavam-se de qualquer recanto obscuro do seu ser para o deslumbrarem com com uma nova claridade.
(...) Eu e milhões de homens, no passado e no presente, tanto os pobres de espírito como os doutos que perscrutaram estas coisa e fizeram ouvir a propósito disto as suas vozes confusas, estamos de acordo sobre um ponto: que é preciso viver para o bem. O único conhecimento claro, indubitável, absoluto que temos é este; e não é pelo racíocinio que lá chegamos, porque a razão exclui-o, pois ele não tem causa nem efeito. O bem, se tivesse uma causa, deixaria de ser o bem, tal como se tivesse um efeito, por exemplo uma recompensa....Isto sei-o eu e sabemo-lo todos. Pode haver maior milagre?

28/11/2008

26/11/2008

Os Juramentos solenes e as memórias de infância

O Presidente da República avançou hoje que no encontro da noite passada com Dias Loureiro este lhe garantiu não ter cometido irregularidades nas funções empresariais que desempenhou em empresas ligadas ao grupo Banco Português de Negócios (BPN), considerando Cavaco Silva não ter qualquer razão para duvidar do conselheiro de Estado.Cavaco Silva, que falava à margem da cerimónia de inauguração da nova sede da União das Misericórdias Portuguesas, disse aos jornalistas que Dias Loureiro lhe garantiu “solenemente não ter cometido qualquer irregularidade” e que, como tal, não tem “qualquer razão para duvidar da sua palavra”. Jornal Público online
Gostaria de perceber o que é neste caso uma garantia solene... Será equivalente a um juramento solene? Com uma mão sobre o coração e outra na bandeira? Ou com a mão direita sobre os textos sagrados? Ou como o juramento solene dos escuteirinhos? Automaticamente vem-me à memória o eterno " quem mais jura é quem mais mente"...Vox populi. Ou mesmo o esquema mais básico, as figas atrás das costas.

24/11/2008

O Professor de Português

E quando o nosso filho adolescente, um autêntico ( e irritante) nurd dos computadores, nos entra em casa a falar de literatura, a pedir livros novos para ler ( os "velhos", criam pó nas estantes), a requisitar Leão Tolstoi nas (abençoadas) bibliotecas municipais, a impingir-nos textos e artigos de opinião do Jornal de Letras, entrevistas de revistas de moda? A resposta é feliz, tem um professor ( com letra maiúscula) de português, comme il faut. Quando na primeira reunião de direcção de turma, alguns pais reclamaram dos temas abordados nas aulas de português não se restringirem à área da disciplina, comecei a perceber que os sinais eram de sorte grande! Um professor fora das normas, mas que consegue cativar uma turma inteira de alunos de ciências para as letras, que põe os meninos a fazer requerimentos a solicitar que seja este professor a dar as aulas de substituição, que põe o meu filho a ter Bom com distinção, e a ler, a ler! Quase que irrita, se não fosse tão bom, anos passados a interrogar os meus botões sobre qual foi o meu erro que não consegui cativar o meu filho para a leitura, após tentar todos os métodos, inclusivamente os da ameaça, pressão psicológica, gritaria e insultos! Leitora assídua e anárquica, desde que tenho memória, filha de Pai leitor compulsivo e de Mãe bibliotecária, partilho o prazer dos livros com os meus e considero um privilégio o prazer da leitura, uma janela aberta para o mundo, uma libertação das malhas mesquinhas do quotidiano, um sem fim de viagens e possibilidades. Este professor de Português, que tivemos a sorte de topar no caminho, e que é obviamente, uma carta fora do baralho, com doutoramento feito em Itália sobre a cultura portuguesa, O mito camoneao, sob a orientação e protecção da professora Luciana Stegagno Picchio, principal especialista italiana de Estudos Portugueses e Brasileiros, deveria ser clonado e espalhado pelos liceus de Portugal. É de professores marcantes, estimulantes e originais que os nossos miúdos precisam (e os pais também). No que me toca, tenho a agradecer duplamente, estou em estado perfeito de paixão pelos amores de Anna Karenine, mais precisamente pelos amores arrebatados de Kostia, ou Levine (alter-ego de Tolstoi) e Kitty e por Anna Arcadievna e o seu Conde Alexis Vronsky! Confesso, ainda não tinha lido esta obra maravilhosa, este romance perfeito, eterno e comovente. Não sei o que teria sido melhor, lê-lo aos 15 anos em plena inocência, ou mergulhar aos 40 em plena maturidade. Obrigado prof. Henrique, o seu trabalho é muito apreciado.

20/11/2008

Estado de Choque!

Como é que uma professora do 2º ano do 1º ciclo se mostra "chocada", quando lê num bilhete/pedido de desculpa de um aluno de 7 anos, que se portou mal e não trabalhou, porque, como este se justifica (com ou sem razão) lhe "estão sempre a pedir para fazer a mesma coisa"?!!!! Será que ela olha para o aluno como para um adulto com maturidade para a avaliar ? Será que não consegue perceber a enorme distancia de tempo e experiência de vida que os separa? Será que não consegue valorizar a sinceridade pura e ingénua e identificar um pedido de ajuda?

"Fiquei muito chocada!", acabei de ouvir há minutos! A sério???

O mistério das Consciências Mortas e o nosso Inefável Governador do Banco de Portugal - Parte II

No Boletim Económico de Outono, o Banco de Portugal assinala que cada desempregado passa, em média, quase dois anos sem conseguir novo posto de trabalho. A instituição justifica o aumento do desemprego de longa duração com o que considera ser o regime “generoso” da prestação social assegurada pelo Estado. O relatório do Banco de Portugal refere ainda que há cada vez mais beneficiários do subsídio de desemprego por causa da recente legislação, que desincentiva a declaração do estatuto de inactivo. Fonte RTP1. Notícias

Como é que ainda nenhuma consciência morta do BP se lembrou, desta ideia maravilhosa, Sem subsídio de desemprego não haverá dois anos de "procura", a adaptação a qualquer trabalhinho será automática. Nós, o gigantesco exército de trabalhadores a recibos verdes subscrevemos esta ideia, Igualdade para todos, ou seja, todos sem subsídio de desemprego (ou todos com direito a subsídio de desemprego). Se passarem todos a recibos verdes, magníficos profissionais liberais, é que vai ser, acabam-se as baixas, o laxismo, o absentismo, o bla blá, a má vontade, as férias, o Natal, os trabalhadores transformam-se todos em máquinas dedicadas e solícitas. E esta sr. Governador, ainda não se tinha lembrado?
Será essa a verdadeira preocupação do Banco de Portugal? Para que serve, já agora, para regular os mercados financeiros? Para impedir as fraudes, os negócios obscuros na alta finança, para se preocupar com os desgraçados do subsídiozinho de desemprego ( que fora a nata das natas dos boys dos partidos) vivem angustiados na corda bamba? Ou não serve para nada? Se não tem meios para actuar, extinga-se. Ponto, mais uma poupança (grande) para o estado. O tempo é de crise, em crise não há lugar para a "generosidade".

13/11/2008

"PURO COMO DEUS O DEU"

Não podia deixar aqui passar esta notícia de há poucos dias! O nosso Azeite do Romeu, foi considerado o melhor azeite do mundo!

Parece tão fácil, nas palavras do João Pedro:

“A partir do nada que é a terra, e o sol e a água, que no fundo são tudo, cultivamos um produto que é muito bom, e é reconhecido nos quatro cantos do mundo, isto dá um gosto especial a toda a equipa”, afirmou aqui.

A Sociedade Agrícola Clemente Menéres foi fundada pelo meu trisavô há mais de 100 anos e mantem-se exclusivamente em toda a família até hoje, com este meu primo e actual gerente, a tratar dela com muito carinho e extrema dedicação - “Eu sou a quarta geração da família que trata da quinta, em cada ano tentamos melhorar qualquer coisa, gostamos disto, ligamo-nos às coisas, tudo isto fala comigo, as paredes, as árvores e os quadros, por saber que foi o pai, o avô ou o bisavô que fez”.

Se calhar é mesmo aí que está o maior segredo, e eu acredito que mesmo atravessando tempos difíceis, o João Pedro vai conseguir em breve, transformar o nosso vinho, no melhor vinho do mundo!

12/11/2008

O mistério das Consciências Mortas e o nosso Inabalável Governador do Banco de Portugal

Nada me pesa na consciência em termos de ter cometido qualquer acto para ter contribuído para esta situação. Afirmou ontem à noite Vítor Constâncio no Parlamento.
Onde é que eu já ouvi isto? Alguém é capaz de me explicar como se avaliam e supervisionam as consciências individuais? Ou mesmo como se verifica a existência das mesmas? Será uma questão de fé? Não pode ser ...! Porque motivo são sempre chamadas as consciências à colacção? Suspeito que são como as empregadas domésticas, têm as costas largas e são elásticas, quando existem....

10/11/2008

Espírito de Natal

Já está na hora de "encomendar" anjinhos... o meu já vem a caminho!

09/11/2008

Traição! RTP-2 e as séries em canal aberto

A propósito do Dia dos Fiéis Defuntos, no Câmara Clara na passada semana, tivemos o privilégio de ouvir o Professor Dr. Manuel Sobrinho Simões, figura absolutamente ímpar e encantadora com um discurso riquíssimo, a debruçar-se sobre o tema da morte sob a perspectiva de um patologista, e nada melhor que recorrer às nossas brilhantes séries de estimação, para iniciar a abordagem.
Sopranos (Top One, maravilha das maravilhas!),Six feet under,(Top Two em ex aequo...), Dexter, (que é feito? Segundo consta já vai na 3ª série...), este grupo numa primeira categoria de séries de qualidade, concordo em absoluto, e numa segunda categoria teríamos, CSI, Bones, Sobrenatural, etc, por aí fora. A questão é simples, Paula Moura Pinheiro mostrou-se muito orgulhosa do papel da RTP 2 em passar em horário nobre estas séries, mas na verdade é que o Inverno não tarda e ....
À segunda feira, temos Weeds, qualidade tem, mas o tema é de interesse muito, muito relativo e é preciso um certo estômago para tanta diversão! Às terças feiras, passa a vomitante repetição da mais inacreditável das séries, pretenciosa, superficial, claro que estou a falar da Anatomia de Grey, um insulto à inteligência, ainda por cima repetido...
Às quartas, o Sem Rasto em repetição de temporada, que apesar de ser uma série de qualidade, não se aguenta ver no mesmo ano o andar para trás da série, o que é que se passa?
Às quintas temos o Bones, engraçado, mas...muito básico.
Sobra-nos o serão das sextas-feiras com o Lipstick Jungle, mulheres poderosas, sofisticadas, muito sexo e alta costura, enfim, à falta de melhor para fazer, vê-se, é divertido,mas....!
Qual é o motivo de orgulho da directora de programas da RTP2, Dra. Paula Moura Pinheiro? Confesso que não entendo e me sinto completamente defraudada. Para quando a sequência do Dexter ( a segunda temporada)? Chuck? Brothers and Sisters?

05/11/2008

Parabéns Obama e América!

Parabéns América! Parabéns pela demonstração cívica, pela mobilização da sociedade que se gerou em torno de uma vontade de mudança com uma votação muitíssimo participada, quem nos dera.... O sonho americano continua vivo! Espero sinceramente que o exemplo de mudança democrática nos chegue também a nós. As expectativas são elevadíssimas, o que cinismos à parte, me provoca uma sensação de vertigem...(Eu preferia Jonh McCain, mas para mal dos meus pecados, as minhas preferências vão sempre para perdedores e causas perdidas...) Não sei se acredite mesmo, que as políticas ambientais mudem radicalmente, que a polícia do mundo se altere, se uma vez chegado ao poder, o sistema não conforme o sonho e o discurso poético à dura realidade dos lobbys e dos interesses, É preciso que algo mude, para que tudo fique na mesma? Seja como for, o futuro o dirá e depois de Bush, será sempre mais risonho.

04/11/2008

Eleições americanas

Estou a torcer por Jonh McCain, é verdade! Apesar de partilhar a alegria de ver o período Bush chegar ao fim, e de reconhecer a evidente qualidade de ambos os candidatos, receio que as elevadíssimas expectativas geradas por Barack Obama se vão revelar um flop para os que acreditam numa radical mudança na política americana, interna e externa. Irrita-me mesmo o peso dado à cor da pele nesta história. Penso mesmo que nós europeus temos muito mais a perder com os democratas no poder do que com os republicanos. Não acredito que Barack Obama já tenha ganho à partida, tenho a convicção que a sociedade americana é muito mais conservadora e opaca para nós europeus do que aparenta ser. Mas é concerteza um fenómeno fascinante a ser observado, agora e no futuro. Dê por onde der, é a História a escrever-se perante os nossos olhos. Força MCain!

Aprender a rezar na era da técnica

Mais um livrinho de capa preta e conteúdo negro, de Gonçalo M.Tavares a assombrar as minhas leituras....
"O médico na Era da técnica é encarado como um habilidoso condutor de automóveis (...). O bisturi dentro do organismo procurava reinstalar uma ordem que fora perdida. Lenz Buchmann,que nascera já com os genes dominados pela lucidez, aprendera depois pela medicina, a reservar uma certa distância em relação ao sofrimento do outro, distância essa que poderia, por outras pessoas, ser classificada de incapacidade de empatia ou mesmo de perversidade; ou podia ser simplesmente entendida como puro profissionalismo(...). Os sentimentos não devem enferrujar o bisturi(...). As ruínas são perigosas, costumava dizer Frederich Buchmann aos seus filhos Albert e e Lenz, debaixo delas algo ainda se mexe. " O médico cirurgião Dr. Lenz é uma personagem genial, sobredotada, que evoca em mim, a figura real de um médico cirurgião, que infelizmente cruzou a minha vida em duas situações extremas, e que possuindo a mestria da técnica, reservava a empatia, a compaixão, dos que se entregavam em sofrimento nas suas mãos. Sempre interpretei essa aparente frieza, como um processo de auto-defesa perante o sofrimento, como uma muralha levantada para defender o próprio do choque brutal que é o confronto com o limiar da vida e da morte, daquele que instrumento da técnica e da ciência, interfere nesse processo sem ter o poder de determinar o seu desfecho. (Filha de médico, sempre me habituei a ver e a admirar, como fundamental no processo terapêutico, a empatia, a compaixão, a compreensão do outro para além do sofrimento e no sofrimento...) Lenz, por ironia, acaba por soçobrar ao mesmo mal incapacitante que se habituou a desprezar como uma fraqueza intrínseca nos outros. Talvez Lenz não seja um Médico, mas seja antes um predador perigoso, ler com atenção o capítulo do caçador e da presa, um ser desumano, poderoso e manipulador. Talvez no fim, Gonçalo M. Tavares cumpra justiça no ciclo da natureza implacável e perversa, com a espada matas, com a espada morres...
Excelente, brutal, mas a usar ( ler) com moderação.

03/11/2008

Útil.

http://addictomatic.com/

01/11/2008

Os 3Cs

Numa altura em que se fala tanto em crise, e nas possíveis formas de a ultrapassar tirando partido das novas oportunidades que surgem, fala-se também muito em criatividade, em descobrir a forma de sairmos deste lodo.

No outro dia, retive esta frase, que faz parte do branding de uma empresa de meios à qual estamos a prestar assistência na remodelação dos seus escritórios, e fiz automaticamente a transferência para nós cá em casa, para o meu curtinho agregado familiar.
“What moves us? Curiosity, Creativity, Collaboration”
O meu filho mais velho move-se seguramente por uma enorme dose de curiosidade e alguma criatividade, mostrando no entanto alguma dificuldade em colaborar.
O mais novo é muito criativo, gosta de colaborar, mas em proporção talvez lhe falte alguma curiosidade.
Eu, bem, sou muito, mas mesmo muito curiosa, gosto de colaborar no trabalho de equipa mas às vezes sofro angústias de falta de criatividade. E, gosto de pensar que um dia vamos todos encontrar a fórmula secreta, aprender uns com os outros a misturar os ingredientes (estes que até já temos, mas também outros) na dose certa, para assim podermos atingir aquele estado que nos irá permitir realizar os sonhos e alcançar o sucesso de uma vida plena, de felicidade!