06/07/2008

Sándor Marai o escritor húngaro

Li neste fim de semana o segundo livro traduzido e publicado em Portugal por este (inexplicavelmente) desconhecido autor, Sándor Marai," A herança de Eszter". Para dizer a verdade, foi o que me pareceu menos interessante de todos. O primeiro contacto com " As velas ardem até ao fim" foi para mim o encantamento imediato. Uma profundidade de análise que nos atinge directamente na alma, o vislumbre de um mundo requintado em que os valores da alta burguesia se confrontam com o seu fim. Uma sociedade que tal como em o "Leopardo" desaba com a destruição desses valores e se extingue irreversivelmente, tragada pelos nouveau riches, pelos arrivées, pelo apelo imediato do prazer e da saciedade dos instintos. Um tempo em que a longa espera não altera os sentimentos, em que o destino e a fatalidade une e separa os personagens. Mulheres que esperam, mulheres que manipulam, paixões fatais, amizades profundas, amores idealizados, "o mundo é um teatro". Em " A mulher certa", pressente-se o reflexo autobiográfico, a construção tripartida do romance envolve-nos numa visão, primeiro fragmentada, e finalmente holística da história. Foi para mim uma descoberta que provocou o sentimento reconfortante de um reencontro, de um mundo que todos, de alguma forma, conhecemos num tempo mais longínquo e nostálgico.
"O tempo passava e a vida tornava-se cada vez mais opaca em redor de mim. Os livros acumulam-se, adensam-se. E cada livro continha uma pitada da verdade e cada recordação insinuava que é vão conhecer a verdadeira natureza das relações humanas, porque nenhum conhecimento torna uma pessoa mais sábia."
Aconselho, sem reserva, "As velas ardem até ao fim".

04/07/2008

Comemorações dos 10 anos da Ordem dos Arquitectos

O programa inicia-se com uma sessão solene no salão nobre do Instituto Superior Técnico, presidida pelo Prof. Dr. Carlos Matos Ferreira, Presidente do IST e o Arq. João Belo Rodeia, Presidente da OA . O quê? Alguém mais vê qualquer coisa de profundamente insólito nestas comemorações? Salão Nobre do Instituto Superior Técnico? Presidente do I.S.T. a presidir às comemorações dos 10 anos da O.A.? Não haverá qualquer outro salão nobre que dignifique esta data, e não seja no Técnico? Ou talvez o presidente da Ordem dos Engenheiros não estivesse disponível nesta data para partilhar também a presidência, ou alguém imagina o inverso? Presidente da Faculdade de Arquitectura de Lisboa da U.Técnica de Lisboa preside à sessão comemorativa das celebrações dos (...)enta anos da Ordem dos Engenheiros... Haja paciência, decência e respeito pelas tradições! Vão talvez firmar as posições relativamente à mudança do73/73...engenheiros e arquitectos.

28/06/2008

A Linha do Tua

Estas nossas férias anuais no Norte tiveram o seu ponto alto neste passeio que fizemos, pela primeira vez, na linha-férrea do Tua. É uma das linhas mais antigas do país, que serpenteia a encosta irregular do rio, enquanto nos desvenda as escarpas duras de pedregulhos e sobreiros, nos assusta quando parece quase rasar um precipício ou nos deixa curiosos para saber o que vamos encontrar do outro lado do túnel. Não é um percurso de exploração turística. Tivemos no entanto imensa sorte em viajar com um “cobrador” que nos ia dando pistas sobre o que íamos encontrar a seguir – “agora vai aparecer uma rocha enorme que parece um lagarto, com olho e tudo” ou “ É aqui que se pretende construir a barragem do Tua”. Este senhor, de uma simpatia assinalável interrompia sempre o papel de guia para, cada vez que chegávamos a uma estação ajudar os passageiros - quase só idosos e “da terra”- bem como a respectiva bagagem, a descer e a subir do comboio.

Não sei se vai durar muito mais tempo esta linha que, infelizmente já começou a dar mostra da sua fragilidade. E é por isso que deixo ficar a dica. Se forem de férias para o Douro ou Trás-os-Montes não deixem de fazer este passeio. É muito bonito mas poderá estar em vias de extinção!

27/06/2008

Baixa Natalidade em Portugal

8h15m da manhã, Serviço de Atendimento para Grávidas de Risco do Hospital de Stª Maria em Lisboa....Uma fila descomunal de (Pré) Mamãs em pé à espera de poder chegar ao balcão para fazer a marcação de consulta, que é feita na hora e por ordem de chegada. Excusado será dizer que o atendimento prioritário está excluído...custa muito utilizar senhas de chamada? É muito sofisticado? Ou é mesmo para testar a resistência das grávidas, para poder verificar se o risco é efectivo, ou é só para armar? Ou talvez para demover a utilização do serviço público? Uma sala de espera sem ar condicionado, sem ventilação natural, um ar irrespirável, e quando se consegue atingir o balcão são mais 4 horitas de espera até à consulta, fantástico!
Digamos que vale a pena sofrer, porque os médicos, enfermeiras e pessoal técnico são fantásticos, os nossos gestores hospitalares é que não me parecem muito brilhantes....Qualquer merceeiro ou talho de bairro, utiliza senhas de atendimento para evitar que os clientes sofram em pé à espera.

22/06/2008

Serões que não se esquecem

O da passada sexta-feira, na fantástica casa nova do Pedro e da Ana!

O fim de festa a prolongar-se pela noite dentro, ao som da viola e das vozes várias, umas timidas, outras roucas, outras firmes e muito envolventes.
Aconchegados pelas mantas e inspirados pela Lua, poderiamos ter ficado assim, eternamente...
Há muito tempo que não saboreava uma noite, assim!

fintas de domingo

Sem saber muito bem como fintei o transito e consegui chegar e sair da praia - o tempo todo "à pinha", praia e respectivo estacionamento - sem filas, sempre a andar, um descanso!

Há dias de sorte!

20/06/2008

Ciclo de cinema Italiano à BORLA

Lá para as Avenidas Novas à Avenida de Berna, temos a passar no telão, Visconti, Antonioni, Fellini...etc. A ver e rever, sempre. www.nucleodeprogramacaocinematografica.blogspot.com

18/06/2008

"Quem és tu de novo?"

Dou por mim de vez em quanto a vasculhar a herança discográfica que o Ricardo nos deixou. Vou pegando nos CDs e levando para o carro ou para o atelier, os que conheço bem e os que não me lembro sequer de alguma vez ter ouvido tocar. Foi o caso de hoje com um disco de 2001 de Jorge Palma "É Proibido Fumar". E confirmei que mais do que gostar de o ouvir (e gosto muito!), Gosto mesmo é de o lêr:

"quando a janela se fecha
e se transforma num ovo
ou se desfaz em estilhaços
de céu azul e magenta
e o meu olhar tem razões
que o coração não frequenta
por favor, diz-me quem és tu de novo?
(...)
quando o tecto se escancara
e se confunde com a lua
a apontar-me o caminho
melhor do que qualquer estrela,
ninguém me faz duvidar
que foste sempre a mais bela
por favor, diz-me que és alguém de novo"

16/06/2008

Nos passos de Magalhães

De mochila às costas, pelos caminhos mais improváveis, Gonçalo Cadilhe apresenta-nos um interessante e divertidíssimo programa ao Sábado à noite na RTP2, em horário nobre, olé!. Entre o documentário e a ficção, entre a grande história e as pequenas estórias, sempre suportado pelas intervenções por vezes sábias, outras vezes completamente lunáticas, de historiadores do cimo da cátedra ou curiosos e apaixonados, a viagem faz-se pela História, lendas e mitos da fabulosa vida de Fernão de Magalhães. Divertido, despretencioso, bem humorado, faz-nos sonhar com as viagens mais maravilhosas atrás de um mundo perdido, da Costa do Malabar, da ilha de Moçambique à Patagónia. O que é que andamos por aqui a fazer neste mundinho urbano depressivo quando o paraíso está ali à nossa beira? Já vai a meio, mas é totalmente imprescindível!

Night Watching de Greenway

Como pode um filme de Greenway passar despercebido?
A Ronda da Noite de Rembrandt constitui o eixo gerador do drama e assistimos deslumbrados ( como não?) ao apogeu e declínio de Rembrandt, da sua vida intíma com a mulher Saskia, e do enorme conjunto de mulheres, criadas, amas, que enchem a casa e a sua vida. A maior parte das cenas passam-se no espaço do atelier (palco), e à volta de uma cama/máquina imponente que centraliza a maior parte da acção. Amor, nascimento e morte, intriga, sexo e traição, a vida desenrola-se na tela moldada pelo claro-escuro do pintor em cenas cruas de uma beleza pictórica intensa. O actor principal Morgan Freeman surpreende, para quem o identifica com a Brit Com, a música minimalista de câmara transporta-nos para o séc. XVII, perfeito na composição dos cenários, nas naturezas mortas, nas jóias, no drapeado dos tecidos, nas golas armadas, ....palavras para quê? é Peter Greenway.
O filme vem classificado para maiores de doze anos, o que me parece desadequado. É, sem dúvida alguma, um filme para adultos.

15/06/2008

A Bordo

do CAMABER, dobrámos o Cabo Espichel. Foi ontem, num dia muito bem passado no mar, entre falésias majestosas e o horizonte sem fim!

11/06/2008

O Dia da Raça e as Comendas

Marques Mendes foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique pelos seus altos? serviços prestados ao país? Ou ao PSD? Não foi já recentemente agraciado pelos seus inestimáveis serviços com o alto cargo de administrador delegado de um consórcio de empresas do sector das Energias Renováveis? Se eu fosse o Sr. Alfaiate lá de cima, o Sr. Gualdino Moreira, que recebeu a medalha de Mérito Civil, tinha-me rebelado e exigido um tachinho acessório para assentar melhor a medalha ao fato.

10/06/2008

Marcha de Alfama

De manhã na fila da padaria, ouvia as comadres da Graça furiosas a refilar que é sempre a mesma coisa, "está tudo feito" para Alfama ganhar, todos os anos oiço os mesmos comentários despeitados, e fico feliz por reconhecer ainda traços genuínos nestes bairros populares. O ano passado houve mesmo insultos e estalada, e foi de novo Alfama que ganhou, já não sei se era a Cinha ou o João Baião que apadrinhavam a marcha, o que sei, é que estava linda a marcha do meu bairro, e que fazia corar de inveja as marchas de S. Vicente ( que estão logo ali acima). Pouco tempo depois de me mudar para Alfama, regressava a casa de táxi, quando o taxista, ex-morador e saudosista, feliz por voltar à "terra" me perguntou à laia de piropo, Já a convidaram, concerteza, para pertencer às Marchas? Não, mas foi um belo piropo cá do meu bairro.

05/06/2008

Cartão Selecção

Mete-me francamente nojo, a utilização da imagem da selecção nacional como isco na angariação e promoção de produtos bancários de forma encapotada. Acho mesmo revoltante, enganar o pacóvio acenando com a querida selecção, os heróis nacionais e toda a "aura" em torno deste (pobre) resto de orgulho nacional e oferecer (vender) cartõezinhos de crédito que tanto arranjo fazem nesta época de crise, para apoiar a nossa selecção!
Na verdade já quase tudo mete nojo, nesta obcecante forma de alienação social em que se transformou o futebol, pois é tal a profusão de notícias sem notícia, vácuo à volta dos jogadores e da sua vida e hábitos privados, líderes desportivos exibindo atitudes sórdidas e corruptas, que por favor, acabem com a histeria o mais rápidamente possível, percam os jogos, desapareçam, e devolvam-nos a paz e o sossego. Ou então joguem, bem, de preferência no campo, sem o circo de oportunistas do costume à volta a fazer ruído.

01/06/2008

"The Remote Viewer" de Gil Heitor Cortesão

Nas palavras de Chris Sharp ( crítico de arte norte-americano) sobre o primeiro contacto com a obra de Gil Heitor Cortesão " Mas o que mais me impressionou foi a qualidade perturbadora dos seus lugares arquitectónicos vazios e o silêncio impenetrável que encerravam. Não era tanto pelo que diziam, mas tudo o que tão articuladamente conseguiam não dizer que me chamou a atenção. Estavam repletos de uma calma assustadora."

27/05/2008

A penumbra ficava-lhe tão bem!

"Se pudesse escolher ficava na penumbra." diz P.T.P. ao Expresso.
Quem diria, por momentos pensei que as 15 páginas ocupadas por P.T.P., para além da capa, fossem publicidade paga! Mas, do mistério que interessava ao público, sobre a sua passagem meteórica e milionária pelo BCP, nem palavra. É um homem novo, revelado depois dos 47, para as Artes e para a Cultura!
Parabéns à Única do Expresso, está cada vez mais interessante, não fosse a Pluma Caprichosa!

26/05/2008

Piensa en mi - Luz Casal (Para ti Sophie)

Parabéns Sophie! Sei que não consegues ouvir, mas o que conta é a intenção... Mas é só para dizer que estou a pensar em ti.

25/05/2008

Tainted Love • She bangs - Voodoo Marmalade

Que boa surpresa, muito divertido. Obrigado e Parabéns Djomba.

Voodoo Marmalade

Retirado daqui

A montanha pariu um rato!

Quero dizer, a Leya pariu um rato!
Ontem não resisti à abertura da Feira do Livro e fui cuscar os tão polémicos pavilhões da Leya. Que decepção, afinal tanto sururu, tanto escândalo e o conjunto da Leya nem montado a horas estava. Pavilhões em construção era o que nos esperava às 17.30 da tarde, é preciso ver que a inauguração foi às 15h00.
Operários com martelos nas mãos e pregos nos dentes, estruturas em madeira e pladur e coberturas de plástico, era o que estava à vista na maior das confusões, os livros já disponíveis nas prateleiras não estavam marcados, alguns autores como a Rita Ferro e a Lídia Jorge passeavam-se com um ar muito divertido no meio do caos. Percebi o conceito de "praça", definindo uma centralidade nas Caixas registadoras (que bom gosto!), as diferentes barraquinhas permitindo o acesso livre do leitor às estantes é bastante agradável, mas o desenho dos stands pareceu-me pobre e desinteressante. Adiante! A Feira fora este lado da Leya, estava cheia e animada, apesar da chuva, prometendo um bom ano, novidades e livros do dia a chamarem por nós, o Camões do Rua Augusta estava a fazer sucesso e as farturas e churros a fazer água na boca.O nosso querido Lobo Antunes deu notícias, mas do norte, manifestando a sua repugnância pelos negócios escuros de Lisboa, nós concordamos com ele mas não dispensamos a sua presença cá pela capital.

24/05/2008

Pra rua me levar

Deixo mais uma música.

E se fosse possível?

É tão bom acreditar! Quem me dera voltar a ter 6 anos e a inocência de quem acredita que tudo é possível. Que querer é mesmo poder!

O Francisco acredita que vai passar todas as aulas de ciências, que vai ser astronauta e construir um grande foguetão que o levará às estrelas, de onde trará o Pai de volta para a nossa casa, para ao pé de nós...
Quem sou eu para lhe destruir o sonho e dizer que isso nunca vai acontecer?

Desafios da Blogosfera

A Inês Mega propôs-me o seguinte desafio:

" São-nos pedidas seis palavras para uma “muito curta” biografia (há quem opte por um conceito) e podemos dar-lhes ênfase com uma imagem. Devemos colocar um link para quem nos desafiou e por nossa vez desafiar cinco blogues, avisando-os deste mesmo convite."
À semelhança da Inês também eu me desvio ligeiramente do pedido, deixando-vos aqui o excerto de um texto que me diz muitissimo:
(…) Sei, eu sei que venho de longe e vou para longe. Sei que não estou apenas aqui mas em muito lado, sei que não vivo “apenas” o tempo que vivo. Sei que o infinitamente grande é tão infinito como o infinitamente pequeno. E sei e sei mais e muito mais. Sei que não sou excepção. Sei que sou como todos os homens Os que nasceram e morreram Os que hão-de nascer para morrer. Eu sei que entre mim e os outros há uma eterna e indissolúvel união. E que os outros precisam de mim, tanto quanto eu deles necessito. E sei que é este sabermo-nos infinitamente grandes por sermos infinitamente pequenos que constitui a paixão da vida. Eu sei, sim eu sei.(…)
“Depoimento” por Fernando Távora para uma aula na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, em 198?
Relativamente à segunda parte, desafio o Holler (o único Bloguista que nos visita que sei gostar de desafios).

23/05/2008

Já andam pelo chão...

... as flores dos jacarandás, a formar lindos tapetes violeta sobre a calçada!

Ruy D'Athouguia "Absolutamente Moderno"

Com prefácio de Eduardo de Souto Moura foi publicada uma tese de doutoramento de uma arquitecta do Porto, Graça Correia, sobre um dos mais notáveis e interessantes arquitectos do Movimento Moderno português. Souto Moura a propósito, conta uma história significativa em que pergunta a Ruy d'Athouguia a sua preferência entre as obras e os arquitectos portugueses, " A piscina de Leça do Siza Vieira... mas não percebo porque é que o Siza em pleno século XX insiste em fazer janelas!" O primado da planta livre, a anulacão das janelas através dos planos de vidro, as coberturas terraço, os pilotis, o betão aparente, etc, estão presentes em profundidade todos os princípios da carta de Atenas e do Movimento Moderno. Tenho o privilégio de trabalhar e fazer vida numa zona da cidade em que a encomenda pública a Ruy d'Athouguia foi abundante, por isso, Bairro das Estacas ( onde trabalho)Escola Teixeira de Pascoaes, Escola do Bairro de S. Miguel, Liceu Padre António Vieira, o maravilhoso Imóvel de Habitação em Alvalade (encaixado no Hotel Lutécia) a Torre do Infante que sempre foi a minha preferida em Cascais ( desde que me lembro e ignorava a autoria), Fundação Calouste Gulbenkian, Edifícios da Praça de Alvalade, etc. E maravilha das maravilhas, as habitações unifamiliares, Casa Sande e Castro, Casa Pinto Coelho ( alguém conhece? Duarte, exigo uma visita guiada! ) a descobrir e conhecer com urgência.

20/05/2008

Feira do Livro de Lisboa

Não posso concordar com António Mega Ferreira (entrevistado na Rtp2), que considera a Feira do Livro de Lisboa não como um acontecimento Cultural da cidade, mas sim comercial no essencial e que gostaria de a remeter para um espaço fechado como a FIL. A Festa da Música também não tinha o impacto cultural adequado e estamos muito melhor com os Dias da Música? Não perdoamos, são processos de empobrecimento irreversíveis e passos atrás no panorama cultural nacional. Parece-me que o próximo salto de Mega Ferreira passa pelos Paços do Concelho.... e ele não quer dizer!
Não posso concordar com Saramago que defende a existência de um modelo único de stand como um sinal de igualitarismo (?) em oposição a uma discriminação de classes?( O que é que é isto? ) Pavilhões diferenciados promovem discriminação? Viva a liberdade de criação, viva a diferença, desde que se cumpram regras e programas com cadernos de encargos rigorosos, parece-me a interpretação mais dinossáurica e deformada dos últimos tempos, com o devido respeito ao nosso nobel. E não tenho qualquer simpatia por Paes do Amaral e a lógica empresarial do grupo Leya.
Há concerteza muita coisa errada na organização da Feira do Livro de Lisboa, muitos e obscuros negócios e guerras de poder por detrás do pano, mas por favor, não a retirem do Parque Eduardo VII, de uma das melhores vistas da cidade por entre os Jacarandás em flor, uma ocasião única em que a cidade invade o Parque, contráriamente à sua fauna habitual de prostitutas e proxenetas.
Eu adoro a Feira do Livro no Parque, as crianças podem andar à solta sem trânsito perigoso perto, as sombras são múltipas e há uma infindável oferta de bancos e relva, e laguinhos com patos e sei lá o quê! Ainda me lembro do desastre que foi o ano em que desceu até ao Terreiro do Paço, em que se torrava ao sol como em pleno deserto ou quando era feita em plena Avenida da Liberdade sempre com o trânsito a correr e a poluição a entrar-nos pelo nariz.
A relação dos lisboetas com os parques da cidade tem que ser valorizada e estimulada e este acontecimento cultural ( cultural, insisto!) da cidade não pode ser remetido para uma das suas periferias e para um espaço fechado. Não se pode continuar a esvaziar o centro da Cidade das suas fontes de vida própria. Depois das machadadas proferidas nos direitos dos cidadãos lisboetas de fruírem do Parque Eduardo VII como Clubes de acesso reservado e outros, basta!

19/05/2008

Ismael Lo - Tajabone

Voltei a ouvir esta música no CD "B.S.O Almodóvar" e não consigo parar de a ouvir.

18/05/2008

Debaixo da calçada, a praia. Sejamos realistas, exijamos o impossível.

Deixemo-nos de hipocrisias. Não é isto que todos queremos? Em 68 alguém veio para a rua gritar os sonhos de (quase) todos nós.

Foi preciso esperar 40 anos para a nossa intelizzencia conservadora vir conspurcar a herança do Maio de 68, reclamando o fracasso do movimento em termos políticos, o fim da noção tradicional de família e por aí fora, chegando mesmo a referir-se a Maio de 68 como tendo sido apenas “ uma revolta festiva” como acrescentou José Manual Fernandes no seu editorial do Público de 2 de Maio.

A herança é vasta. Enuncio aqui apenas parte do inventário do que mudou no nosso quotidiano: a democratização da pílula, o aborto livre e emancipação do segundo sexo, que até então era o fraco; aulas mistas; maioridade aos 18 anos; maior mobilidade social; reforma da escola, entre muitas outras. Maio de 68 foi e é a possibilidade de dizer “não” e “basta”.

E faço minhas as palavras de Manuel Villaverde Cabral: “A retórica espontaneísta do ‘contra’ deixou marcas profundas e a actual paisagem humana e social seria bem diferente sem ela: contra o Estado e os seus mecanismos de enquadramento; contra a família convencional e o recalcamento sexual; contra o racismo e a subordinação das mulheres e crianças; contra a escola disciplinadora e reprodutora das desigualdades; contra o trabalho penoso e o consumo alienante, etc. Tudo isto é irreversível, tendo sido absorvido e massificado até ao limite do relativismo ante a falência das crenças autoritárias. E a prova está feita. Quando Sarkozy mobilizava recentemente os conservadores com o ódio ao legado de Maio, estava a esquecer-se de que era esse legado que lhe permitia casar e descasar em directo na televisão.”

Termino com uma frase de Clarice Lispector “ A liberdade é pouco, o que desejo ainda não tem nome”.

Marta

17/05/2008

16/05/2008

Marlboro Man

É com este que nos importamos, se vai deixar de fumar, onde fuma, com quem fuma e por que fuma. O nosso Primeiro, bem que pode reservar para a intimidade os seus hábitos fumadores, ou outros, a bem da nação!
Já agora, para além das desculpas, há que pagar a multa, excepções só para o Marlboro Man.

17 e 18 de Maio - Noite e dia dos Museus

Mais um dia Internacional dos Museus a oferecer programas fantásticos com Entrada Gratuita (sempre agradável nos dias que correm) e animação garantida. Este ano, acho que vou até ao Museu do Chiado espreitar a Revolução Cinética, sempre adorei a Op Art e Vasarely, apesar de me provocar vertigens...
Festa no Museu do Chiado a partir das 18h até às 24h, no dia 17, com direito a Sarau animado pela Associação O Filho Único, O Osso Exótico de Francisco Tropa (música?), concerto de guitarra com Norberto Lobo(?) Ou será que vou espreitar o Museu Vieira da Silva? apesar de não pertencer ao I.P.M. também adere a esta iniciativa. O Museu dos Coches também tem uns programas maravilhosos, mas já sei, devem abrir esgotados...Passeio Real em Belém de Caléche? Estou mesmo a ver.
A dificuldade é a escolha, está tudo em http://www.ipmuseus.pt/

14/05/2008

Explosão de jacarandás

Já repararam como Lisboa fica tão mais bonita, em Maio?

09/05/2008

Quinta Perfeita

Um passeio de fim de tarde no Chiado já sabe tão bem!

Mas se for numa quinta feira pode ser perfeito. Podemos entrar livremente no Teatro Nacional de S. Carlos (apenas sujeito à lotação da sala) e assistir ao Ciclo de Concertos para canto e ensembles de câmara, com a participação de Instrumentistas da Orquestra Sinfónica Portuguesa. Parece-me muito tentador!
Temporada 2007/08- dias 8 e 29 de Maio e dias 19 e 26 de Junho.

O Castelo vai ser invadido!

Vamos até lá ver as modas, as tendências, as foleiradas, as novidades, quem está e quem não está, morder o ambiente, beber uns ice teas free, e se tudo isto for muito mau, refastelamo-nos com a sempre maravilhosa vista sobre Lisboa e ficamos felizes. Para os lisboetas de gema,a entrada é feita com a apresentação do B.I., para suburbanos e outra fauna, Pagas! 5euros...
Atenção Mamãs, que vai haver um MiniMix com actividades para a pequenada ( nos deixar em paz com aquilo que verdadeiramente importa, nós e os trapos!) http://mercadomundomix.sapo.pt/

08/05/2008

Feira da Ladra II

E ali estava ela, a única ponte do mundo que partindo de uma margem do rio, se desenvolvia elipticamente para regressar a ela, desprezando ALTIVAMENTE a margem oposta.
Uma pérola, um euro, um euro, meninos e meninas!

07/05/2008

Há festa a Oriente

O Museu do Oriente é inaugurado oficialmente no dia 8 de Maio e vai estar aberto ao público, com entrada gratuita, nos dias 9, 10 e 11 de Maio. Entre as sugestões disponibilizadas, contam-se as exposições permanentes, com núcleos de arte chinesa, indo-portuguesa, japonesa e timorense, e a exposição temporária Máscaras da Ásia. A programação oferece-nos música, dança, teatro e cinema, para além de outras actividades lúdico-pedagógicas promovidas pelo Serviço Educativo. É possível assistir a exibições de música hindustani, goesa e chinesa, bem como a uma demonstração de danças do Rajastão. Na área do cinema, o Monstra – Festival de Animação de Lisboa, apresenta uma retrospectiva de Osamu Tezuka, um dos mais emblemáticos cineastas japoneses. A marionetista Valeria Guglietti protagoniza um espectáculo, inserido no FIMFA Lx8, no qual as sombras chinesas se cruzam com o cinema mudo, as marionetas, o humor e a música. Durante o fim-de-semana, o Serviço Educativo promove, ateliês de origami, pintura facial e ikebana. Mário Laginha inaugura a programação do Auditório ( 20 euros custam os bilhetes,.... pena que não seja gratuito...). Os visitantes do Museu do Oriente terão a oportunidade de participar em visitas guiadas às exposições permanentes e temporária, a exposição permanente, que engloba 1.400 peças alusivas à presença portuguesa na Ásia e 650 pertencentes à colecção Kwok On. A exposição temporária é dedicada às Máscaras da Ásia.
O edifício, que é lindíssimo, foi renovado pelo Carrilho da Graça, mais um bom motivo para a visita.
Museu do Oriente na Avenida Brasília - Doca de Alcântara (Norte).

04/05/2008

Procurem Maddie

Por favor, procurem a pequena Maddie, mas discretamente, não façam dela e dos seus extremosos papás abertura dos telejornais, de todos em simultâneo, porque nós todos merecemos respeito, a criança em particular. Não queremos assistir ao prolongamento desta história que em tudo parece suspeitosa e anormal. Não queremos mais lágrimas de verdade ou de crocodilo, mais exibições de dor ou de culpa. Não queremos mais assistir a fóruns com advogados em causa própria e famosos criminalistas a perorar sobre os pormenores da investigação, e acima de tudo não queremos mais ouvir o Eduardo de Sá com as suas teorias eternamente apaziguadoras. Poupem-nos e mantenham a decência, se sofrem sofram em recato, não exibam os fundos milionários ganhos à custa desta pornográfica montagem mediática, procurem-na apenas, a ela e às outras desaparecidas. E já agora aprendam que nunca, mas nunca, podem as crianças ficar sozinhas entregues a si próprias, nem que seja por um motivo tão importante como uma jantarada entre amigalhaços. Há sempre o recurso às baby sitters, expressão de origem inglesa, concerteza. Procurem Maddie, em silêncio, por favor.

Heróis por um dia ou dois

Vamos todos colaborar com este projecto solidário, eles são os nossos heróis preferidos, sem dúvida.

03/05/2008

Feng-shui a dias

Um post a não perder!

02/05/2008

1º de Maio

Dia consagrado a São José operário, figura protectora, empunhando uma açucena simbolizando a pureza nesta pintura de Josefa de Óbidos. Protecção tão necessária nestes dias que correm, em que mais parece que voltámos aos tempos da revolução industrial na perspectiva do Direito do Trabalho. Não me parece que haja sindicatos que representem a insatisfação de quem trabalha sem condições nem direitos, sindicatos que com um discurso que nos faz andar trinta anos para trás, com a murraça no ar, servem principalmente os próprios num sistema autofágico. Valha-nos São José!

28/04/2008

Wallpaper (...) the world's most exciting new architects

ARX Portugal Arquitectos representam Portugal, e bem, num directório 2007 dos " 101 of the world's most exciting new architects". E há casos bem interessantes a descobrir... os suecos Tham & Videgard Hansson, os checos A69 Architekti, os ingleses Designkommander, os irlandeses Odos Architects, e muito mais! http://www.wallpaper.com/101/architects-directory.html

24/04/2008

Ou é a Ferreira Leite

ou é o fim do PSD tal como conhecemos - com todas as suas ambiguidades mas não um partido populista.

22/04/2008

Dias da Música

Não perco os Dias da Música no C.C.B. assim como não perdia a Festa da Música. Na comparação, a versão reduzida dos Dias da Música perde claramente, perde no ambiente festivo, perde na quantidade e variedade de concertos, perde na dimensão internacional que lhe dava o estar ligada à Folle Journée de Nantes, perdem claramente os nossos músicos e nós público também. Nunca consegui perceber se foi por motivos exclusivamente orçamentais ou se foi algum excesso de protagonismo que houve este recuo na ligação a este festival magnífico e popular que abria as portas a novos públicos. Mas é assim mesmo, há que saber aproveitar o que temos à disposição! O fim-de-semana apresentou-se chuvoso e na manhã de Domingo o C.C.B. contráriamente ao que se noticiava, estava assim como que para o deserto... fez-me pena, sinceramente, avistar o Mega Ferreira deambulando pelo seu enorme salão de festas desconsoladamente quase vazio. Há que sublinhar que os Dias da Música não passam só pelas salas de concertos, há uma enorme quantidade de programas paralelos e permanentemente a acontecer em todos os espaços públicos do C.C.B.. Os pianos à disposição do público com monitores a acompanhar se necessário, estavam vazios, os grandes hall's desertos estavam. O público em massa só apareceu lá para as três da tarde. Assisti a um concerto de Beethoven pelo septeto de cordas e sopros da Divino Sospiro, orquestra barroca residente no C.C.B., bonito, celebrava-se aqui o prazer de tocar junto (tema dos Dias da Música) e esse prazer é contagiante, passa para o público. Assisti à tarde no Grande Auditório a uma exibição extraordinária da Neue Hofkapelle Munchen,orquestra de música antiga ( com um curriculum notável), acompanhada pela soprano Sunhae Im, sul coreana, com uma voz lindíssima e com uma interpretação das áreas de Haendel expressiva, passando do dramatismo à comicidade com uma enorme naturalidade e perfeição. O concerto da tarde foi brilhante, empalidecendo a apresentação da manhã, para além do coloquial prazer de tocar juntos assistimos a um desempenho de excelência, a uma orquestra formando uma máquina perfeita com o maestro, um corpo uno. Para o ano temos Bach, bom, fantástico, divino Bach. Lá estarei com a família concerteza, as saudades da Festa da Música não me impedem de apreciar as inegáveis qualidades deste acontecimento único. Bem haja C.C.B.!

18/04/2008

"downshifters"

ou...
abrandar, desacelarar, trabalhar menos, ganhar menos, VIVER MELHOR!
Este é um conceito, criado em 1994 pelo Trends Research Institute de Nova Iorque e segundo o metro (edição de terça-feira 15 de Abril) tem vindo a ganhar adeptos por todo o mundo, sobretudo nas classes médias altas, porque a ideia não é por em risco a economia familiar nem passar a viver à margem da sociedade .
Quando olho à minha volta e vejo toda a gente (incluindo eu própria) a lamentar a falta de tempo para usufruir das coisas boas da vida, a leitura deste artigo, logo cedinho pela manhã, fez-me pensar no meu próprio ritmo e no que será que eu poderei fazer para de alguma forma o conseguir abrandar...

Ter sementes é ter poder

"A estrutura do alho português é unique"
"Hoje as sociedades mais desenvolvidas do mundo são aquelas que souberam preservar esse património genético, trabalhar sobre ele e desenvolver novas variedades." Rena Martins, investigadora em genética agrícola que em 1977 deu início à criação do Banco de Germoplasma Vegetal Português.

16/04/2008

Casamento Descartável

"Recorde-se que no diploma do PS o chamado divórcio litigioso é substituído pelo divórcio sem o consentimento de um dos cônjuges. O projecto de lei introduz seis alterações fundamentais, entre as quais o fim do divórcio litigioso, o "divórcio sanção assente na culpa". Assim, e de acordo com o diploma, mantém-se o "divórcio por mútuo consentimento", mas elimina--se a necessidade de fazer uma tentativa de conciliação. Quanto ao "divórcio sem o consentimento de um dos cônjuges", prevê-se como fundamentos a separação de facto por um ano consecutivo, a alteração das faculdades mentais de um dos cônjuges, a ausência (sem que do ausente haja notícias por tempo não inferior a um ano) e "quaisquer outros factos que, independentemente da culpa dos cônjuges, mostrem a ruptura definitiva do casamento" DN
O porquê desta obsessão com a instituição do casamento, intriga-me. A necessidade que esta gente tem de alterar instituições perenes e fundamentais na estruturação da sociedade como o casamento civil ( não vamos falar do religioso, esse sim, um caso difícil! a esse não podem chegar!), deixa-me perplexa, casamentos descartáveis moldam sociedades descartáveis. Está subjacente ao casamento, um contrato livre e voluntário, na assumpção de um compromisso prenhe de direitos e deveres ( são mais os deveres), e aparte romantismos serôdios, quem não passou por um processo angustiante, no que é que eu me vou meter, na angústia do enforcamento público, na angústia que provoca o compromisso sério e para a vida, para o bem e para o mal, na alegria e na tristeza. Há hoje uma diversidade enorme de oferta de associações livres, quase para todos os gostos, o viver junto, o que se quiser, não consta que haja movimentos sociais a reclamar alterações ao regime do matrimónio.... Porquê esta ânsia? São mudanças que imprimem alterações de carácter social importantes na forma como nos relacionamos uns com os outros. Não que tenha reservas com a instituição divórcio, tenho reservas sim, com atitudes levianas e oportunistas, com o facilitismo, com o descartável. Uma sociedade cada vez mais egocêntrica, hoje sim amanhã não, angustia-me o futuro que se reserva para os nossos filhos e para nós próprios. Tão moderninho este Portugal socialista, e tão oportunista na realidade pura e dura.

15/04/2008

Les Contes d'Hoffmann de Offenbach

Ir ao Teatro Nacional S. Carlos, é para mim, reles mortal, motivo de alegria, sempre, (talvez pela raridade) mas sobretudo pela complexidade de estímulos que nos oferece um espectáculo de Ópera. Música, teatro, dança, cenários como só um teatro Nacional pode projectar, um enorme conjunto de artistas a trabalhar,sem paralelo nas Artes, para três ou quatro horas de intenso delírio dos sentidos. Não pertenço ao meio de maneira nenhuma, não sou uma iniciada, mas para a minha sensibilidade, que os reles mortais também possuem! espantem-se os críticos! ( particularmente os do Expresso), foi um bom espectáculo, não me despertou grande empatia a voz do tenor Jean-Pierre Furlan, achei-o mesmo sem brilho, cumprindo mas não convencendo,em contrapartida a mezzo-soprano Stephanie Houtzeel encantou pela belíssima presença e pela interpretação que deu à musa, a soprano Chelsey Schill provocou a absoluta hilariedade da assistência na sua interpretação da Olympia, boneca autómato, com uma voz magnífica,a soprano Maria Fontosh como Antónia, levou o o entusiasmo da plateia ao auge, e o baixo barítono Johannes von Duisburg, impressionou. Será duvidosa esta encenação de Christian von Götz? Não sei, na verdade, não tenho termos de comparação, não conhecia e gostei muitíssimo da peça. A história é verdadeiramente dramática e divertidíssima. Não será que as saudades de Pinamonti, turvam os sentidos dos nossos critícos, impedindo-os de apreciar as qualidades desta produção? Parece-me que sim, e lamento-o. Obrigado Tão!

11/04/2008

Saudades de Tony Soprano ( Câmara Clara)

Tenho que manifestar a minha indignação por ouvir a Rita Ferro, na Câmara Clara do passado Domingo, com enorme desplante, a referir o "gordo" da série dos Sopranos. Gordo? O Gordo? Está a falar do brilhante, magnífico, extraordinário Tony Soprano, Tony para o (imagino) imenso clube de fãs e admiradores, James Gandolfini que nos deslumbrou nos últimos anos com a sua composição da personagem de um chefe da máfia de New Jersey, homem sedutor, paciente complexo e angustiado sofrendo ataques de pânico, pai extremoso, marido adúltero, padrinho implacável, numa série que é já um clássico. Uma série que na verdade estava cheia de gordos, e gordas também, uma mulher gorda e obesa em particular, que protagoniza uma das guerras internas na famiglia que se arrasta por vários episódios com mortes , ódio e vinganças apenas por uma piada sobre a sua gordura!
Cuidado com as expressões quando falamos de mafiosos!

07/04/2008

Viva o Luís

que já nasceu! Parabéns aos pais, especialmente à Nossa Valente Blóquita!

Autópsia de um crime

Michael Caine e Jude Law num confronto perverso, uma proposta indecente, uma partida em três set's, uma peça em três actos encenada por Harold Pinter, num remake de um filme já com mais de trinta anos, em que os protagonistas eram Sir Laurence Olivier e o próprio Michael Caine.Não vi o primeiro, mas agradecia uma reposição urgente no Nimas, por favor! Esta versão do filme é teatro, e do melhor! Para os apreciadores, é de sublinhar como o espaço arquitectónico, uma casa de campo do séc.XVIII, renovada com modernismo e protagonizando o paradigma da Casa Inteligente, se associa à personagem do escritor revelando o seu maquiavelismo e o requinte manipulador do seu carácter. A casa constitui, para mim, uma espécie de alter-ego do personagem, um palco perfeito com as suas escadas brutalistas e fragmentadas, os espaços mutantes, os segredos, o elevador transparente e canal de passagem pleno de constrangimento e suspense sobre o passo seguinte. A lareira lindíssima, as paredes que se transformam em passe de mágica consoante a mudança de luz, adquirindo propriedades reflectoras em planos infinitos. O contraste absoluto entre o exterior e o interior. E a presença nunca revelada, a não ser indirectamente por uma fotografia e pelo telefone, do terceiro personagem, aquela que é o centro do trio amoroso.
Uma magnífica comédia negra a não perder, absolutamente.

Ressurreição

“Podiam umas centenas de milhares de seres humanos amontoados naquele espaço mutilar a terra sobre a qual se juntavam, podiam esmagar o solo com blocos de pedra para que nada germinasse, podiam arrancar as ervas que começavam a nascer, podiam encher a atmosfera com o fumo do petróleo e do carvão, podiam derrubar as árvores, afugentar os animais, amedrontar as aves, mas a Primavera, mesmo na cidade, seria sempre a Primavera.” É assim que começa este magnífico livro de Tolstoi, voltei a pegar nele este fim de semana, li este primeiro parágrafo e fiquei cheia de vontade de o reler.

06/04/2008

Feira da Ladra I

Deambular pelo Campo de Sta. Clara aos Sábados de manhã é um dos meus exercícios favoritos. Ao som do Barco Negro cantado pela Amália em altos berros descobrem-se tesouros magnificos como este que vos apresento aqui. Quatro cavalos marinhos bem discutidos por 2 euros e uma Antologia da Poesia Francesa de Georges Pompidou por outros dois euros com desconto, foram as minhas descobertas felizes. Uma fortuna!

05/04/2008

Lisboa Alternativa

Passar um serão entre os livros, jantar, beber um copo e fumar um cigarro enquanto deambula por esta casa, espreitar por uma porta e descobrir um ensaio, ouvir música ao vivo, desde a clássica, ao Jazz, à concertina (consoante a sala), servir por momentos de modelo fotográfico, dançar, surpreender-se, estranhar, descobrir (-se) um espaço na nossa cidade onde se respira cultura alternativa, experimental e não só. É na antiga Fábrica do Braço de Prata, um espaço ocupado em regime de comodato pelas livrarias Eterno Retorno e Ler Devagar. "Uma Livraria com Programa" nas palavras dos autores deste projecto, José Pinho e Nuno Nabais. Uma experiência curiosa que vale a pena viver!

31/03/2008

Ideias para o Parque Mayer

Depois do Concurso de Ideias, no qual o FRA G MENTOS alcançou um honroso 7º lugar, a Câmara Municipal de Lisboa inaugura no dia 3 de Abril a exposição de todos as propostas, apresentadas pelas 29 equipas concorrentes, a concurso. Vão ainda ser promovidos debates, abertos ao público, onde deverão ser abordadas as diversas estratégias credíveis a serem seguidas na procura da solução final que será objecto de estudo na 2º fase deste concurso.
local: Rua da Escola Politécnica, nº 58
datas : 3 de Abril a 4 de Maio
horário: terça a sexta - 10h ás 17h, sáb. e dom. - 11h às 18h
Debates: 7 e 14 de Abril às 18h

Impressionante...

a rapidez com que aprendemos a lêr! Não me lembrava que era tão rápido. O Francisco, no fim do segundo período do 1º ano não parou de me surpreender. Lê literalmente tudo o que apanha à mão. É divertido e dá tanto jeito!!!

Jean Nouvel ganha Prémio Pritzker

Lisboa aguarda com expectativa o projecto de Alcântara XXI.
Vale a pena espreitar a obra deste notável arquitecto francês em http://www.jeannouvel.com/

29/03/2008

Também eu...

Creio que independentemente do tempo, o habitar (ou a casa) ainda depende ou assenta em coisas mais ou menos prosaicas como a orientação da luz natural, a protecção ou o aconchego necessários para descansar ou dormir, o despertar perante a paisagem, o conforto indispensável para se estar bem sentado, o sentido de reunião e a magia ancestral que proporciona o fogo num fogão de sala e todas as outras coisas que não sendo visíveis, acabam por ser essenciais ao carácter que se quer atribuir a um espaço. Isto porque toda a arquitectura para que realmente o seja, é muito mais feita de ausências, renúncias ao que não é essencial, do que aquilo que é visível e que está presente. Só assim a arquitectura poderá aspirar a alcançar uma espécie de energia que a coloca entre o céu e a terra, atingindo assim a verdadeira dimensão humana.

João Álvaro Rocha

27/03/2008

Aquele Abraço!

Retrato de um abraço comovente e só possível entre dois Chefes de Estado com o passado de Portugal e Moçambique, abraço que desejamos para o conjunto das nações da CPLP. Se as nossas relações diplomáticas com África e Brasil coubessem neste abraço, o futuro apresentava-se risonho.

25/03/2008

HAPPY BIRTHDAY!

Tão Balalão
Cabeça de Cão
Orelhas de Gato
Não Tem Coração
E vai acima e Vai abaixo
Hip Hip Hurra!

20/03/2008

Há dias em que me orgulho do nosso Presidente

O Presidente da República, Cavaco Silva, declinou o convite que lhe foi dirigido pelo Comité Olímpico para estar presente na abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, em Agosto, noticiou a Rádio Renascença. Diz o Público online.
Seja por motivos de agenda, seja por que é uma pessoa íntegra e representa um povo com alma, estou orgulhosa do nosso Presidente.Um bom exemplo a seguir.

Páscoa na Sé de Lisboa

19/03/2008

Temporada de Música na Gulbenkian -I

Ontem, pela primeira vez em Lisboa, Krystian Zimerman e o seu piano brilharam na Gulbenkian. Ofereceu-nos Bach, esta "Patética" de Beethoven (aqui tocada em 2006 no Suntory Hall em Tokyo), passando por Mozart e acabando em Chopin. No final, a plateia ainda teve direito a 3 encores. Deixo-vos este video, que não substitui um concerto. É só um aperitivo que fica também como um aviso. Estejam atentos a um regresso daquele que é considerado um dos melhores pianistas do mundo, e não percam a oportunidade de assistir a um espectáculo sublime, como o de ontem!

Arranjar tempo para...

Parabéns Hot Clube!

Sessenta anos! Saudades de ir àquela cave nebulosa de fumo, muito underground, muito cool, sempre com música a acontecer, lá para a Praça da Alegria. Oh tempo, volta para trás!
Hoje às 22:00 Big Band do Hot Clube de Portugal com Mário Laginha e Maria João Concerto comemorativo dos 60 anos do HCPCinema S. Jorge Lisboa