05/06/2008

Cartão Selecção

Mete-me francamente nojo, a utilização da imagem da selecção nacional como isco na angariação e promoção de produtos bancários de forma encapotada. Acho mesmo revoltante, enganar o pacóvio acenando com a querida selecção, os heróis nacionais e toda a "aura" em torno deste (pobre) resto de orgulho nacional e oferecer (vender) cartõezinhos de crédito que tanto arranjo fazem nesta época de crise, para apoiar a nossa selecção!
Na verdade já quase tudo mete nojo, nesta obcecante forma de alienação social em que se transformou o futebol, pois é tal a profusão de notícias sem notícia, vácuo à volta dos jogadores e da sua vida e hábitos privados, líderes desportivos exibindo atitudes sórdidas e corruptas, que por favor, acabem com a histeria o mais rápidamente possível, percam os jogos, desapareçam, e devolvam-nos a paz e o sossego. Ou então joguem, bem, de preferência no campo, sem o circo de oportunistas do costume à volta a fazer ruído.

01/06/2008

"The Remote Viewer" de Gil Heitor Cortesão

Nas palavras de Chris Sharp ( crítico de arte norte-americano) sobre o primeiro contacto com a obra de Gil Heitor Cortesão " Mas o que mais me impressionou foi a qualidade perturbadora dos seus lugares arquitectónicos vazios e o silêncio impenetrável que encerravam. Não era tanto pelo que diziam, mas tudo o que tão articuladamente conseguiam não dizer que me chamou a atenção. Estavam repletos de uma calma assustadora."

27/05/2008

A penumbra ficava-lhe tão bem!

"Se pudesse escolher ficava na penumbra." diz P.T.P. ao Expresso.
Quem diria, por momentos pensei que as 15 páginas ocupadas por P.T.P., para além da capa, fossem publicidade paga! Mas, do mistério que interessava ao público, sobre a sua passagem meteórica e milionária pelo BCP, nem palavra. É um homem novo, revelado depois dos 47, para as Artes e para a Cultura!
Parabéns à Única do Expresso, está cada vez mais interessante, não fosse a Pluma Caprichosa!

26/05/2008

Piensa en mi - Luz Casal (Para ti Sophie)

Parabéns Sophie! Sei que não consegues ouvir, mas o que conta é a intenção... Mas é só para dizer que estou a pensar em ti.

25/05/2008

Tainted Love • She bangs - Voodoo Marmalade

Que boa surpresa, muito divertido. Obrigado e Parabéns Djomba.

Voodoo Marmalade

Retirado daqui

A montanha pariu um rato!

Quero dizer, a Leya pariu um rato!
Ontem não resisti à abertura da Feira do Livro e fui cuscar os tão polémicos pavilhões da Leya. Que decepção, afinal tanto sururu, tanto escândalo e o conjunto da Leya nem montado a horas estava. Pavilhões em construção era o que nos esperava às 17.30 da tarde, é preciso ver que a inauguração foi às 15h00.
Operários com martelos nas mãos e pregos nos dentes, estruturas em madeira e pladur e coberturas de plástico, era o que estava à vista na maior das confusões, os livros já disponíveis nas prateleiras não estavam marcados, alguns autores como a Rita Ferro e a Lídia Jorge passeavam-se com um ar muito divertido no meio do caos. Percebi o conceito de "praça", definindo uma centralidade nas Caixas registadoras (que bom gosto!), as diferentes barraquinhas permitindo o acesso livre do leitor às estantes é bastante agradável, mas o desenho dos stands pareceu-me pobre e desinteressante. Adiante! A Feira fora este lado da Leya, estava cheia e animada, apesar da chuva, prometendo um bom ano, novidades e livros do dia a chamarem por nós, o Camões do Rua Augusta estava a fazer sucesso e as farturas e churros a fazer água na boca.O nosso querido Lobo Antunes deu notícias, mas do norte, manifestando a sua repugnância pelos negócios escuros de Lisboa, nós concordamos com ele mas não dispensamos a sua presença cá pela capital.

24/05/2008

Pra rua me levar

Deixo mais uma música.

E se fosse possível?

É tão bom acreditar! Quem me dera voltar a ter 6 anos e a inocência de quem acredita que tudo é possível. Que querer é mesmo poder!

O Francisco acredita que vai passar todas as aulas de ciências, que vai ser astronauta e construir um grande foguetão que o levará às estrelas, de onde trará o Pai de volta para a nossa casa, para ao pé de nós...
Quem sou eu para lhe destruir o sonho e dizer que isso nunca vai acontecer?

Desafios da Blogosfera

A Inês Mega propôs-me o seguinte desafio:

" São-nos pedidas seis palavras para uma “muito curta” biografia (há quem opte por um conceito) e podemos dar-lhes ênfase com uma imagem. Devemos colocar um link para quem nos desafiou e por nossa vez desafiar cinco blogues, avisando-os deste mesmo convite."
À semelhança da Inês também eu me desvio ligeiramente do pedido, deixando-vos aqui o excerto de um texto que me diz muitissimo:
(…) Sei, eu sei que venho de longe e vou para longe. Sei que não estou apenas aqui mas em muito lado, sei que não vivo “apenas” o tempo que vivo. Sei que o infinitamente grande é tão infinito como o infinitamente pequeno. E sei e sei mais e muito mais. Sei que não sou excepção. Sei que sou como todos os homens Os que nasceram e morreram Os que hão-de nascer para morrer. Eu sei que entre mim e os outros há uma eterna e indissolúvel união. E que os outros precisam de mim, tanto quanto eu deles necessito. E sei que é este sabermo-nos infinitamente grandes por sermos infinitamente pequenos que constitui a paixão da vida. Eu sei, sim eu sei.(…)
“Depoimento” por Fernando Távora para uma aula na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, em 198?
Relativamente à segunda parte, desafio o Holler (o único Bloguista que nos visita que sei gostar de desafios).

23/05/2008

Já andam pelo chão...

... as flores dos jacarandás, a formar lindos tapetes violeta sobre a calçada!

Ruy D'Athouguia "Absolutamente Moderno"

Com prefácio de Eduardo de Souto Moura foi publicada uma tese de doutoramento de uma arquitecta do Porto, Graça Correia, sobre um dos mais notáveis e interessantes arquitectos do Movimento Moderno português. Souto Moura a propósito, conta uma história significativa em que pergunta a Ruy d'Athouguia a sua preferência entre as obras e os arquitectos portugueses, " A piscina de Leça do Siza Vieira... mas não percebo porque é que o Siza em pleno século XX insiste em fazer janelas!" O primado da planta livre, a anulacão das janelas através dos planos de vidro, as coberturas terraço, os pilotis, o betão aparente, etc, estão presentes em profundidade todos os princípios da carta de Atenas e do Movimento Moderno. Tenho o privilégio de trabalhar e fazer vida numa zona da cidade em que a encomenda pública a Ruy d'Athouguia foi abundante, por isso, Bairro das Estacas ( onde trabalho)Escola Teixeira de Pascoaes, Escola do Bairro de S. Miguel, Liceu Padre António Vieira, o maravilhoso Imóvel de Habitação em Alvalade (encaixado no Hotel Lutécia) a Torre do Infante que sempre foi a minha preferida em Cascais ( desde que me lembro e ignorava a autoria), Fundação Calouste Gulbenkian, Edifícios da Praça de Alvalade, etc. E maravilha das maravilhas, as habitações unifamiliares, Casa Sande e Castro, Casa Pinto Coelho ( alguém conhece? Duarte, exigo uma visita guiada! ) a descobrir e conhecer com urgência.

20/05/2008

Feira do Livro de Lisboa

Não posso concordar com António Mega Ferreira (entrevistado na Rtp2), que considera a Feira do Livro de Lisboa não como um acontecimento Cultural da cidade, mas sim comercial no essencial e que gostaria de a remeter para um espaço fechado como a FIL. A Festa da Música também não tinha o impacto cultural adequado e estamos muito melhor com os Dias da Música? Não perdoamos, são processos de empobrecimento irreversíveis e passos atrás no panorama cultural nacional. Parece-me que o próximo salto de Mega Ferreira passa pelos Paços do Concelho.... e ele não quer dizer!
Não posso concordar com Saramago que defende a existência de um modelo único de stand como um sinal de igualitarismo (?) em oposição a uma discriminação de classes?( O que é que é isto? ) Pavilhões diferenciados promovem discriminação? Viva a liberdade de criação, viva a diferença, desde que se cumpram regras e programas com cadernos de encargos rigorosos, parece-me a interpretação mais dinossáurica e deformada dos últimos tempos, com o devido respeito ao nosso nobel. E não tenho qualquer simpatia por Paes do Amaral e a lógica empresarial do grupo Leya.
Há concerteza muita coisa errada na organização da Feira do Livro de Lisboa, muitos e obscuros negócios e guerras de poder por detrás do pano, mas por favor, não a retirem do Parque Eduardo VII, de uma das melhores vistas da cidade por entre os Jacarandás em flor, uma ocasião única em que a cidade invade o Parque, contráriamente à sua fauna habitual de prostitutas e proxenetas.
Eu adoro a Feira do Livro no Parque, as crianças podem andar à solta sem trânsito perigoso perto, as sombras são múltipas e há uma infindável oferta de bancos e relva, e laguinhos com patos e sei lá o quê! Ainda me lembro do desastre que foi o ano em que desceu até ao Terreiro do Paço, em que se torrava ao sol como em pleno deserto ou quando era feita em plena Avenida da Liberdade sempre com o trânsito a correr e a poluição a entrar-nos pelo nariz.
A relação dos lisboetas com os parques da cidade tem que ser valorizada e estimulada e este acontecimento cultural ( cultural, insisto!) da cidade não pode ser remetido para uma das suas periferias e para um espaço fechado. Não se pode continuar a esvaziar o centro da Cidade das suas fontes de vida própria. Depois das machadadas proferidas nos direitos dos cidadãos lisboetas de fruírem do Parque Eduardo VII como Clubes de acesso reservado e outros, basta!

19/05/2008

Ismael Lo - Tajabone

Voltei a ouvir esta música no CD "B.S.O Almodóvar" e não consigo parar de a ouvir.

18/05/2008

Debaixo da calçada, a praia. Sejamos realistas, exijamos o impossível.

Deixemo-nos de hipocrisias. Não é isto que todos queremos? Em 68 alguém veio para a rua gritar os sonhos de (quase) todos nós.

Foi preciso esperar 40 anos para a nossa intelizzencia conservadora vir conspurcar a herança do Maio de 68, reclamando o fracasso do movimento em termos políticos, o fim da noção tradicional de família e por aí fora, chegando mesmo a referir-se a Maio de 68 como tendo sido apenas “ uma revolta festiva” como acrescentou José Manual Fernandes no seu editorial do Público de 2 de Maio.

A herança é vasta. Enuncio aqui apenas parte do inventário do que mudou no nosso quotidiano: a democratização da pílula, o aborto livre e emancipação do segundo sexo, que até então era o fraco; aulas mistas; maioridade aos 18 anos; maior mobilidade social; reforma da escola, entre muitas outras. Maio de 68 foi e é a possibilidade de dizer “não” e “basta”.

E faço minhas as palavras de Manuel Villaverde Cabral: “A retórica espontaneísta do ‘contra’ deixou marcas profundas e a actual paisagem humana e social seria bem diferente sem ela: contra o Estado e os seus mecanismos de enquadramento; contra a família convencional e o recalcamento sexual; contra o racismo e a subordinação das mulheres e crianças; contra a escola disciplinadora e reprodutora das desigualdades; contra o trabalho penoso e o consumo alienante, etc. Tudo isto é irreversível, tendo sido absorvido e massificado até ao limite do relativismo ante a falência das crenças autoritárias. E a prova está feita. Quando Sarkozy mobilizava recentemente os conservadores com o ódio ao legado de Maio, estava a esquecer-se de que era esse legado que lhe permitia casar e descasar em directo na televisão.”

Termino com uma frase de Clarice Lispector “ A liberdade é pouco, o que desejo ainda não tem nome”.

Marta

17/05/2008

16/05/2008

Marlboro Man

É com este que nos importamos, se vai deixar de fumar, onde fuma, com quem fuma e por que fuma. O nosso Primeiro, bem que pode reservar para a intimidade os seus hábitos fumadores, ou outros, a bem da nação!
Já agora, para além das desculpas, há que pagar a multa, excepções só para o Marlboro Man.

17 e 18 de Maio - Noite e dia dos Museus

Mais um dia Internacional dos Museus a oferecer programas fantásticos com Entrada Gratuita (sempre agradável nos dias que correm) e animação garantida. Este ano, acho que vou até ao Museu do Chiado espreitar a Revolução Cinética, sempre adorei a Op Art e Vasarely, apesar de me provocar vertigens...
Festa no Museu do Chiado a partir das 18h até às 24h, no dia 17, com direito a Sarau animado pela Associação O Filho Único, O Osso Exótico de Francisco Tropa (música?), concerto de guitarra com Norberto Lobo(?) Ou será que vou espreitar o Museu Vieira da Silva? apesar de não pertencer ao I.P.M. também adere a esta iniciativa. O Museu dos Coches também tem uns programas maravilhosos, mas já sei, devem abrir esgotados...Passeio Real em Belém de Caléche? Estou mesmo a ver.
A dificuldade é a escolha, está tudo em http://www.ipmuseus.pt/

14/05/2008

Explosão de jacarandás

Já repararam como Lisboa fica tão mais bonita, em Maio?