01/02/2008

Regicídio ou o Povo de Brandos Costumes

A maçonaria demarca-se da “romagem discreta” que um grupo de cidadãos realiza amanhã às campas dos regicidas Manuel Buíça e Alfredo Costa, no Alto de S. João. Porquê? Rejeita as ligações ao seu grupo de mão armado que era a Carbonária? Estamos a falar de homens corajosos, bravos, que morreram em defesa de causas e valores em que acreditavam, e refiro-me a ambos os lados da barricada. Buíça e Costa foram talvez tão heróis como aqueles que assassinaram. O governo proíbe a participação do Exército de participar nas cerimónias que assinalam a efeméride. Qual é a influência directa nos orgãos de Estado da Maçonaria? Parece que é imensa. Dizem....
Porquê? Foi um episódio que marcou a sangue, ferro e fogo a história de Portugal do séc. XX.
Parece que os executantes terão eles próprios sido assassinados por companheiros de luta, para impossibilitar a investigação do crime. Crime político cirúrgico, crime "perfeito". A República por estranho que pareça,ainda não está pacificada, não se deveria assinalar este dia de forma clara, aberta, honrando a memória daqueles que morreram no cumprimento dos seus deveres de Estado, e dos outros que morreram por uma causa política, não deveriam as escolas e toda a sociedade, participar nesta lição da história?

29/01/2008

O sonho de Cassandra

Vale sempre a pena ir ver um filme de Woody Allen, é diversão garantida. Este último filme da trilogia de Londres faz ligação directa com o primeiro e sublime Match Point, em versão popular ( tenho que dizer que detestei o Scoop, tanto quanto gostei do Match Point). O casting é perfeito, sempre embirrei com Colin Farrel, mas ele encarna o mecânico de automóveis, jogador inveterado, simplório, amigo do seu amigo, leal, fraco e sujeito às tentações, com enorme realismo. Reparar nas suas mãos e unhas imundas! Ewan McGregor, que está no meu top de preferências desde "Pequenos crimes entre amigos" de Danny Boyle, figura sempre irónica e mordaz, aparece-nos como o tótó acabado, figura patética, mesquinha, ambiciosa, seduzido por uma bela profissional que sabe bem o que quer, nem giro, giríssimo ele está! São estas as personagens que seduzidas por um tio, personagem maléfica, nos arrastam num thriler diabólico onde tudo pode sempre acontecer, e a verdade é que tudo pode acontecer, somos surpreendidos até ao fim, com as coincidências, com a presença da sorte e do destino que no fim conduz a história a um desenlace moral, uma blague à Woody. Muito irónico, muito giro, a ver.

27/01/2008

25/01/2008

Georges Rousse ou o poder da Ilusão na Fotografia

Está na Biblioteca das Galveias uma exposição de um fotógrafo, arquitecto, artista plástico, muito interessante. Ao mais incauto parece tudo muito simples, puro trabalho das técnicas de photoshop ou equivalente. Mas um olhar mais atento revela um complexo trabalho plástico de pintura e instalações espaciais que culmina com a fotografia. Uma espécie de trompe d'oeil invertido. Um jogo labiríntico que nos intriga e surpreende a cada trabalho, digno de um filho de Escher. Até 3 de fevereiro. Para quem quiser saber mais, vale a pena ir espreitar www.georgesrousse.com

24/01/2008

Feira da Ladra Alternativa

É um bom pretexto para uma deslocação ao bairro histórico de Alfama, à descoberta dum espaço simultaneamente belo e decadente que é a Associação Cultural Magalhães de Lima instalada na nave da dessacralizada igreja do convento do Salvador. Uma feira engraçada, cujo maior interesse reside na revelação de um edifício setecentista notável, que para quem acha graça a curiosidades alfacinhas, é utilizado pelas Marchas de Alfama para os seus ensaios. Também vende jóias e pechisbeque muito divertido.
E viva as Marchas de Alfama!

21/01/2008

Expiação

Não li o livro tido por alguns como a obra prima de Ian McEwan. Amei o filme com paixão do princípio ao fim, ao ponto de me ser difícil sair daquele envolvimento. Mesmo quando acabou.
Pode parecer demasiado forte e se calhar é. Mas foi assim.
O ambiente, a música, a fotografia, os actores. A tragédia, as vidas condenadas por um erro infantil. E a história daquela paixão, a credibilidade dos actores (fiquei fâ do James McAvoy ) e aquela intensidade crescente que supera o afastamento físico forçado.
Sei que o livro é muito mais do que isto e vou lê-lo, consciente da influência que o filme e a visão do seu realizador vai ter na minha leitura. Mas vou ler!

20/01/2008

Cenários Urbanos - I

Parque Mayer
foto de Fernando Flora - 12/2007

19/01/2008

Viva a Francisca!

E finalmente chegou este tão esperado rebento. Esse Dia Santo foi ontem. O pai diz que é linda e eu acredito mas não vou esperar muito para a ir conhecer.

Até já ...

17/01/2008

WOW e as Vespas na Publicidade

Ontem na Avenida João XXI em Lisboa o trânsito parou para vê-las passar!

São lindas as Vespas!
Poderia haver um regime de excepção para as Vespas poderem dispensar os condutores do uso de capacete.
Com Vespas e de cabelos ao vento! Já agora a ouvir Paolo Conté! Perfeito!
Eu também quero uma Vespa só para mim, acho mesmo que é o transporte ideal para nos movermos em Lisboa. Pelo menos é o mais bonito, com mais estilo. A campanha do Banif está um bocado feia, não percebo o centauro que não consegue baixar os bracinhos por causa de tanto ginásio,e a cor do senhor dos Passos é mais adequada ao período pascal... Mas a escolha do suporte é perfeita.
Look Vespas é o novo suporte publicitário lançado no mercado pela WOW - Brand Impact.

16/01/2008

Hospital da Estefânia - Petição

O hospital D. Estefânia, fundado em 1877, sonho da rainha D. Estefânia, construído pelo Rei D. Pedro V e acabado pelo Rei D. Luís foi um hospital notável para a época em toda a Europa. Os jardins do Palácio da Bemposta ainda guardam os vestígios da grandeza de outros tempos, com espécies exóticas, gaiolas de pássaros, pavões, patos, galinhas da Indía, laguinhos e percursos sinuosos, tão ao século XIX. A minha história pessoal como Mãe, está indelevelmente ligada a esta instituição notável, a este hospital pediátrico no centro de Lisboa, ao qual sempre recorri em desespero de causa e onde sempre fui muito bem servida, com mais ou menos demora. Injecções de penicilina, fisioterapia durante meses para pôr no lugar braços partidos por quedas de cavalo, dores de cabeça na infância, outites (oh quantas!), amigdalites(nem falar!), febrões com direito a banhos tépidos, alergias, sei lá o rol habitual das crianças. Encontro grandes vantagens nesta especialização dedicada às crianças, levar uma criança para um hospital central generalista é sempre um encontro com a morte que se respira por todas as paredes e corredores. Faz parte da vida, eu sei, mas parece mais doce e mais protegido levar as nossas crianças em sofrimento para espaços que estão distantes do sofrimento dos adultos, para ao pé das outras crianças, porque há sempre risos, choros de bebés e corridas pelos corredores, porque há sempre uma disposição para sorrir, porque os médicos e enfermeiras são especializados no atendimento infantil, pode haver argumentos muito socialistas, muito economicistas, muito racionais para acabar com os hospitais pediátricos, mas quando as qualidades do existente são tão evidentes, há que reflectir sériamente sobre estes passos de gigante que se tornam quase sempre irreversíveis. http://www.petitiononline.com/hde2007

14/01/2008

Casa Kike

Adorava ter esta casa para os meus livros, retirada do Bibliotecário de Babel (um excelente blogue para amantes de literatura).
Vista exterior

Vista interior

13/01/2008

Fumar...ou não fumar?

Confesso que todo este sururu à volta da proibição de fumar em locais públicos me tem passado um bocadinho ao lado. Claro que é porque sou uma daquelas fumadoras intermitentes que fuma quando lhe apetece mas é capaz de nem pensar num cigarro, dias seguidos. Assim é fácil, admito, passar ao lado. Mas há uma altura que me apetece quase sempre fumar. A seguir ao jantar e principalmente se este for fora de casa. Reside aí a justificação para a meu alívio ao folhear a Time Out desta semana e reparar que o meu querido Aya estava no primeiro nome de uma lista de restaurantes em Lisboa onde ainda se pode fumar! É que nem os take away´s substituem o prazer que eu tenho em lá ir jantar, raramente é certo, e é bom saber que estou à vontade se me apetecer acender um cigarrinho!

Museus do Século XXI

Associado à Exposição na Culturgest, está em curso um ciclo de conversas. Decorrem às 5ªs feiras, às 18h 30m no Pequeno Auditório e a entrada é gratuita*.

A primeira teve lugar no passado dia 3 e contou com a presença da historiadora de arte Raquel Henriques da Silva, do curador João Pinharanda e o Ricardo Nicolau como moderador. Assisti à parte que me foi possível e soube-me muito bem voltar a ouvir falar assim de arquitectura, e não só. Tenciono voltar já no próximo dia 17.
Para mais informação deixo-vos o link http://www.culturgest.pt/actual/conversas_msxxi.html
17 de Janeiro - O museu visto por quem o desenha - Arquitectos Aires Mateus, Pedro Pacheco, Margarida Veiga (moderadora)
24 de Janeiro - Conceito arquitectónico e conceito expositivo. Harmonia ou conflito? - João Fernandes, Jean-François Chougnet, Delfim Sardo (moderador)
31 de Janeiro - O museu visto por quem o usa - Anísio Franco, Ana Gonçalves, Sara Barriga (moderadora)
*
levantamento da senha de acesso 30 minutos antes. (máximo 2 senhas por pessoa)

11/01/2008

Comunidade

Morreu Luís Pacheco. Era talvez, uma personagem entre o provocador, o marginal e o sociopata, que nos deixou páginas mordazes e ( pelo menos ) um texto lindíssimo, "Comunidade". Passaram a propósito da sua morte, um documentário na RTP2 verdadeiramente hilariante, com episódios imperdíveis contados entre gargalhadas pelo seu editor ( da & Etc.), por Mário Soares, e outros. O texto Comunidade é de uma beleza extrema, contrariando em tudo a ideia que eu estupidamente preconcebia de que a sua obra seria marginal e a sua escrita, uma escrita "abjecta". Nunca é tarde para fazer uma descoberta como esta, Comunidade.
"Vamos na jangada. Já estamos tão habituados que nem reparamos (é mesmo assim!). Antes de nascer o bebé, o Paulo Eduardo, era pior: havia sempre o receio por esse desconhecido, cuja cara não víamos, escondida como estava na barrica barriga da mãe, e não sabíamos quem era e como era e o que queria. Talvez um inimigo. Talvez um diferente de nós. Talvez um descontente. Um intruso. Ele só dava sinais (aliás incompreensíveis, para quem não tiver grande prática), através de umas palpitações, remexidelas, cambalhotas, pontapés no escuro ( longa noite primeira, o denso mar original), cabeçadas sob a pele de tambor esticada do odre materno. Mas apareceu e já estamos mais sossegados. Não é um estranho nem um inimigo. É um bebé, apenas um bebé. Um igual a tantos, ao que já fomos, e chora e borra e mija e mama como todos os bebés. Mama como quem está a puxar a vida do corpo da mãe, vida quente e docinha, tão fácil! tão gulosa!, para dentro dele. Caga e mija como quem ri do mundo, do muito que nele há para a gente rir, misérias e tristezas, aleluias e horas de prazer, que tudo vale o mesmo e tudo é o mesmo fumo e tem o mesmo fim. Chora como quem já sabe isso." Publicado pela Perve Editora 2007

03/01/2008

Partilhar.

No jantar de Natal que habitualmente faço com amigos, decidimos, este ano, não trocar presentes mas sim partilhar qualquer coisa imaterial: uma música, uma passagem de um livro, algo que nos tivesse marcado durante o ano de 2007. E como sou uma mulher dada a partilhar, não quis deixar de o fazer convosco:

Perfilados de Medo

Perfilados de medo, agradecemos

o medo que nos salva da loucura.

Decisão e coragem valem menos

e a vida sem viver é mais segura.

Aventureiros já sem aventura,

perfilados de medo combatemos

irónicos fantasmas à procura

do que não fomos, do que não seremos.

Perfilados de medo, sem mais voz,

o coração nos dentes oprimido,

os loucos, os fantasmas somos nós.

Rebanho pelo medo perseguido,

já vivemos tão juntos e tão sós

que da vida perdemos o sentido...

de Alexandre O´Neill

Leio este poema e espero que em 2008 o medo não me iniba de enfrentar todas as mudanças que por aí vêem...

02/01/2008

Touril

Mais uma vez, passei o ano na melhor das companhias - os meus Amigos. Estes quatro ou cinco dias todos juntos, crianças incluídas, pode parecer prenúncio de grande confusão mas é para mim uma das melhores alturas do ano. É talvez um dos raros momentos em que saio da minha rotina familiar e que a partilho com os outros, e os outros neste caso são pessoas a quem dedico uma genuína amizade e por quem tenho a maior admiração. Para além do divertimento e do prazer que me dá estar com eles, é também tempo de balanço e reflexão onde tenho a oportunidade de aprender com cada um, como posso ser melhor mãe, melhor companheira, e melhor amiga. Sinto todos os anos que esta partilha me faz crescer. Mas o mais importante de tudo isto é que adoro estar com vocês. Obrigado especialmente a ti, Mikas!

Hotel Memória

Para apreciadores do género mistério, aventura ( eu faço parte do clube...), temos uma bela contribuição em português, nos passos de Paul Auster, com uma História de Nova York. Uma história bem contada, divertida, rocambolesca, capaz de nos agarrar do início até ao fim quase sem respirar. Estão lá todos os ingredientes e as referências chovem, Bartleby de Melville, Kim... homenagem ao divino Kim de Rudyard Kipling?....Ao lê-lo, recordei imediatamente o delírio Kafkiano do submundo de Nova Yorque fora de Horas de Martin Scorsese, e na minha modesta opinião, tem matéria cinéfila de sobra para um belo argumento. Gostei e aconselho.

31/12/2007

Is there anybody out there?

Lisboa esvaziou-se de nativos e está cheia de italianos e espanholitos a gozar o sol abençoado deste último dia de 2007. Que seja um BOM ANO 2008! Se é que sobrou alguém por aí......

28/12/2007

Lions for Lambs

Ou, como a qualidade de um povo não pode ser medida pelos seus líderes.... E nós portugueses sabemos bem do que é que se está a falar! Ou, de que forma o sistema democrático encerra em si preversões que mais tarde ou mais cedo o farão atraiçoar os seus melhores princípios...As relações públicas e o poder, ( ou o poder das R.P.), as secretas e o poder ( ou o poder das Informações), e o descolamento da realidade dos povos dos seus líderes.

(Que mistério encerra a geração de ouro dos anos 60 e 70, que nunca mais produziu actores bonitos e interessantes como Robert Redford!)

Jerusalém

Jerusalém e Gonçalo M. Tavares foram a minha descoberta de Natal. É um livrinho de capa preta e negro é o seu conteúdo. Negro e fascinante desde o primeiro capítulo até ao fim. Uma mulher que vê almas, um médico psiquiatra que investiga na História do Horror, ou do Horror na História, procurando aplicar o método científico ao Mal no seu estado puro exercido por um povo sobre outro povo, uma prostituta velha, um assassino, uma criança, um hospício, e muitos loucos, ou a loucura a dominar todos os personagens num ambiente quase esquizofrenizante. Não digo mais, porque é nos pormenores que chegamos ao verdadeiro busílis. A ler e descobrir.

23/12/2007

Natal na Tradição Portuguesa

O Natal na tradição portuguesa é feito em volta do Presépio e do renovar das promessas do nascimento de Cristo entre os homens. Do Menino Deus que vem com uma mensagem de Amor Fraterno resgatar a humanidade.
É um natal de gestos simples e cheios de significado profundo, começa no Advento, no dia 8 de Dezembro com a montagem do Presépio, com a benção dos meninos Jesus na missa dominical, com os cânticos lindíssimos que nos transportam à infância, com o apelo à fraternidade para com os mais desfavorecidos.
A reunião da família, a compra das prendas, ( que o menino irá trazer em paralelo com o Pai Natal...) o preparar da ceia, os doces da época, o bacalhau, a ida à missa do Galo, sempre gestos repetidos ao longo de gerações, o que nos torna fiéis depositários e transmissores dos ritos e mensagem de Natal.

O meu Natal.

O Natal para um agnóstico é sempre uma época ambígua. Às contradições vem-se juntar uma boa dose de nostalgia (do gre. nostós, “regresso” + algos, dor”). Sempre vivi o Natal como uma festa que junta a família, que nos faz pensar um pouco mais nos que nos rodeiam.Na verdade, nunca tive grande vontade de ir mais além, de procurar um significado maior para esta festa, até que…na sexta-feira passada ouvi um filósofo a explicar a origem mais remota desta festa (na “Janela Aberta”, de Ana Sousa Dias no RCP). Dizia o entrevistado que esta época, a do solstício de Inverno, era já festejada antes da existência do Natal cristão, um fenómeno que a humanidade acompanha desde sempre, uma data mágica e sagrada entre os primeiros povos. O solstício de Inverno no Hemisfério Norte é a altura do ano em que a Terra (no hemisfério norte, mais uma vez) se encontra mais longe do Sol, tendo, por essa razão, sido desde sempre associada à Morte. Afinal, essa é a altura do ano que, sendo os dias mais curtos e frios, a Terra é menos fértil e tem menos luz. A festa, naturalmente pagã, sempre se fez neste período, com o objectivo de dar Vida, de Partilhar, de dar Luz (com as iluminações e as árvores de Natal) a estes dias tão Invernosos. E assim, não procurando, acabei por encontrar o meu significado para o Natal. Prolongar a luz, dar alegria e partilhar o pouco que a terra gera, a estes dias cinzentos. É isso! Um bom Natal para todos!

21/12/2007

Bom Natal

Óbidos - Dez. 2006

Bairro do Amor III

retirado do amnesia

O Bairro do Amor II

de Olhares de Lisboa

20/12/2007

Iniciativa X

Este é o terceiro ano que vou a esta iniciativa e apesar de já ser tarde acho que ainda vale a pena divulgar. E vale a pena por dois motivos. Porque para além do conceito "jogo" engraçado e original, o objectivo da associação que a promove é contribuir para a divulgação de jovens artistas portugueses.

A Iniciativa X consiste numa venda de largas dezenas de obras, doadas por numerosos artistas, desde nomes consagrados como Julião Sarmento, Ana Hatherly, Pedro Calapez, até muitos e promissores jovens autores. Maioritariamente realizados sobre papel e com a dimensão de um postal com 10 x 15 cm, os trabalhos são vendidos por 50 € sem que o comprador tenha conhecimento do respectivo autor. Tem lugar na Arte Contempo (Rua dos Navegantes nº46 A, Lisboa), e decorre até 22 de Dezembro entre as 14H30 e as 19H30.

O Bairro do Amor I

É uma relação de amor aquela que mantenho com Campo de Ourique. Nada me dá mais prazer do que entrar em Lisboa pela fresca e tranquila rua Ferreira Borges num domingo quente de Verão, tomar o pequeno-almoço nas apertadinhas mesas da Ertilas acompanhada pelos habitués do fim-de-semana, passear pelo Jardim da Parada ou simplesmente deambular pelo comércio do bairro e cumprimentar as pessoas de sempre, o Luís da Ler, o Zé da Lavandaria, a D.Glória do quiosque dos jornais e por ai fora.

É um bairro feito de pessoas, pessoas que têm um nome e uma vida ligado ao bairro. Construído para que as pessoas se sintam bem, novos e velhos, ricos e pobres, os loucos e os mais sãos, todos eles convivem e partilham este espaço de forma muito saudável, diria mesmo feliz. MST descreveu de forma exemplar, o que me encanta em Campo de Ourique:

“Depois, as pessoas fazem o resto: andam na rua sem pressa nem atropelos, param para conversar à porta das lojas, saúdam-se nas esquinas, passeiam as crianças, os velhos ou os cães, namoram ou lêem o jornal nas esplanadas, almoçam a horas certas na sua mesa de sempre dos seus pequenos restaurantes, numa palavra, vivem a cidade, não se limitam a sofrê-la ou a passar por ela. Certamente que aqui também há gente triste, sozinha, com vidas terríveis. Mas, pelo menos, a rua não os agride: conforta-os, distrai-os e, acima de tudo, dá-lhes um sentido de pertença a uma comunidade…”.

19/12/2007

Roteiro para o Fumador

Uma grande ideia de enorme utilidade, do Daniel Oliveira, fazer um roteiro para os fumadores. Estou solidária e por isso apelo a quem tiver informação de sítios ( bares, cafés e restaurantes) onde, a partir de 1 de Janeiro, se possa fumar que envie para o Arrastão.

17/12/2007

Salão Nobre do Conservatório Nacional - Petição

Especialmente para quem como eu, guarda memórias do Bairro Alto, de dia, vadiando pelas ruas e cruzando-me com os sons por vezes desconcertantes que saíam das janelas do Conservatório, belo edifício conventual, lá para o interior do Bairro, na Rua dos Caetanos, seja sensível a esta petição. Para além do óbvio assalto a mais um equipamento notável, centro de vida de um Bairro histórico cada vez mais resignado à vida nocturna e ao abandono das funções normais da vida da cidade.
Arrisca-se agora a ser fechado, quiçá na mira da especulação imobiliária de mais um projecto luxuoso de apartamentos em condomínio, que falta de imaginação!
Pois parece que o Conservatório guarda uns tesouros artísticos do nosso património cultural, um Salão Nobre com tectos pintados por Mestre Malhoa , uma acústica única, memórias de quem por lá passou,tocou ou ouviu. Parece que a degradação do Salão nobre em particular é dramática, chove no seu interior, balcões escorados, etc.
Vamos assinar a petição cientes de que assistimos mais uma vez à destruição irreversível de um património único de valor inestimável, e que se houver muito barulho talvez acordem as consciências adormecidas. http://www.gopetition.com/online/14127.html

16/12/2007

Museus Do Século XXI - Conceitos, Projectos, Edifícios

A exposição concebida e coordenada pelo Art Centre Basel, Suíça, apresenta 27 dos mais interessantes e seminais projectos de edifícios museológicos desenhados, acabados ou em construção entre os anos 2000 e 2010. São projectos muito diversos que revelam diferentes pontos de vista sobre o conceito de museu, o papel na sociedade contemporânea e as suas traduções arquitectónicas.

Diller Scofidio + Renfro - Eyebeam Museum of Art and Technology, Nova YOrque, EUA - 2001
(construção suspensa) - simulação por computador foto do cartaz da exposição
Podem ser apreciados projectos assinados por Renzo Piano, Jean Nouvel, David Chipperfield, Zaha Hadid, Tadao Ando, entre outros. A apresentação é fabulosa com painéis e maquetas, por si só autênticas obras de arte dignas de exposição. Podem vê-la até 3 de Fevereiro na Culturgest.
Não percam!

15/12/2007

100 anos de Oscar Niemeyer II

Autodefinição
Na folha branca de papel faço o meu risco,
Retas e curvas entrelaçadas,
E prossigo atento e tudo arrisco
Na procura das formas desejadas.
São templos e palácios soltos no ar,
Pássaros alados, o que você quizer.
Mas se os olhar um pouco devagar,
Encontrará, em todos, os encantos da mulher.
Deixo de lado o sonho que sonhava.
A miséria do mundo me revolta.
Quero pouco, muito pouco, quase nada.
A arquitectura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,
A vida mais feliz, a Pátria mais amada.
Um abraço,
Oscar.
É hoje mesmo, dia 15 de Dezembro que Oscar Niemeyer celebra 100 anos de vida,Parabéns Oscar!
Para além do génio e do artista, está o homem e a sua dimensão social, e é aqui que ele ganha realmente densidade, pois o seu discurso está centrado no Outro, na luta pelos irmãos brasileiros pobres, por uma sociedade que é cada vez mais desigual, e quando o ouvimos hoje, celebrando uns magníficos 100 anos de vida ( Parabéns!), Oscar mantém o enfoque e a autencidade dos verdes anos.
No Domingo passado o Câmara Clara, debruçou-se sobre Brasília e Oscar Niemeyer, tinha por convidados Helena Roseta e Manuel Graça Dias. Falaram muito sobre a desumanização da Cidade idealizada para a dimensão automóvel, sobre os bairros periféricos paupérrimos que crescem como cidades satélites, mas perderam talvez a qualidade central do projecto, o projecto utópico de cidade do século XX realizado no Novo Mundo. Utopia social e política em construção permanente, consubstanciada em Poesia Arquitectónica, em traços e riscos que crescem em construções esculturais. A oportunidade talvez última, em que a determinação de um projecto político permitiu a um Arquitecto, conceber uma Nova Cidade Barroca, um palco do Poder Representativo.

14/12/2007

O mistério da Presença

Há contextos que te fazem mais presente. Pode ser um local, uma música ou um cheiro, mas a cumplicidade que se sente na saudade partilhada alimenta-nos. Ontem, eu sei que estiveste lá! Nos parabéns, na boa disposição, a dançar, a rir, no carinho dos abraços, nos amigos, no Amor.

12/12/2007

100 Anos de Oscar Niemeyer

"Não é o ângulo recto que me atrai Nem a linha recta, dura, inflexível criada pelo homem O que me atrai é a curva livre e sensual A curva que encontro nas montanhas do meu país No curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo O Universo curvo de Einstein." Desculpa Óscar, mas eu no texto, sustituía Einstein por Criador. Um hino à vida, à arquitectura , em que não podemos negar a evidência da criação Divina.
Casa das Canoas 1952 Rio de Janeiro

10/12/2007

O senhor Paulo

hoje surpreendeu-nos, a mim e ao Miguel. Na pastelaria da Madalena pregou-nos uma partida quando ia-mos a pagar o pequeno-almoço e percebemos que já estava pago, nos faz um aceno - lá do fundo do balcão - e nos deseja um Bom Natal, tudo isto com um sorriso divertido a transbordar de simpatia e boa disposição, logo cedo pela manha!!!

Lembrei-me que nem sequer sei o nome do seu restaurante onde às vezes também almoçamos, lá mais para o fim da rua. Nós chamamos-lhe, e pelos vistos não é à toa, " A Família Feliz".

Exit Ghost

Para os admiradores de Philip Roth, a Pluma Caprichosa de Clara Ferreira Alves, traz-nos boas e más notícias. As boas notícias é que vem aí mais um romance, Exit Ghost, as más é que não será o melhor de Roth. Na Pluma Caprichosa, adivinhamos uma forte admiradora de Roth, e por isso vale mesmo a pena ler a crítica de C.F.A. " Roth não descreve paisagens, nem pessoas. Inscreve-as na cabeça do leitor." Enquanto não chega às nossas mãos, vamos-nos preparando para ele, obrigado C.F.A.

09/12/2007

Dias Santos

Estas são só para lembrar os mais distraídos de que estes dias estão mesmo aí à porta.
Já só faltam 20 !!!
Se calhar, convém aos mais enferrujados irem
começando os exercícios de treino preparatórios...

08/12/2007

Edifício do Povo - Expo Shangai 2010

Partilho com todos este e-mail, recebido via Duarte, e que nos dá a conhecer este edifício, no meu entender um belíssimo exemplo de arquitectura conceptual.

Trata-se de um projecto de um colectivo de arquitectos e designers dinamarquês intitulado BIG. A forma peculiar deste edifício não é gratuita e comporta, na perspectiva da filosofia oriental, um simbolismo que vai para além da semelhança com o sinal caligráfico (o caracter do alfabeto chinês que significa "pessoas") com o qual se identifica.
Assim, o corpo que emerge da água é dedicado a actividades de cultura física, desportos, etc., e o corpo emergente da terra tem como destino actividades de "enriquecimento espiritual" - centro de conferências e outras. No ponto de encontro, onde o edifício se torna um só, situa-se um hotel de 1000 quartos! 250 000m2 de área construída...
http://www.youtube.com/watch?v=rdy0kamf-gY

02/12/2007

The comfort of Strangers

"Acordaram ao mesmo tempo, ou assim lhes pareceu, e permaneceram imóveis nas camas separadas. Por razões que já não conseguiam definir com clareza, Colin e Mary estavam amuados. (...) Ainda mergulhada no que restava dos seus sonhos, Mary virou-se de lado quando ele passou e fixou o olhar na parede.(...)
Mas conheciam-se um ao outro tão bem como se conheciam a si mesmos, e a sua intimidade assim à semelhança de malas em demasia, era uma preocupação constante; juntos caminhavam devagar, de uma maneira inábil, tomando lúgubres compromissos, atentos a delicadas variações de humor, desfazendo mal-entendidos. Individualmente não eram susceptíveis, mas juntos conseguiam ofender-se um ao outro de formas surpreendentes e inesperadas, o ofensor-isto tinha acontecido duas vezes desde a sua chegada- ficava irritado com a susceptibilidade excessiva do outro, e ambos continuavam a explorar becos tortuosos e praças inesperadas, imersas em silêncio.(...)
Ela amava-o, embora não nesse momento particular."
Ian McEwan 1981

01/12/2007

Este é o Mack o Super Camião dos Cars e os seus amigos, McQueen e companhia, retratados pelo Tiago, hoje.

30/11/2007

RAP na primeira pessoa.

“ No fundo cada gargalhada que a gente dá é um gargalhada contra a morte…” e “...é possível que a base do preconceito contra o riso esteja nisso, no facto de ser um momento de abandono físico...”.
São excertos da entrevista de Ricardo Araújo Pereira no suplemento Y do Público de hoje. Uma entrevista que vale a pena ler.

29/11/2007

O meu Bairro I

António Maini fotografou o meu vizinho cão.
E foi encontrado na Rua Augusta .
É um cão irritante que se entretém a pregar sustos a quem passa debaixo da janela.

Nostalgia

Está frio.

E quando começa a arrefecer lembro-me de lareiras. Do lume a crepitar, dos estalinhos, do cheiro, do fumo, do calor, do aconchego. Mas também das conversas, das gargalhadas, dos “e se fosse…” intermináveis! Daquele maravilhoso patê de atum sempre a acompanhar o gin tónico, gelado. Da permanente mesa de King lá em cima, enquanto se prepara o jantar cá em baixo.
Dos CD´s a tocar, a tocar, a tocar… e de tanto calor!

Um outro olhar III.

"Perante qualquer coisa que não é comum, que é estranha, a pessoa reage por ansiedade e recusa ou por um certo fascínio. As pessoas mais saudáveis têm o predomínio do fascínio, as pessoas mais doentes têm o predomínio do medo." António Coimbra de Matos.

27/11/2007

Roberto Mugabe...Vem!

Ele vem! Parabéns à finíssima diplomacia portuguesa!

26/11/2007

Espírito de Natal

Já começaram a vossa correria às compras de Natal? Já entraram nas lojas de brinquedos e saíram como eu, de lá a correr, com a cabeça a andar à roda, completamente baralhada com as crianças a quem este Natal vamos dar um presente, embora saibamos de antemão que se calhar elas nem vão reparar assim tanto, no meio da quantidade de embrulhos que vão abrir! Lembram-se do Natal do ano passado? Nos brinquedos guardados “…para ir abrindo ao longo do ano…”, nos repetidos para trocar… Felizmente existem Natais assim…
Mas também existem outros Natais, onde a escassez de meios revela uma realidade bem diferente! Já ouviram falar do Exército de Salvação? Entre várias iniciativas de acção social, esta organização desenvolve durante a quadra natalícia uma recolha de presentes, destinados a crianças que de outra forma não teriam nada no sapatinho. Famílias, empresas ou qualquer um de nós individualmente pode ligar para o nº de telefone: 213528137, falar com a D. Natividade e indicar quantos “anjinhos” pretende presentear este Natal. A seguir receberá 1 (ou mais) cartões, cada um devidamente personalizado com nome, idade, e pedido (1 peça de roupa e 1 brinquedo) de uma criança. No dia e hora indicada o Exército faz a recolha e entrega aos pais que assim já podem “presentear” os seus filhos. Há 3 anos que participo nesta iniciativa e fico feliz por sentir que pelo menos no dia de Natal estou a contribuir para fazer uma família, um bocadinho mais feliz!

24/11/2007

Le cool magazine

Para quem ainda não conhece, recomendo a adesão à newsletter semanal. Eu já a adoptei e não dispenso o prazer de lhe descobrir as novidades (mesmo que não faça nada com elas...), registo as pistas, divirto-me a apreciar a imagem cuidada e original, para não dizer bonita, e os textos um tanto poéticos, um tanto out, e vou ficando a par do que se vai passando pelos percursos, mais ou menos alternativos, de Lisboa. Muito cool....
"A le cool magazine é uma revista semanal grátis, que apresenta uma selecção de concertos, d.j. sets, exposições, exibições de filmes antigos, peças de teatro e uma série de outros eventos culturais e de entretenimento. A le cool é também um guia de lojas, restaurantes, bares e outros locais de ócio, sem serem necessariamente trendy, apenas com qualidade e que valham realmente a pena. Em vez de impressa, esta magazine é enviada todas as quintas por e-mail aos seus subscritores, num formato gráfico horizontal, para ser consultada página à página, como se fosse uma revista de modelo tradicional, em papel.Assine agora, é grátis e totalmente indolor! .Editado por: le cool magazine. Design de: Vasava Artworks.Programação de: yestoall e Klokie."

19/11/2007

Um espectro amoroso?....

O nosso V.P.V. entrou directamente para o primeiro lugar dos Românticos do Ano! Casar duas vezes com a mesma mulher, declarar públicamente que “A pessoa que mais me diverte é a minha mulher. ” ( ver entrevista na Única do Expresso este fim de semana). Ele não pára de nos surpreender, onde ficou o cínico , o cáustico, e o niilista Vasco Pulido Valente?
Vale sempre a pena lê-lo. Um encanto.
Fotografia de António Pedro Ferreira Entrevista de Ana Soromenho e Rui Gustavo para a Única de 17 de Novembro de 2007

Amores negados

A história de amor entre Fiamma dei Fiori e Martín Amador é como as ondas do mar. Açoita, bate, acaricia, lambe, vem e vai, num vaivém de sentimentos desencontrados que submergem o leitor na voragem das contradições sentimentais. O amor e o desamor, a rotina e a paixão, a espiritualidade e a rebeldia fazem parte da vida de Fiamma dei Fiori, uma mulher inteira e verdadeira no momento mais pleno… e mais vazio da sua vida. É uma belíssima história de amor que decorre numa cidade portuária onde o tempo parece acompanhar os desassossegos deste casal. Transbordante de vibrações de vida, procura, idealismos, sonhos possíveis e impossíveis, alegrias e solidões, até conseguir o que todos desejamos: encontrar-nos a nós mesmos. Este é um livro de Angela Becerra, comlombiana e que viveu em Barcelona muitos anos. Foi directora criativa de grandes agências de publicidade espanholas e, agora, dedica-se à escrita. Um livro que recomendo.

18/11/2007

Temporada de música na Gulbenkian

Voltei, nas duas últimas quintas-feiras com o meu pai aos concertos na Gulbenkian. Quando éramos miúdas (adolescentes) os meus pais que sempre seguiram o hábito de assistir regularmente aos concertos da temporada, compravam 3 bilhetes, e à vez, lá nos íamos revezando para os acompanhar. Esta prática, não me trouxe um maior conhecimento musical, mas deixou-me memórias que se traduzem em emoções, sensação de bem estar, amplo relaxamento e também uma boa prática de “higiene mental”. Agora voltei a sentir tudo isto outra vez. A somar ao excelente concerto de excertos de Mozart, interpretados pela Orquestra Gulbenkian a par com solistas de renome internacional, da interpretação de um Requiem de Verdi perfeitamente avassalador (coro, orquestra e solistas convidados), e de apreciar por ambas as vezes o violinista Vienense convidado, Florian Zwiauer que me prendeu a atenção a maior parte do tempo, estive sentada naquele que é para mim - e provavelmente sempre será - o mais bem desenhado auditório que conheço.

Esta sala em particular, assim como todo o edifício projectado pelos arquitectos Ruy Jervis dÁthouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa, inaugurado em 1969 e distinguido com o Prémio Valmor em 1975, reúne, na sua perfeita adequação à escala humana, relação forma/função, conforto e economia estética, o que na minha opinião, temos de melhor ao nível de património arquitectónico moderno, em Portugal .
Não é só pela música que gosto de ir até lá, mas vale a pena estar atento ao Programa.

17/11/2007

Qual é a cor do amor?

Azul , disse ele.

A peça Disco Pigs de Enda Walsh, dura apenas 60 minutos, nesse curto espaço de tempo ri e chorei, senti compaixão e admiração. Tocante e mágica, com um ritmo vertiginoso, próprio dos dias de hoje. Uma peça avassaladora emocionalmente, uma história de amor azul.

«Disco Pigs» de Enda Walsh, pelos Artistas Unidos, estará em cena na Sociedade de Construção Guilherme Cossoul até 02 de Dezembro, de quarta-feira a sábado às 21:30 e ao domingo às 17:00.

Não aconselhável a Mães e Filhas....em conjunto

Sem dúvida, reafirmo, ir com irmãs, amigas ou outras, mas deixar as Mamãs em casa. Eu fui com mãe, irmãs e enteada e foi muito forte, passa--se da dramatização do palco para a dramatização ao vivo. Um clássico do magistral Bergman, uma magnífica homenagem neste ano da sua morte, um filme belíssimo que vi há anos com uma das minhas irmãs e do qual me ficou gravado o essencial nas duas personagens centrais da peça, a Mãe Charlotte, Ingrid Bergman aqui uma fascinante Fernanda Lapa, figura gélida e melodramática, e a filha Eva, Liv Ullmann aqui uma espantosa Ana Bustorf, mulher intensa e apaixonada, que procura um reencontro com a Mãe e o seu passado. São diálogos brutais, a procura do encontro duma filha em sofrimento com uma mãe distante que vive e viveu toda a vida em fuga permanente, uma mãe que a dada altura já não sabe identificar os seus próprios sentimentos ou a veracidade das suas palavras. Uma filha que entre a revelação do ódio e o reviver do sofrimento provocado pela ausência materna, parece continuar à procura do amor e atenção da Mãe. Uma Mãe egocêntrica e fria que rejeita e despreza os laços afectivos e que se sublima através da música, da arte. É uma peça de mulheres e para mulheres. A não perder.

16/11/2007

Um outro olhar II.

Mário Ambrózio, Sem título

14/11/2007

Um outro olhar.

Francisco Pinheiro, "Inverno em Tlön"

10/11/2007

por Francisco Adónis em Outubro de 2007
Ora aqui está uma forma diferente de reproduzir a letra I, nas suas várias versões (maiuscula e minúscula, manuscrita e de imprensa).

07/11/2007

Jeux d’enfants

No Quarteto está em reposição um filme maravilhoso, comovente, de ir às lágrimas.
Jeux d’Enfants é uma viagem fantástica ao mundo mágico da Infância onde tudo parece possível, onde duas crianças se encontram no sofrimento e estabelecem um pacto simbolizado num jogo infantil de desafio mutúo, (mal traduzido para Verdade ou Consequência?...)que as vai unir para toda a vida. É uma espiral de loucuras qual a maior, até ao confronto com o Maior desafio de todos, o do amor.
L' Amour Fou.
Adorei, adorei, adorei.
Há quanto tempo não vão ao Quarteto?
Um ex-libris do Bom Cinema em Lisboa votado ao abandono e à decadência, faz pena.

05/11/2007

é dificil dizer mais

Nova Europa de Michael Palin

Ontem tive a oportunidade de viajar com Michael Palin (ex-Monty Python) por alguns dos países do leste europeu, esta descontraída e interessante viagem começou nos Alpes Julianos (Eslovénia) e terminou na Albânia, passando pela Croácia, Bósnia e Sérvia.

Uma forma de conhecer o modo de vida destes diversos países europeus, dos quais confesso conhecer tão pouco, com um óptimo guia sempre bem-humorado.

Não percam aos domingos na RTP 2 às 21h.

03/11/2007

Inacreditável?

Mas é verdade! Apareceu-me com uma lata de salsichas na mão e com um ar confiante, ofereceu-se para preparar o jantar. Pôs um avental, pediu-me ajuda para abrir a lata e combinámos que podia pôr a mesa e as salsichas num prato. De seguida eu faria o puré. Passados 2 minutos oiço: "mãe, não é preciso vires fazer o puré. Encontrei batata palha e podemos fazer de conta que é puré. Assim não é preciso acender o fogão e trato eu de tudo." Passados 5 minutos chama-me: "O jantar está na mesa. Hoje fui eu o cozinheiro e tu és a minha convidada." Na cozinha encontro a mesa posta, o jantar servido (com direito a salsichas todas cortadinhas e já no prato) e um enorme sorriso de satisfação no melhor cozinheiro com apenas 6 anos, do Mundo!

A ver

Hoje no Expresso Imobiliário, capa e artigo na pag.6, ou visualizar aqui.

A loja do Porto.

É esta.

02/11/2007

A terceira parte da colecção particular de Manuel de Brito - galerista da 111 - já está patente no Palácio dos Anjos, em Algés.

Quarto da criança e a confusão de espaços

Constantemente na minha vida deparo-me com esta realidade, muitos dos meus amigos dormem com os seus filhos no quarto, senão toda a noite pelo menos uma boa parte dela. E sempre que isto acontece sinto-me na obrigação de fazer o discurso psi e percebo que é completamente desadequado, não sei se pelo enquadramento emocional destas conversas se pela personalização da situação. Assim com o recuo que a escrita obriga e o blog cria, aqui vai um post a pensar nestas crianças:

O quarto da criança representa o espaço íntimo e privado da criança, facilita a construção de um “íntimo”, da capacidade de pensar, de expressar as emoções, de ter sonhos bons ou maus, de ter medo dos fantasmas e das bruxas mas também de vencer todos esses medos.

Este espaço é onde a criança vive o confronto com a frustração, a solidão e a angústia na noite imensa, onde se sente pequeno e indefeso. Ser capaz de elaborar estes confrontos é indispensável ao desenvolvimento de uma criança em homem ou mulher saudável. Como diria a psicanalista Teresa Ferreira “ Evitá-los à criança é amputá-la do seu maior valor interior – cortar-lhe as asas do pensar”.

01/11/2007

1 de Novembro Dia de Todos os Santos

Talvez um dos dias mais importantes no calendário litúrgico em que nos é apresentado o maior desafio da Igreja Católica, o desafio da Santidade. Santidade que nos é proposta como um caminho possível a todos os que queiram assumir plenamente o compromisso com Cristo, a imitação da Vida de Cristo e daqueles que em seu Nome, e na defesa incondicional da Fé sacrificaram tudo, inclusivamente a vida. A verdade é que o homem só se realiza plenamente na procura do Bem, e é através do Bem que procura alcançar a Felicidade. É nesta busca da Felicidade e do Bem que eu acredito que o desafio de Cristo se revela renovado nos dias de hoje, e que constitui uma opção radical e apaixonante, para Católicos e Não Católicos, contrariando esta louca sociedade de consumo e prazeres imediatos. Já não nos é exigido o auto-emolamento, o sacríficio maior da vida, a palma na mão simbolizando o Martírio, mas sim o lugar à Bondade e à Partilha com o Irmão, porque sim é verdade, somos todos irmãos e é de Valores Universais que estamos a falar. Para quem quizer e puder, estão expostas as relíquias de Santo António, São Vicente, Santa Ursúla e outros, na Sé de Lisboa, verdadeiros tesouros a não perder.