25/01/2008

Georges Rousse ou o poder da Ilusão na Fotografia

Está na Biblioteca das Galveias uma exposição de um fotógrafo, arquitecto, artista plástico, muito interessante. Ao mais incauto parece tudo muito simples, puro trabalho das técnicas de photoshop ou equivalente. Mas um olhar mais atento revela um complexo trabalho plástico de pintura e instalações espaciais que culmina com a fotografia. Uma espécie de trompe d'oeil invertido. Um jogo labiríntico que nos intriga e surpreende a cada trabalho, digno de um filho de Escher. Até 3 de fevereiro. Para quem quiser saber mais, vale a pena ir espreitar www.georgesrousse.com

24/01/2008

Feira da Ladra Alternativa

É um bom pretexto para uma deslocação ao bairro histórico de Alfama, à descoberta dum espaço simultaneamente belo e decadente que é a Associação Cultural Magalhães de Lima instalada na nave da dessacralizada igreja do convento do Salvador. Uma feira engraçada, cujo maior interesse reside na revelação de um edifício setecentista notável, que para quem acha graça a curiosidades alfacinhas, é utilizado pelas Marchas de Alfama para os seus ensaios. Também vende jóias e pechisbeque muito divertido.
E viva as Marchas de Alfama!

21/01/2008

Expiação

Não li o livro tido por alguns como a obra prima de Ian McEwan. Amei o filme com paixão do princípio ao fim, ao ponto de me ser difícil sair daquele envolvimento. Mesmo quando acabou.
Pode parecer demasiado forte e se calhar é. Mas foi assim.
O ambiente, a música, a fotografia, os actores. A tragédia, as vidas condenadas por um erro infantil. E a história daquela paixão, a credibilidade dos actores (fiquei fâ do James McAvoy ) e aquela intensidade crescente que supera o afastamento físico forçado.
Sei que o livro é muito mais do que isto e vou lê-lo, consciente da influência que o filme e a visão do seu realizador vai ter na minha leitura. Mas vou ler!

20/01/2008

Cenários Urbanos - I

Parque Mayer
foto de Fernando Flora - 12/2007

19/01/2008

Viva a Francisca!

E finalmente chegou este tão esperado rebento. Esse Dia Santo foi ontem. O pai diz que é linda e eu acredito mas não vou esperar muito para a ir conhecer.

Até já ...

17/01/2008

WOW e as Vespas na Publicidade

Ontem na Avenida João XXI em Lisboa o trânsito parou para vê-las passar!

São lindas as Vespas!
Poderia haver um regime de excepção para as Vespas poderem dispensar os condutores do uso de capacete.
Com Vespas e de cabelos ao vento! Já agora a ouvir Paolo Conté! Perfeito!
Eu também quero uma Vespa só para mim, acho mesmo que é o transporte ideal para nos movermos em Lisboa. Pelo menos é o mais bonito, com mais estilo. A campanha do Banif está um bocado feia, não percebo o centauro que não consegue baixar os bracinhos por causa de tanto ginásio,e a cor do senhor dos Passos é mais adequada ao período pascal... Mas a escolha do suporte é perfeita.
Look Vespas é o novo suporte publicitário lançado no mercado pela WOW - Brand Impact.

16/01/2008

Hospital da Estefânia - Petição

O hospital D. Estefânia, fundado em 1877, sonho da rainha D. Estefânia, construído pelo Rei D. Pedro V e acabado pelo Rei D. Luís foi um hospital notável para a época em toda a Europa. Os jardins do Palácio da Bemposta ainda guardam os vestígios da grandeza de outros tempos, com espécies exóticas, gaiolas de pássaros, pavões, patos, galinhas da Indía, laguinhos e percursos sinuosos, tão ao século XIX. A minha história pessoal como Mãe, está indelevelmente ligada a esta instituição notável, a este hospital pediátrico no centro de Lisboa, ao qual sempre recorri em desespero de causa e onde sempre fui muito bem servida, com mais ou menos demora. Injecções de penicilina, fisioterapia durante meses para pôr no lugar braços partidos por quedas de cavalo, dores de cabeça na infância, outites (oh quantas!), amigdalites(nem falar!), febrões com direito a banhos tépidos, alergias, sei lá o rol habitual das crianças. Encontro grandes vantagens nesta especialização dedicada às crianças, levar uma criança para um hospital central generalista é sempre um encontro com a morte que se respira por todas as paredes e corredores. Faz parte da vida, eu sei, mas parece mais doce e mais protegido levar as nossas crianças em sofrimento para espaços que estão distantes do sofrimento dos adultos, para ao pé das outras crianças, porque há sempre risos, choros de bebés e corridas pelos corredores, porque há sempre uma disposição para sorrir, porque os médicos e enfermeiras são especializados no atendimento infantil, pode haver argumentos muito socialistas, muito economicistas, muito racionais para acabar com os hospitais pediátricos, mas quando as qualidades do existente são tão evidentes, há que reflectir sériamente sobre estes passos de gigante que se tornam quase sempre irreversíveis. http://www.petitiononline.com/hde2007

14/01/2008

Casa Kike

Adorava ter esta casa para os meus livros, retirada do Bibliotecário de Babel (um excelente blogue para amantes de literatura).
Vista exterior

Vista interior

13/01/2008

Fumar...ou não fumar?

Confesso que todo este sururu à volta da proibição de fumar em locais públicos me tem passado um bocadinho ao lado. Claro que é porque sou uma daquelas fumadoras intermitentes que fuma quando lhe apetece mas é capaz de nem pensar num cigarro, dias seguidos. Assim é fácil, admito, passar ao lado. Mas há uma altura que me apetece quase sempre fumar. A seguir ao jantar e principalmente se este for fora de casa. Reside aí a justificação para a meu alívio ao folhear a Time Out desta semana e reparar que o meu querido Aya estava no primeiro nome de uma lista de restaurantes em Lisboa onde ainda se pode fumar! É que nem os take away´s substituem o prazer que eu tenho em lá ir jantar, raramente é certo, e é bom saber que estou à vontade se me apetecer acender um cigarrinho!

Museus do Século XXI

Associado à Exposição na Culturgest, está em curso um ciclo de conversas. Decorrem às 5ªs feiras, às 18h 30m no Pequeno Auditório e a entrada é gratuita*.

A primeira teve lugar no passado dia 3 e contou com a presença da historiadora de arte Raquel Henriques da Silva, do curador João Pinharanda e o Ricardo Nicolau como moderador. Assisti à parte que me foi possível e soube-me muito bem voltar a ouvir falar assim de arquitectura, e não só. Tenciono voltar já no próximo dia 17.
Para mais informação deixo-vos o link http://www.culturgest.pt/actual/conversas_msxxi.html
17 de Janeiro - O museu visto por quem o desenha - Arquitectos Aires Mateus, Pedro Pacheco, Margarida Veiga (moderadora)
24 de Janeiro - Conceito arquitectónico e conceito expositivo. Harmonia ou conflito? - João Fernandes, Jean-François Chougnet, Delfim Sardo (moderador)
31 de Janeiro - O museu visto por quem o usa - Anísio Franco, Ana Gonçalves, Sara Barriga (moderadora)
*
levantamento da senha de acesso 30 minutos antes. (máximo 2 senhas por pessoa)

11/01/2008

Comunidade

Morreu Luís Pacheco. Era talvez, uma personagem entre o provocador, o marginal e o sociopata, que nos deixou páginas mordazes e ( pelo menos ) um texto lindíssimo, "Comunidade". Passaram a propósito da sua morte, um documentário na RTP2 verdadeiramente hilariante, com episódios imperdíveis contados entre gargalhadas pelo seu editor ( da & Etc.), por Mário Soares, e outros. O texto Comunidade é de uma beleza extrema, contrariando em tudo a ideia que eu estupidamente preconcebia de que a sua obra seria marginal e a sua escrita, uma escrita "abjecta". Nunca é tarde para fazer uma descoberta como esta, Comunidade.
"Vamos na jangada. Já estamos tão habituados que nem reparamos (é mesmo assim!). Antes de nascer o bebé, o Paulo Eduardo, era pior: havia sempre o receio por esse desconhecido, cuja cara não víamos, escondida como estava na barrica barriga da mãe, e não sabíamos quem era e como era e o que queria. Talvez um inimigo. Talvez um diferente de nós. Talvez um descontente. Um intruso. Ele só dava sinais (aliás incompreensíveis, para quem não tiver grande prática), através de umas palpitações, remexidelas, cambalhotas, pontapés no escuro ( longa noite primeira, o denso mar original), cabeçadas sob a pele de tambor esticada do odre materno. Mas apareceu e já estamos mais sossegados. Não é um estranho nem um inimigo. É um bebé, apenas um bebé. Um igual a tantos, ao que já fomos, e chora e borra e mija e mama como todos os bebés. Mama como quem está a puxar a vida do corpo da mãe, vida quente e docinha, tão fácil! tão gulosa!, para dentro dele. Caga e mija como quem ri do mundo, do muito que nele há para a gente rir, misérias e tristezas, aleluias e horas de prazer, que tudo vale o mesmo e tudo é o mesmo fumo e tem o mesmo fim. Chora como quem já sabe isso." Publicado pela Perve Editora 2007

03/01/2008

Partilhar.

No jantar de Natal que habitualmente faço com amigos, decidimos, este ano, não trocar presentes mas sim partilhar qualquer coisa imaterial: uma música, uma passagem de um livro, algo que nos tivesse marcado durante o ano de 2007. E como sou uma mulher dada a partilhar, não quis deixar de o fazer convosco:

Perfilados de Medo

Perfilados de medo, agradecemos

o medo que nos salva da loucura.

Decisão e coragem valem menos

e a vida sem viver é mais segura.

Aventureiros já sem aventura,

perfilados de medo combatemos

irónicos fantasmas à procura

do que não fomos, do que não seremos.

Perfilados de medo, sem mais voz,

o coração nos dentes oprimido,

os loucos, os fantasmas somos nós.

Rebanho pelo medo perseguido,

já vivemos tão juntos e tão sós

que da vida perdemos o sentido...

de Alexandre O´Neill

Leio este poema e espero que em 2008 o medo não me iniba de enfrentar todas as mudanças que por aí vêem...

02/01/2008

Touril

Mais uma vez, passei o ano na melhor das companhias - os meus Amigos. Estes quatro ou cinco dias todos juntos, crianças incluídas, pode parecer prenúncio de grande confusão mas é para mim uma das melhores alturas do ano. É talvez um dos raros momentos em que saio da minha rotina familiar e que a partilho com os outros, e os outros neste caso são pessoas a quem dedico uma genuína amizade e por quem tenho a maior admiração. Para além do divertimento e do prazer que me dá estar com eles, é também tempo de balanço e reflexão onde tenho a oportunidade de aprender com cada um, como posso ser melhor mãe, melhor companheira, e melhor amiga. Sinto todos os anos que esta partilha me faz crescer. Mas o mais importante de tudo isto é que adoro estar com vocês. Obrigado especialmente a ti, Mikas!

Hotel Memória

Para apreciadores do género mistério, aventura ( eu faço parte do clube...), temos uma bela contribuição em português, nos passos de Paul Auster, com uma História de Nova York. Uma história bem contada, divertida, rocambolesca, capaz de nos agarrar do início até ao fim quase sem respirar. Estão lá todos os ingredientes e as referências chovem, Bartleby de Melville, Kim... homenagem ao divino Kim de Rudyard Kipling?....Ao lê-lo, recordei imediatamente o delírio Kafkiano do submundo de Nova Yorque fora de Horas de Martin Scorsese, e na minha modesta opinião, tem matéria cinéfila de sobra para um belo argumento. Gostei e aconselho.

31/12/2007

Is there anybody out there?

Lisboa esvaziou-se de nativos e está cheia de italianos e espanholitos a gozar o sol abençoado deste último dia de 2007. Que seja um BOM ANO 2008! Se é que sobrou alguém por aí......

28/12/2007

Lions for Lambs

Ou, como a qualidade de um povo não pode ser medida pelos seus líderes.... E nós portugueses sabemos bem do que é que se está a falar! Ou, de que forma o sistema democrático encerra em si preversões que mais tarde ou mais cedo o farão atraiçoar os seus melhores princípios...As relações públicas e o poder, ( ou o poder das R.P.), as secretas e o poder ( ou o poder das Informações), e o descolamento da realidade dos povos dos seus líderes.

(Que mistério encerra a geração de ouro dos anos 60 e 70, que nunca mais produziu actores bonitos e interessantes como Robert Redford!)

Jerusalém

Jerusalém e Gonçalo M. Tavares foram a minha descoberta de Natal. É um livrinho de capa preta e negro é o seu conteúdo. Negro e fascinante desde o primeiro capítulo até ao fim. Uma mulher que vê almas, um médico psiquiatra que investiga na História do Horror, ou do Horror na História, procurando aplicar o método científico ao Mal no seu estado puro exercido por um povo sobre outro povo, uma prostituta velha, um assassino, uma criança, um hospício, e muitos loucos, ou a loucura a dominar todos os personagens num ambiente quase esquizofrenizante. Não digo mais, porque é nos pormenores que chegamos ao verdadeiro busílis. A ler e descobrir.

23/12/2007

Natal na Tradição Portuguesa

O Natal na tradição portuguesa é feito em volta do Presépio e do renovar das promessas do nascimento de Cristo entre os homens. Do Menino Deus que vem com uma mensagem de Amor Fraterno resgatar a humanidade.
É um natal de gestos simples e cheios de significado profundo, começa no Advento, no dia 8 de Dezembro com a montagem do Presépio, com a benção dos meninos Jesus na missa dominical, com os cânticos lindíssimos que nos transportam à infância, com o apelo à fraternidade para com os mais desfavorecidos.
A reunião da família, a compra das prendas, ( que o menino irá trazer em paralelo com o Pai Natal...) o preparar da ceia, os doces da época, o bacalhau, a ida à missa do Galo, sempre gestos repetidos ao longo de gerações, o que nos torna fiéis depositários e transmissores dos ritos e mensagem de Natal.

O meu Natal.

O Natal para um agnóstico é sempre uma época ambígua. Às contradições vem-se juntar uma boa dose de nostalgia (do gre. nostós, “regresso” + algos, dor”). Sempre vivi o Natal como uma festa que junta a família, que nos faz pensar um pouco mais nos que nos rodeiam.Na verdade, nunca tive grande vontade de ir mais além, de procurar um significado maior para esta festa, até que…na sexta-feira passada ouvi um filósofo a explicar a origem mais remota desta festa (na “Janela Aberta”, de Ana Sousa Dias no RCP). Dizia o entrevistado que esta época, a do solstício de Inverno, era já festejada antes da existência do Natal cristão, um fenómeno que a humanidade acompanha desde sempre, uma data mágica e sagrada entre os primeiros povos. O solstício de Inverno no Hemisfério Norte é a altura do ano em que a Terra (no hemisfério norte, mais uma vez) se encontra mais longe do Sol, tendo, por essa razão, sido desde sempre associada à Morte. Afinal, essa é a altura do ano que, sendo os dias mais curtos e frios, a Terra é menos fértil e tem menos luz. A festa, naturalmente pagã, sempre se fez neste período, com o objectivo de dar Vida, de Partilhar, de dar Luz (com as iluminações e as árvores de Natal) a estes dias tão Invernosos. E assim, não procurando, acabei por encontrar o meu significado para o Natal. Prolongar a luz, dar alegria e partilhar o pouco que a terra gera, a estes dias cinzentos. É isso! Um bom Natal para todos!

21/12/2007

Bom Natal

Óbidos - Dez. 2006