Autodefinição
Na folha branca de papel faço o meu risco,
Retas e curvas entrelaçadas,
E prossigo atento e tudo arrisco
Na procura das formas desejadas.
São templos e palácios soltos no ar,
Pássaros alados, o que você quizer.
Mas se os olhar um pouco devagar,
Encontrará, em todos, os encantos da mulher.
Deixo de lado o sonho que sonhava.
A miséria do mundo me revolta.
Quero pouco, muito pouco, quase nada.
A arquitectura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,
A vida mais feliz, a Pátria mais amada.
Um abraço,
Oscar.
É hoje mesmo, dia 15 de Dezembro que Oscar Niemeyer celebra 100 anos de vida,Parabéns Oscar!
Para além do génio e do artista, está o homem e a sua dimensão social, e é aqui que ele ganha realmente densidade, pois o seu discurso está centrado no Outro, na luta pelos irmãos brasileiros pobres, por uma sociedade que é cada vez mais desigual, e quando o ouvimos hoje, celebrando uns magníficos 100 anos de vida ( Parabéns!), Oscar mantém o enfoque e a autencidade dos verdes anos.
No Domingo passado o Câmara Clara, debruçou-se sobre Brasília e Oscar Niemeyer, tinha por convidados Helena Roseta e Manuel Graça Dias. Falaram muito sobre a desumanização da Cidade idealizada para a dimensão automóvel, sobre os bairros periféricos paupérrimos que crescem como cidades satélites, mas perderam talvez a qualidade central do projecto, o projecto utópico de cidade do século XX realizado no Novo Mundo. Utopia social e política em construção permanente, consubstanciada em Poesia Arquitectónica, em traços e riscos que crescem em construções esculturais. A oportunidade talvez última, em que a determinação de um projecto político permitiu a um Arquitecto, conceber uma Nova Cidade Barroca, um palco do Poder Representativo.