07/09/2007

50 anos de Arte Portuguesa na Gulbenkian

Felizmente, fui ontem ver a exposição dos 50 anos de Arte Portuguesa. Quase todos com quem falei disseram-me que era fraca e pouco representativa, o que fez com que eu fosse quase que por obrigação (como poderia eu deixar passar uma retrospectiva com este nome?) e com um nível de expectativa muito baixo. Assim e apesar de tudo isto, durante a hora e meia que deambulei pela exposição senti-me feliz. Feliz por ter tido oportunidade de conhecer o Pedro Gomes, que nos seus quadros "Sem título- Série Habitar,1996" desenha com rabiscos repetidos de esferográfica, magníficas paisagens urbanas. Porque fiquei com vontade de conhecer melhor Álvaro Lapa e João Hogan. E, finalmente, porque pude VER Os Cegos de Madrid (1957) de Júlio Pomar.

04/09/2007

“UMA QUESTÃO DE ATITUDE

O blog pode ser um espelho ou uma janela. Cabe a cada um decidir o que fazer com o seu.” O título e a frase não são meus. Fiz copy /paste de outro blog que encontrei nas minhas incursões cibernéticas. Mas concordo, embora admita que tenho andado a usar este nosso espaço de ambas as formas.

Foi há 8 anos

Hoje, não quis olhar mais uma vez para as fotografias e para o vídeo. Prefiro alimentar a recordação deste dia com os meus registos internos - que no fundo são a memória e o coração - e que o passar do tempo podendo transformar, não poderá nunca apagar. Hoje, senti necessidade e os “purgar” de alguma forma, e por isso aqui estou. Estava tanto calor! Saio do carro, desemaranho o véu que voa com uma rabanada de vento e dou o braço ao meu pai que está com uma expressão radiante, de orgulho, como nunca lhe tinha visto antes. Sinto de repente um descontrole emocional que se traduz em soluços secos, enquanto avanço em passos firmes até ao Altar. Não vejo as caras que com certeza sorridentes me fitam, mas sinto uma vaidade incrível! O Ricardo está estático a olhar para mim, à minha espera. Contem uma emoção que só mais tarde vai deixar libertar. Chego ao pé dele e por fim, dou-lhe literalmente a minha mão. Ali prometemos perante Deus, a família e os nossos amigos, aquilo que entre nós já não era preciso. Acreditávamos que ficaríamos juntos ”até que a morte nos separe”. - Tu, com o cabelo todo branco, cheio de charme. Eu, uma velhota gira, magrinha e um bocadinho taralhôca… Lembro-me, entre muitas outras coisas, de chegar ao fim do dia com os músculos da cara a doer, de tanto rir. Exausta, de tanta alegria e energia transbordada. Feliz, pelo presente e ainda mais pelo futuro. E acreditem que até hoje, não tenho dúvidas que foi há 8 anos, o dia mais feliz da minha vida!

27/08/2007

Rastreio Pré Natal Bioquímico

Já quase todos nós sabemos o que é e para que serve, mas acontecimentos recentes fizeram-me ter vontade de publicar este Post. Para quem passou um pouco mais ao lado por esta experiência, deixo-vos esta informação: O RASTREIO BIOQUÍMICO baseia-se no doseamento no sangue materno de substâncias produzidas pelo feto ou pela placenta permitindo assim ter uma noção concreta da sua produção durante essa gestação. Este doseamento permite corrigir o risco de uma mulher grávida com uma determinada idade poder ter um bebé com anomalias cromossómicas. Quando realizado no primeiro trimestre da gravidez e associado ao valor da translucência da nuca fetal que é determinado na ecografia realizada entre as 11 e as 14 semanas de gestação, este rastreio permite uma taxa de detecção de anomalias cromossómicas de cerca de 90%. No entanto, deve salientar-se que este é apenas de um método de rastreio que poderá indicar, em caso de risco elevado, a realização de uma amniocentese para se realizar o diagnóstico definitivo da anomalia. Quando fiquei grávida pela 1ª vez, a minha médica obstetra indicou-me, no meio do habitual rol infindável de análises, o rastreio pré-natal. Na ignorância, fiz o teste e não pensei mais no assunto. Com a minha idade (31 anos na altura) não tinha indicação para realizar a amniocentese. Quando me deu a noticia de que o rastreio tinha dado positivo, com risco acrescido para síndrome de Down, aconselhou-me então a fazer rapidamente a amniocentese, informando-me, só nesta altura, que este rastreio era meramente indicativo de uma probabilidade e que 5% dos resultados positivos vinham a revelar-se falsos positivos. Fiquei em pânico, cheia de ansiedade causada pela dúvida sobre o que fazer. A amniocentese, como técnica invasiva que é, representa um risco de 1% de aborto, mas a ansiedade de viver mais 5/6 meses uma gravidez, a pensar que o nosso bébé teria grandes hipoteses de nascer com uma má-formação grave (ou não...) seria demasiado violento. Isto para não falar dos efeitos nefastos que uma gravidez demasiado ansiosa pode provocar na mãe e no seu bebé. Sem grandes opções decidimo-nos pela amniocentese que felizmente correu bem e esperei ansiosa apenas até ao dia em que recebi o tão esperado telefonema a dar-me desta vez a feliz noticia de que esperava um rapaz saudável. Eu não tenho nada contra exames, análises, o que for necessário para ajudar a diagnosticar uma patologia e/ou estudar a sua cura. Do mesmo modo não condeno os pais que conscientes do risco, optam por fazer uma amniocentese no inicio da gravidez. Relativamente a este tipo de rastreios, que ainda dão tantos falsos positivos, ainda por cima para uma percentagem reduzida de má-formações, que não permitem que nenhum tipo de intervenção precoce as cure, acho que os pais têm o direito de ser informados da natureza dos exames a que se sujeitam e possiveis implicações (neste caso para obter a sua confirmação, o recurso a um método com risco de morte fetal), para que em consciência e dentro das suas convicções, possam fazer a sua opção. Na 2ª gravidez, e já devidamente esclarecida, fui eu que disse que não queria fazer o rastreio pré-natal embora não tenha prescindido de nenhuma consulta de rotina, exames e análises reveladores do meu estado de saúde e do do meu bebé. Não vi ansiedades nem dúvidas, não passei por momentos de remorsos, e tive felizmente mais um filho saudável.

23/08/2007

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Há duas coisas que me têm estado a intrigar neste meses de verão. A primeira é que apesar de estarmos quase a chegar ao fim do mês de Agosto, tirando 2 ou três dias e outras tantas noites mais quentes, o Verão e o tão falado Aquecimento Global parecem ter resolvido virar as costas ao nosso país. A segunda é que apesar da cidade já estar cheia de gente, carros, transito, barulhos, confusão nos estacionamentos, filas no supermercado, o metro cheio, etc. quase todos os meus amigos e família ainda estão fora de Lisboa, e quase todas as pessoas que por uma qualquer razão eu preciso comunicar (médicos por ex.) e ou estabelecimentos que normalmente frequento (pastelarias, restaurantes, a minha mercearia) estão fechados para férias! Enquanto EU estive de férias, e vim um ou dois dias de passagem a Lisboa, a cidade estava um sossego… Acho que para o ano vou inverter a temporada!

19/08/2007

Best Off

O das minhas férias foi o episódio que vos vou tentar descrever: Céu de Agosto, estrelado. O pátio da casa dos meus pais em Azeitão. Uma tentativa sem sucesso de observar o espaço com o telescópio do Imaginário. De repente um ponto branco e brilhante no céu, desloca-se a uma velocidade tal, que duvido de um avião e prefiro acreditar numa estrela cadente. No meio do meu entusiasmo peço sofregamente um desejo – “O que é um desejo, mãe? Também posso pedir? Qual foi o teu desejo? – confessamo-nos. Quase choramos, e logo a seguir os três demos as mãos, cantámos, rimos e saltá-mos. Andámos às voltas, abraçámo-nos e rimos, rimos muito, até ir para a cama e sonhar.

10/08/2007

Até Setembro!

Dias Santos na Loja até Setembro, boas férias !

07/08/2007

Apenas uma pergunta.

Na sua "Causa Nossa", Vital Moreira escreve duas entradas que passo a transcrever: "Distinção Há quem insista em confundir os cargos públicos de livre nomeação (e livremente exoneráveis), que sempre implicam uma relação de confiança política e uma margem de discricionariedade política no exercício de funções, e a função pública propriamente dita, constituída por funcionários de carreira, que não são livremente seleccionados nem são livremente exoneráveis e cujas funções decorrem da lei. No dia em que os ministros pudessem demitir os segundos por razões políticas, deixaria de haver Estado de direito e função pública independente. No dia em que os ministros não pudessem demitir livremente os primeiros por razões políticas, deixaria de haver governos capazes de levar a cabo as suas políticas. Será tão difícil compreender esta distinção elementar? Que a directora de um museu não o entenda, é mau; que analistas e comentadores o ignorem, é pior. Coerência e bom-senso Os que defendem que um director de um museu do Estado tem direito de criticar a política de museus do Ministério da tutela sem se demitir (como se fosse possível executar lealmente uma política de que se discorda...) ainda hão-de defender que um chefe de esquadra pode criticar a política de segurança ou que o chefe de uma unidade militar pode criticar a política de defesa. Haja coerência, senhores! E já agora, bom senso... " Não ouvi uma única voz que conteste a legalidade do acto da Ministra: não é o que está em causa, poder demitir, ela pode. E a comparação com o chefe de uma unidade militar é infantil ou absurda e, em qualquer caso, pura retórica. Faço apenas uma pergunta: em que medida as críticas (suaves) à política do Ministério da Cultura impediram Dalila Rodrigues de desempenhar - e reconhecidamente bem - as suas funções? Ou, não deveria o mérito sobrepor-se à confiança política? A lealdade mostra-se com resultados.

Baía dos Piratas

Esta é o nome que lhe demos e esta a praia preferida do meu Kiko, em Agosto!

Clubites à parte.

http://www.sporting.pt/filme Entre, insira os seus dados (que serão só utilizados para este fim) e espere.

06/08/2007

As mulheres e a Europa

Não sou feminista e no entanto considero que existe ainda uma razoável margem de progresso no que diz respeito aos direitos das mulheres. Por isso mesmo, considero de louvar a iniciativa do movimento Escolher, a causa das mulheres, que integra entre outras, Simone de Beauvoir e Gisèle Halimi, que lutam pela introdução de um principio que designam de "cláusula da europeia mais favorecida". Pretende -se com esta cláusula, que seja adoptada na U.E. a legislação mais avançada de cada país europeu no que concerne às mulheres. Ou seja, em relação à violência sobre as mulheres, deveríamos seguir o exemplo dos espanhóis, assim como para a prostituição deveríamos olhar para a legislação sueca. A ler a entrevista de Gisèle Halimi na Visão.

05/08/2007

Porque O´Neill?

Por um feliz acaso, encontrei na estante de livros do meu pai, a biografia literária de Alexandre O´Neill da autoria de Maria Antónia Oliveira. Mas não por acaso continuo a ler com avidez e entusiasmo. As respostas de O´Neill sobre as razões de ser surrealista:

"Porquê?
  • Porque perdi o medo de me surpreender.
  • Porque a "poesia deve ser feita por todos e não por um".(Lautréamont)
      • Porque ao sórdido amor mesa-família-cama-de-casal e às convenientes - e, muitas vezes, adversárias - instituições que o servem e que serve, oponho, tanto em mim como nos outros, a feroz realidade do DESEJO.
      • Porque a realidade não suporta que lhe respeitem as aparências.
      • Porque deixei de opor destruição a criação, para ficar a saber que "quem se destrói não se cansa".(provérbio surrealista)
      • Etc."

      03/08/2007

      PSI II - Recalcamento, uma falha na tradução

      Costumamos ouvir recorrentemente a expressão "és um recalcado", ou seja a pessoa em causa é amarga, está sempre a repisar uma determinada informação. Este conceito de recalcamento foi explicado por Freud como sendo o mecanismo base do funcionamento neurótico ( num post posterior divagarei sobre a estrutura neurótica). O recalcamento é um conceito intimamente ligado ao processo de organização da memória, processo este que é dinâmico e mais não faz do que registar sucessivos eventos de vida, eventos estes que vão sofrendo ao logo do tempo rearranjos e transcrições . A memória é então rearranjo e transcrição, logo o facto que se apresenta na memória pode sofrer deformação/transformação. Assim, algo que se passou num determinado momento, quando passa para o período seguinte, é traduzido de um lugar para o outro, quando existe uma falha nesta tradução estamos perante o mecanismo de recalcamento.

      02/08/2007

      Obrigado.

      Dalila Rodrigues, pelo seu trabalho no MNAA e por não ter calado a sua opinião.

      A Madeira e a República.

      No seu texto de hoje, no Diário de Notícias, Maria José Nogueira Pinto refere que a legislação sobre o aborto foi feita "à trouche-mouche", acrescentando de imediato que "devemos esperar mais de quem legisla, sobretudo em matéria tão delicada", no que tem toda a razão...tivesse ficado por aqui (argumento que, no entanto, nunca vi na boca de Alberto João). Mas Nogueira Pinto prossegue contestando a pergunta feita no referendo: "Honestamente, para que a lei, saída de um referendo cuja pergunta estabelecia, à partida, condições quanto ao modo - quem e onde se pode praticar o aborto - e quanto ao prazo - as dez semanas de gestação -, fosse exequível (ainda que para mim sempre iníqua...) o sistema de saúde precisava, objectivamente, de meios e tempo para organizar uma resposta efectiva e em tempo útil". Dando-lhe ainda razão em relação à necessidade de uma resposta efectiva do sistema de saúde, já não se compreende as suas críticas à questão colocada em referendo (ou talvez se compreenda, uma vez esta para ela será "sempre iníqua"). Chegados aqui, temos dois problemas: a) uma legislação atabalhoada e b) um sistema que não está preparado. Mas, para Nogueira Pinto, resolvê-los "será sempre à custa de menos e pior acesso de mulheres com doenças ginecológicas e oncológicas, e do rateio do financiamento". Ou seja, os problemas que identifica não são, afinal, problemas, nem muito menos, Nogueira Pinto os quer ver resolvidos. Nogueira Pinto ouve "com alívio, a voz da Madeira" o que a Madeira não diz.

      Estou a gostar

      cada vez mais desta nossa manta de retalhos. Sê bem-vinda, Bloca. Que tenhas muitos dias santos.

      Dias de descanso em Lisboa 2

      Ficou a faltar dizer que o À Margem fica em Belém, entre a Vela Latina e o Padrão dos Descobrimentos.

      Dias de descanso em Lisboa

      Dias quentes em Lisboa são bem passados à beira-rio. Passem pelo "Margem" para um almoço ou um copo ao fim do dia. Tem-se sombra, água fresca, música boa e rio, rio, rio, rio, a esplanada como ela devia sempre ser. O espaço foi desenhado pelos arqtºs Ricardo Vaz e João Pedro Falcão de Campos e vale a pena ser visitado. Houve tempos em que uma trupe passava a correr pelo quiosque que deu origem a este espaço, os santos da loja já foram atletas...

      Se faltasse, está aqui a prova de que o acordo é bom III

      Helena Roseta recusou juntar-se a coligação PS-BE na Câmara Municipal de Lisboa (Público online; 01.08.07)

      Se faltasse, está aqui a prova de que o acordo é bom II

      Lisboa: Jerónimo de Sousa diz que acordo PS-BE é duvidoso (Público online; 01.08.07)